Sam Noir: Detetive Samurai

Eu gosto de pastiches, não preciso me repetir muito sobre isso. Talvez seja devido à minha infância e criação em meio a um mundo pós-moderno com uma sociedade globalizada, ou então ao fato de eu ter nascido no Brasil, o país do grande caldeirão racial/cultural, ou seja lá qual for a explicação mais plausível. O fato é que tenho uma atração natural por eles, pela forma como eles conseguem misturar elementos diversos para criar um resultado inesperado, ou simplesmente criar um ambiente diferente a partir de temas comuns e que evocam algum tipo de familiaridade. Tanto faz.

Sam Noir: Detetive Samurai é um história em quadrinhos que deixa bem claro o seu pastiche já no nome. Ela mistura a estética dos detetives noir do início do século ao lirismo e violência do Japão feudal, criando um cenário de época indefinida, em que guerreiros com katanas montam impérios do crime e são desafiados por investigadores com um fraco por mulheres bonitas e uma tendência ao sarcamo e ironia. É nesse mundo que acompanhamos a história do personagem-título e a sua busca por vingança pela morte de uma cliente.

É uma história de clichês, antes de mais nada, e é bom pegar ela já sabendo disso. O roteiro não é exatamente surpreendente ou bem encadeado; você apenas acompanha a vendeta de Sam e como ele descobre aos poucos a trama maior por trás dela, com revelações e reviravoltas convenientemente situadas no final de cada capítulo. Mas são clichês misturados, o que ajuda a dar alguma sensação de novidade ao menos na aparência, da narração em off de mortes sangrentas até a femme fatale e os membros decepados. O resultado pode não ser uma obra-prima da literatura, mas ao menos é divertido, com direito a alguns bons comentários sarcásticos pontuando a ação (meu preferido: dizem que a vingança deixa o homem vazio por dentro. Eu digo que deixa apenas mais espaço para sushi e cerveja).

Já a arte em preto e branco é um ponto alto. Há um jogo de luz e sombra interessante, que emula muito bem o clima dos filmes noir dos anos quarenta. Apenas as feições dos personagens são em alguns momentos um tanto feios; não que isso seja necessariamente um problema, talvez seja só o estilo do artista, mas fica um pouco estranho quando o narrador anuncia que se apaixonou à primeira vista por uma moça nariguda e bocuda…

Enfim, é uma história divertida, pouco mais além de um exercício de estilo, mas bem concebido e executado. Alguém que saiba o que esperar dificilmente vai se decepcionar.

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