O Corvo

Era como um corvo, a ave que seguia o viajante para onde quer que ele fosse. Desde que havia adentrado aquela região, apenas aquele curioso ser de penas negras o seguia por todo o lugar. Possuía um bico de corvo, e asas de corvo. Voava como um corvo, e movia-se como um – mas alguma coisa desconhecida parecia denunciar, com toda clareza, que aquilo não era um corvo.

Havia tanto tempo que estavam juntos, no entanto, que o viajante simplesmente deixou de se importar. Seguiu caminhando, como sempre fazia, em direção à qualquer lugar – e, nunca até então, qualquer lugar parecia tão distante. Nada havia em qualquer direção: o mundo a sua volta era apenas um vazio sem fim, sem começo, sem direção. Sequer havia o chão por onde caminhar – apenas se caminhava por sobre nada, indo aonde quer que fosse. O único vestígio de existência, até onde se podia enxergar, era a criatura parecida com um corvo que o acompanhava.

Exausto, o viajante se atirou ao nada, deixando-se cair como um morto ao chão inexistente. O ser que parecia um corvo pousou alguns metros adiante. Observou-o, virando a cabeça de um lado para o outro, ora olhando-o com o olho esquerdo, ora com o olho direito. Então bateu asas e voou para longe, deixando-o sozinho com o vazio à sua volta.

Caído no nada, o viajante fechou os olhos e desejou com todas as forças não existir.

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Sob um céu de blues...

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