Capitão América: O Primeiro Vingador

Capitão América: O Primeiro Vingador é, bem, a adaptação do famoso personagem dos quadrinhos da Marvel Comics para o cinema. Ele faz parte dessa nova leva de filmes dos heróis da editora, como Homem de Ferro e Thor, produzidos por um estúdio subsidiário dela própria, o que garante ao menos algum respeito à sua história, diferente de certas… Coisas que já foram feitas no passado. E, como o próprio título já deixa bem claro, ele também é uma introdução ao grande projeto deste estúdio, o filme dos Vingadores que deve ser lançado no próximo ano.

É difícil falar do Capitão sem destacar o seu símbolo e aquilo que, por trás de toda a fantasia, ele realmente representa. Talvez (aliás, certamente) mais até do que o Super Homem, que é o personagem da editora rival com as cores da bandeira norte-americana no uniforme, ele já é desde o nome uma ode de exaltação ao país onde foi criado – vide, aliás, esta ótima montagem que foi feita em cima do trailer, com uma música dos criadores de South Park. E um dos méritos que o filme tem é de fato reconhecer e incorporar isso, mas de uma forma que não chega a ser ofensiva a outras nacionalidades, e tem até um certo tom de paródia bem divertido em alguns momentos. Há mesmo o cuidado de colocar um grupo de soldados multiétnico na sua equipe de suporte, para não parecer (ou ao menos não tanto) que só os norte-americanos fizeram alguma coisa relevante na guerra.

A produção do filme também é muito bem feita, desde o figurino e o cenário, que dão a ele um certo quê de matinê e filme de época. Marvetes de longa data vão ter orgasmos múltiplos com as referências ao início da editora na feira de tecnologia no início, além do Howard Stark caracterizado como uma versão vintage do seu filho. E os atores em geral estão bem escalados, a começar pelo próprio Chris Evans, que encarnou muito bem o protagonista; apenas o Hugo Weaving é meio decepcionante como Caveira Vermelha, mas eu tendo a achar que isso é mais pelo filme dar pouco tempo de tela a ele do por qualquer outra coisa.

Nada disso salva, no entanto, o roteiro sem brilho e cheio de buracos (feitos por balas de fuzis alemães, muito provavelmente). O diretor não conseguiu conduzi-lo nem dar o ritmo certo, e a edição tem alguns cortes de cena tão toscos que parecem reminescentes do filme do Demolidor estrelado pelo Ben Affleck. A partir de um certo ponto, em especial, parece que o filme vira um grande videoclipe de tiros e explosões em cenas dispersas, tentando encaixar de alguma forma os acontecimentos que o encaminhem para o confronto final entre o herói e o vilão.

Também é interessante destacar que eu assisti o filme em um cinema 3D, mais por conveniência de horários do que qualquer coisa. E, sinceramente, não há nada nele que justifique que seja exibido desta forma – exceto, é claro, a necessidade dos produtores de dar volume a arrecadação com os ingressos mais caros. As únicas cenas com um mínimo de profundidade eram as explosões, em que era possível ver os estilhaços voando em frente ao fogo. Todos os trailers antes do filme começar, sem exceção, tinham mais elementos em 3D do que ele.

Em todo caso, não vou dizer que o filme seja, pura e simplesmente, uma bomba, até porque ele não é. É divertido, tem seus bons momentos, o Chris Evans está bem caracterizado como o Steve Rogers, e o Tommy Lee Jones rouba a cena na meia-dúzia de vezes em que aparece. Só não vá esperando muito mais do que isso mesmo. E também não saia antes do fim dos créditos, especialmente se for um marvete assumido – a surpresa que há depois deles certamente compensa toda a espera.

7 Responses to “Capitão América: O Primeiro Vingador”


  1. 1 Ana Carolina Silveira 31/07/2011 às 18:11

    Sobre o Capitão América: ele acaba sendo o símbolo máximo do americanismo, mas geralmente discursos inflamados sobre o como os quadrinhos são o símbolo máximo do imperialismo cultural americano e blablabla me fazem rir, ainda mais sabendo por que o personagem foi criado e com qual finalidade – símbolo do americanismo, sim, mas para os próprios americanos num momento de guerra. Adoro a história da Marvel e da DC, é tão interessante quanto as histórias que elas produzem😛

    ***
    Sobre 3D: nunca vi um filme que compensasse o preço do ingresso. Talvez alguma animação feita pra ser 3D até compense, mãssss…

    ***
    Sobre o filme: nada a comentar por ora.😛

    • 2 Bruno 31/07/2011 às 18:50

      Não sei, eu em geral acho interessante analisar o símbolo implícito em certos super-heróis, mais do que simplesmente acusá-los de imperialismo satânico ou coisa assim (algo que poderia ser dito do rock, do futebol, do arroz, e de tantas outras coisas também). Tem um outro texto meu aqui que eu falo sobre isso, num dos meus parcos momentos de sobriedade.

      Também não vi muitos filmes em 3D que compensassem o ingresso, mas eu realmente achei que nesse caso o roubo é tão descarado que valia um comentário…

  2. 3 Jagunço 31/07/2011 às 18:29

    Me diverti assistindo, fruto do poderoso treinamento de não esperar grande coisa.
    Sempre detestei a ideia de transpor personagens que tem uma grande tendência de ficarem ridículos fora de sua mídia original – o que é válido pra a imensa maioria dos filhos das HQs e mangás.
    Capitão América é um personagem que nunca me cativou, dado o ufanismo implícito e os poderes simplórios, mas o filme me pareceu mais orgânico do X-Men First Class e Thor. O tratamento de câmera, a piada interna com o patriotismo e a construção do herói cujo maior poder é uma coragem sobrehumana me ganharam dessa vez.
    Sobre o Weaving: pra mim, o personagem Caveira Vermelha é que é fraco. De qualquer forma, é a parte mais estranha e frágil da película, sim.

    P.S.: A comparação com Demolidor foi uma das maiores maldades que vi recentemente por aqui. hauhauhauahauha…

    • 4 Bruno 31/07/2011 às 18:54

      Eu gostei de Thor, achei um filme melhor conduzido e redondo do que esse. O problema mesmo dessa nova leva de filmes da Marvel é que dá pra ver o que tá sendo feito, apresentando personagens e preparando o terreno pro filme dos Vingadores… Aí acaba que a maioria deles tem aquele mal das “histórias de origem”, em que contar de onde veio cada poder e cada característica do herói acaba sendo mais importante do amarrar tudo em um roteiro que realmente empolgue quem tá assistindo do outro lado.

  3. 5 Ana Carolina Silveira 09/08/2011 às 17:24

    Falei que voltava aqui depois de ver o filme😀

    Achei o filme, em si, BEM clichezão de filme de nazistas loucos procurando artefatos mágicos, tanto que o Caveira Vermelha só precisou de risadas malignas para terminar de compor o clichê do vilão mauzão desse tipo de filmes. Só que não é um Indiana Jones (e nem um Bastardos Inglórios)…

    Também gostei da homenagem à origem do Capetão, que eu falei no comentário anterior, e da atualização da velha piada: “a gente vai ter de usar collants amarelos?” (e o uniforme vintage ficou TÃO LEGAL)…😛

    Concordo que do meio do filme para frente virou uma colagem de cenas soltas com explosões, tiros e cenas de impacto soltas, e que faltou uma amarrada boa no roteiro (que também parece só uma colagem de fatos sem ligação). Só que no aspecto geral, achei esse filme bem mais simpático do que o do Thor – não sei se a caracterização do protagonista ajuda, mas fiquei mais satisfeita com o resultado final aqui e lá.

    E minha imagem mental do Capitão América será eternamente essa, não adianta: http://3.bp.blogspot.com/-aNXLL6w0pZY/TWCfI-wddWI/AAAAAAAAAYw/rswWmQ9v0eY/s1600/livestock%257Ecaptain.jpg

    • 6 Bruno 09/08/2011 às 21:39

      Então, o filme não é ruim, é bem divertido sim. Eles até souberam incorporar bem todo esse símbolo nacionalista-ufanista do Capitão e tudo mais, sem ficar tosco. Eu só não podia deixar de falar da parte ruim também na resenha, né… =P Mas achei Thor um filme mais redondinho e bem dirigido, apesar de os dois estarem bem no mesmo nível, na real.

      E po, o Capetão do Rob Liefeld é sacanagem… =P


  1. 1 John Carter: Entre Dois Mundos « Rodapé do Horizonte Trackback em 20/03/2012 às 20:44

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