A Revolução Não Será Televisionada

O ano é 2002. Uma dupla de cineastas irlandeses está na Venezuela para gravar um documentário. O tema? O presidente eleito Hugo Chávez – já então uma figura capaz de causar singulares polêmicas e controvérsias no debate político internacional. No meio do período da gravação, no entanto, explode uma tentativa de golpe de estado arquitetada pelos oposidores do presidente.

Segue-se então um dos maiores shows de desinformação e manipulação de notícias dos meios de comunicação venezuelanos e internacionais. Revoltas populares, repressão armada, negociações políticas em meio à um palácio presidencial tomado por militares – tudo devidamente gravado e registrado pelos dois cineastas, e posteriormente comparado com transmissões de notícias de redes locais e internacionais, especialmente norte-americanas.

Não vou entrar no mérito da imparcialidade jornalística do filme, o que, já disse antes, qualquer um com um mínimo de pensamento crítico sabe reconhecer como uma falácia das mais descaradas; os diretores claramente assumem a posição de defender os ideais chavistas, procurando exumar os partidários do presidente de qualquer culpa mesmo quando ela é simplesmente inevitável. No entanto, o que realmente choca no documentário é a discrepância entre as imagens registradas e o que é televisionado pelos meios de comunicação. Momentos como os ministros de Chávez, depois de terem recuperado o poder em uma intensa manifestação popular, assistindo pela televisão, no próprio palácio presidencial, a uma declaração por telefone, ao vivo, do presidente golpista dizendo que não havia revolta popular e que ele ainda se encontrava no poder em Caracas, quando em realidade já havia fugido do palácio no momento em que as bases do exécito se rebelaram e passaram a trabalhar para trazer de volta o presidente deposto, seriam realmente cômicas, se não fossem simplesmente trágicas.

Enfim, me abstenho de julgar os méritos e deméritos do governo Chávez, pra evitar uma discussão que seria interminável, repleta de ideais inflamados muito mais do que qualquer tipo pensamento racional, e da qual eu mesmo me considero longe do nível de informação adequado para participar. Mesmo isso, no entanto, não torna A Revolução Não Será Televisionada um relato menos chocante e revoltante. É difícil assistir a um relato como esse e ainda manter qualquer fé na mídia jornalística como é praticada hoje. É só ver por vocês mesmos.

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