A Caverna

A tocha vencia com dificuldades a escuridão da caverna, iluminando passagens e caminhos, revelando as estacas de rocha no chão e no teto. Esqueletos ocupavam os cantos, ossos de homens e animais se acomodando como podiam na paisagem desconfortável. Aquela era a Caverna da Morte, da qual ninguém jamais havia retornado, e, ao adentrar cada vez mais profundamente, o viajante se perguntava o que poderia haver nela de tão mortal. Até ali nada havia de especialmente assustador: nada de animais perigosos, insetos ou fungos venenosos, nem sequer armadilhas inesperadas, como fossos escondidos ou desabamentos imprevisíveis.

De repente, ao passar por um dos túneis em direção a uma cavidade na terra, o viajante sentiu um vento soprando por entre as rochas, uma brisa leve e suave, fria mas nem por isso incômoda. E então ouviu: o vento que batia nas rochas, passava por canais, ecoava nos túneis. Não era um som assustador ou macabro; ao contrário, as notas pareciam obedecer a uma partitura cuidadosa, os ecos dos túneis sobrepondo-se com harmonia, como uma grande orquestra de sopros. Surpreso e admirado, o viajante parou para acompanhar a melodia.

Passaram-se as horas, os dias, as semanas. O viajante continuava lá, acomodado em um canto da caverna, mais magro pela falta de comida e sono. Mas nada disso importava: queria apenas continuar ouvindo a música que as rochas lhe sopravam.

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Sob um céu de blues...

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  • @LionHeartRicard Tão dizendo que o Grêmio tá usando drones pra espionar os treinos adversários :P 3 hours ago
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