Different Gears, Still Speeding

Beady Eye, para quem ainda não sabe, é a banda formada pelo Liam Gallagher e os demais remanescentes do Oasis depois do fim repentino do grupo em 2009. O Noel foi para um lado e apenas recentemente anunciou o início de uma carreira solo, enquanto os demais se reuniram já pouco depois do ocorrido e gravaram este Different Gears, Still Speeding, seu primeiro disco. A grande questão, é claro, é até que ponto o Gallagher mais novo é capaz de manter um trabalho de qualidade sem a tutela do mais velho, que desde o início era o principal compositor da banda e responsável pelos seus maiores hits.

De início, a bem da verdade, o disco até é bem promissor. Four Letter Word é um rock muito bacana, com um ritmo contagiante e riffs interessantes, e uma letra que manda uma mensagem bem direta aos fãs quando diz que nothing ever lasts forever. Já Millionaire, a segunda faixa, é uma baladinha também bem bacana com um certo quê de nostalgia, levada por um ótimo riff acústico, e The Roller também não é de todo ruim.

O problema começa mesmo na quarta faixa, Beatles and Stones. Liam sempre foi o mais problemático dos irmãos Gallagher, e o que levava mais a sério toda aquela história deles serem os “novos Beatles” – foi ele mesmo quem deu as declarações dizendo que era a reencarnação do John Lennon, por exemplo, o que poderia até ser plausível não fosse um certo probleminha de datas (ele nasceu quando o beatle ainda estava vivo). A música mostra bem isso: tenta fazer uma homenagem ao rock sessentista, mas não consegue evitar de soar falsa e nostálgica demais, desta vez de uma forma negativa (além de que, de alguma forma, consegue lembrar muito mais The Who do que as bandas citadas no título…).

A partir daí, pode-se dizer que o disco se divide entre as músicas que trazem ainda a marca da última fase do Oasis, com arranjos muito bem feitos pelos músicos experientes, ainda que faça falta o talento inegável do Noel para criar melodias gostosas e assobiáveis; e os delírios messiânicos do Liam, em que dos arranjos aos vocais à letra tudo parece evocar algum tipo de mensagem edificante genérica. Do primeiro grupo temos músicas até bem bacanas, desde baladas razoáveis como Wind Up Dream e Wigwam, até os rocks mais agitados como a ótima Standing on The Edge of the Noise e Three Ring Circus. E do segundo temos as músicas que dão vontade de avançar o disco pular para a próxima faixa, seja pela nostalgia vazia (Bring The Light e The Beat Goes On) ou pelo clima metafísico genérico (Kill For a Dream e The Morning Son).

No fim, Different Gears, Still Speeding até não é ruim. Pelo menos metade do disco é muito bacana e tem ótimas músicas, e eu apostaria que boa parte dos velhos fãs do Oasis vão gostar até mesmo da outra metade. Só é difícil não ficar com a impressão de que, na divisão de bens dos Gallagher, a maior parte do talento ficou mesmo com o irmão mais velho.

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