Valkyria Chronicles

Valkyria Chronicles é um RPG estratégico desenvolvido pela Sega para o Playstation 3, e é considerado por muitos como o melhor jogo do gênero para o console. Além de um cenário bastante original e uma direção de arte inspiradíssima, ele conta também com uma jogabilidade única e inovadora, que realmente traz algo de diferente para um gênero tão saturado e repetitivo como têm sido os RPGs eletrônicos e seus derivados nas últimas gerações.

Mas vamos por partes, é claro. A história do jogo se passa no continente fantástico de Europa – e apesar da óbvia inspiração, é bom não confundi-lo com a nossa Europa, visto que ele é chamado assim mesmo nos diálogos em inglês, onde o correto seria Europe -, onde temos duas grandes facções políticas rivais, a Federação, de um lado, e o Império, do outro. Na medida em que os antagonismos e tensões entre elas se intensificam, quem sofre mesmo são os pequenos países à margem de ambos, em especial a pequena Gallia, conhecida pelas suas paisagens idílicas e as grandes reservas de ragnite, um minério de propriedades misteriosas usado nos motores de diversas máquinas pelo continente. Quando o império decide invadi-la e incorporá-la aos seus domínios, uma milícia civil é recrutada entre os seus habitantes para protegê-la, incluindo, é claro, os nossos protagonistas.

Não vou dizer que seja uma história muito original ou surpreendente. Quase tudo que esperaríamos ver em um RPG estratégico de fantasia está lá – a grande guerra que justifique as batalhas entre exércitos, as intrigas políticas, mesmo os mistérios sobrenaturais que terminam por resolver o conflito. Eu diria que ela é até um pouco bobinha e ingênua em alguns pontos, em especial em alguns enredos secundários de ordem política. Por outro lado, ela se destaca bastante pela originalidade do cenário e as suas fontes de inspiração – ao invés da tradicional fantasia medieval com seus cavaleiros e dragões ou uma ficção científica com mechas gigantes, temos aqui um cenário inspirado na Europa da Primeira e Segunda Guerra Mundiais, com direito a tropas de infantaria armadas com metralhadoras e granadas, franco-atiradores, e tanques de guerra. Somado ainda a um elenco de personagens muito carismáticos, desde os protagonistas até os coadjuvantes secundários que estão lá apenas para completar o seu esquadrão (incluindo, aliás, duas participações especiais de outro RPG cult da Sega, Skies of Arcadia), acaba sendo uma história muito divertida de acompanhar de qualquer forma.

Mas é claro que isso também não adiantaria nada se o jogo fosse uma bomba na hora de jogá-lo de verdade, e é justamente nesse ponto que ele mais brilha. Trata-se de um RPG estratégico, como já comentado, o que quer dizer que você toma o controle de um pequeno esquadrão em uma batalha campal, movimentando os seus soldados pelo cenário atrás de posições vantajosas para atacar os inimigos e cumprir os objetivos das missões. Diferente do tradicional tabuleiro quadriculado do gênero, no entanto, aqui a ação ocorre em tempo real, ou quase – você e o adversário tomam turnos controlando suas tropas, e a cada vez que um personagem é selecionado você pode movimentá-lo livremente pelo cenário, como em um jogo de ação em terceira pessoa, escolhendo a melhor posição para fazer o seu ataque. Claro, há algumas complicações, como um limite de movimentos e ataques que podem ser feitos a cada rodada, além de uma série de “ordens” especiais que você pode usar como comandante, que funcionam um pouco como as magias tradicionais dos RPGs. No fim, ela me lembrou bastante um jogo pouco conhecido do Playstation 2, Ring of Red, que também tinha uma jogabilidade híbrida de estratégia em turnos / combate em tempo real.

Grande parte do brilho dessa jogabilidade, de qualquer forma, vem do design dos cenários e missões. Há diversas formas de obter vantagens táticas, posicionando franco-atiradores em locais altos para alvejar os inimigos, protegendo-se em trincheiras e barricadas, escondendo-se na grama, etc; com isso, a forma como você ganha territórios e faz uso deles se torna decisivo para a vitória, influindo bastante nas suas estratégias. Os objetivos também são variados, impedindo que você caia sempre na mesmice de derrotar todos os adversários ou coisa assim – a grande maioria das missões é um joguinho simples de capturar a bandeira, mas nos momentos finais elas se diversificam bastante, indo desde confronto com chefes até guiar colossos inimigos por campos cobertos de minas terrestres. O resultado final é um jogo muito divertido e intenso, além de bastante gratificante.

Toda a apresentação do jogo também merece destaque especial. A direção de arte é inspiradíssima, com uma ascendência de animes e mangás tão bem executada que foi mesmo transformada em uma série de animação posteriormente. A forma como o enredo é contado também é muito bacana – o jogo é apresentado como um livro contando a história da guerra, com cada capítulo possuindo uma ou duas missões e algumas cenas e diálogos extras, posicionados pelas páginas como se fossem ilustrações em que você deve clicar para ver o conteúdo. Isso tudo colabora para deixar a experiência toda bastante única e envolvente.

Valkyria Chronicles, enfim, é um jogo muito bacana e original, que eu recomendo bastante pra quem tiver um PS3 e gostar de RPGs, animes e histórias de fantasia. Acho que é uma das poucas franquias novas realmente interessantes desta geração de consoles até aqui.

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