X-Men: Primeira Classe

Como alguns já devem saber, eu sempre fui um marvete assumido desde pequeno, e, mais do que isso, um x-maníaco. Os mutantes (e, como onze em cada dez leitores deles, o Wolverine) foram os meus personagens preferidos praticamente desde que eu comecei a ler histórias em quadrinhos a sério. Acompanhei toda a fase clássica escrita pelo Chris Claremont e desenhada pelo John Byrne primeiro e depois pelo Jim Lee, e na verdade foram justamente estas histórias que me puxaram pra todo esse universo dos leitores de quadrinhos em primeiro lugar.

Essa é uma informação importante, porque deve explicar um tanto do meu sentimento ambíguo a respeito de X-Men: Primeira Classe (e não, o título do filme não diz respeito à primeira classe do Pássaro Negro), e algumas das críticas que eu vou necessariamente ter que fazer a ele. Elas podem parecer em um primeiro momento ranço de fã, e na verdade é justamente isso que são. Eu sempre fui um defensor das adaptações livres nos cinemas, aquela coisa de tentar pegar o cerne do personagem e fazer uma versão dele, e não apenas transferir ipsis litteris tudo o que aconteceu em cinqüenta anos de histórias ininterruptas para um filme de duas horas; por isso consigo gostar de um filme bacana como Constantine, por exemplo, e ao mesmo tempo fazer críticas duras a Watchmen. Mas é verdade também que desta vez eles puxaram certas coisas um pouco além do limite.

Claro que eu não vou reclamar de coisas menores como a escalação de Angel e Darwin entre os primeiros mutantes da vez, já que eles estão lá pra cumprir a cota genérica de poderes únicos praticamente da mesma forma como nos quadrinhos. Até o Azazel com teletransporte, vá lá, dá pra engolir. Todo o Clube do Inferno talvez pudesse ser melhor aproveitado em um roteiro sobre ele próprio, mas tudo bem, não deixou de ficar interessante da forma como foi feito. Mas um Destrutor trinta anos mais velho do que o Ciclope é duro é de aceitar – dá pra ver uma tentativa clara de não colocar os mutantes que aparecem nos outros filmes, exceto em algumas pequenas participações especiais (principalmente do Wolverine, na melhor cena de todo o filme), para manter-se fiel à “cronologia” própria do cinema; então escalar o Alex Summers, que deveria ser o irmão mais novo do Scott, acaba tendo justamente esse efeito colateral. Outra liberdade criativa dura de engolir é o relacionamento entre Charles Xavier e a Mística, que além de tudo ainda adiciona um tom de melodrama totalmente descartável à história; a cada cena em que os dois apareciam juntos o meu estômago de fã se revirava.

O pior de tudo, no entanto, é que, apesar de todas essas, ahem, liberdades, o resultado final não é ruim. Bem pelo contrário, até – o filme todo é muito bem feito, tem um roteiro interessante, ainda que com alguns furos menores, fundamentado em um fato histórico, a Crise dos Mísseis de Cuba de 1962, e tem cenas bem filmadas e divertidas. Mais do que tudo, tem excelentes atores. Jason McAvoy está ótimo como um Charles Xavier jovem e mulherengo, enquanto o Michael Fassbender rouba a cena como o jovem Erik Lensherr. Kevin Bacon também está excelente como Sebastian Shaw – ele rouba a cena mesmo na sua primeira aparição no campo de concentração nazista, e depois se mantém regular até o fim.

Enfim, como eu já destaquei, meus sentimentos a respeito de X-Men: Primeira Classe são bastante ambíguos. Por um lado, o filme é muito bem feito e divertido, não se pode dizer que seja um filme ruim. Por outro, as liberdades tomadas com respeito a alguns dos personagens realmente incomodam bastante. Se você não liga para isso, vai fundo, não há muito o que não gostar. Se, por outro lado, for um fã dos mutantes… Talvez seja melhor ver também, e tirar as suas próprias conclusões no final.

8 Responses to “X-Men: Primeira Classe”


  1. 1 Jagunço 07/06/2011 às 22:47

    Minha chateação com o filme tem a ver com 1) o pretenso recorte James Bond, com submarinos e vilões que tem pena dos mocinhos; 2) arrumaram uma magrela loira para interpretar a miss masturbação nerd Emma Frost, 3) A morena com asinhas de borboleta é desperdício, 4) O papo de “ame você do que jeito que você é” é um saco atualmente, 5) a cena da distribuição dos nomes-de-guerra parece ter sido pensada na Record e 6) a máscara do magneto no final estava ridícula.

    No mais concordo com o artigo, BURP. No dia que você fundar um partido, meu voto é seu.😀

  2. 4 Ana Carolina Silveira 08/06/2011 às 14:08

    Ah, eu gostei do filme, apesar de ter estranhado algumas liberdades de roteiro. Entendo seu incômodo, ainda mais porque a mitologia dos personagens teve uma mexida boa (mas a Marvel lá respeita sua mitologia estritamente nos cinemas? O Thor tá aí – e em termos de roteiro sem pé nem cabeça, achei as coisas lá piores, apesar de ter achado as soluções mais elegantes).
    Estranhei Alex Summers no time principal (poderiam ter pegado qualquer outro mutante aleatório, não?), achei o Clube do Inferno fora de lugar, descaracterizaram um monte de gente (Emma Frost inclusa e pra mim ela sofreu do mesmo problema da Cersei do seriado, faltou opulência :P). A Mística com o Xavier, até entendo o porquê da alteração (mais como necessidade de roteiro, dela ter um gancho para ser puxada ali), então fica mais fácil de engolir. Azazel mutante até passa (também pelo fator “mutantes de poderes diferentes” e o Noturno obviamente tava fora) e a menina de asas (tem de ser a latina multiétnica bitch do mal, né😛 Aliás, achei minimamente curioso que os latinos tenham se bandeado para o lado do Shaw e que os mutantes da CIA fossem loirinhos/ruivos WASP – pra não contar com um discurso sobre “ser escravizado” e a câmera focalizando o negro da equipe) poderia ter sido trocada por alguma outra mutante. E o poder dela na tela grande ficou tosco em excesso.
    No geral, achei o roteiro bem amarradinho, a contextualização histórica da Crise dos Mísseis COM mutantes foi bem legal – e entendo que para a época a coisa tinha de ser meio James Bond com submarinos mágicos mesmo.
    Mas o Erik/Magneto rouba a cena. O ator é excelente e tem um personagem excelente nas mãos. Me lembrou porque o Magneto tem uma estrelinha na minha lista máxima de melhores antagonistas – e nunca “vilões”. E mesmo a comparação com o Xavier, boêmio e pegador de menininhas, ficou bem interessante (mas as piadinhas dele sobre ficar careca não batem o clássico “você não quer que eu vista uma malha amarela, quer?”). E a melhor cena do filme de longe é a do Wolverine. 30 segundos que valem o filme todo😛
    Enfim, gostei muito do filme como filme e também por lembrar que os X-Men sempre foram os meus preferidos nos quadrinhos de heróis – e no universo Marvel como um todo. E que se algum dia comecei a querer escrever determinado tipo de ficção fantástica, que me lebou a muitos outros, foi por causa deles.
    P.S.: Constantine é uma bomba e Watchmen é uma obra-prima injustiçada :PPPP
    P.S.2.: Marvete xiita! :PPP

    • 5 Bruno 08/06/2011 às 14:54

      Bom, a real é que os X-Men lá são só um grupo de poderes genéricos pra dar apoio ao Xavier e ao Magneto e justificar o orçamento de efeitos especiais mesmo. Justamente por isso, dava pra ter evitado tranquilamente coisas como o Destrutor, por exemplo. Mas essa coisa dos mocinhos WASP é bem verdade, eu lembro de ter pensado nisso na hora mas não lembrei de comentar – o único não-WASP dos mocinhos é justamente o que se ferra primeiro =P

      E Constantine é legal, po =P

  3. 6 avidadenerd 08/06/2011 às 14:22

    Quando vc diz que Constantine é legal e que criticou Watchmen vc já mostra que não deve ser levado a sério…


  1. 1 Guardiões da Galáxia | Rodapé do Horizonte Trackback em 08/08/2014 às 14:14

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