A Sinfonia

Josué caminhou para fora da sacada como fazia todas as manhãs ao acordar. A rua onde morava, no meio da cidade grande, era coberta de silêncio. Calmamente abriu a partitura, posicionou-a à sua frente e bateu a bengala na beirada da casa.

Virou levemente para a esquerda, e, em movimentos curtos, começou a reger a passagem dos transeuntes. O som dos seus passos era firme e constante, como a percussão que marcava o ritmo de uma orquestra. Elevou um pouco mais as mãos e os passos apressaram; apontou levemente para a frente e pessoas começaram a sair das suas casas, deixando os portões atrás de si baterem ao fechar, no ritmo em que o velho os regia. Na direita, os quartetos de carros passavam, ditando com seus motores as bases para os solistas – pássaros que chegavam aos seus ninhos, cantando para os filhotes.

Assim seguiu durante o dia, a vida no ritmo regido por Josué, com refrões e crescendos ao meio-dia e às seis da tarde, até encerrar em um solo derradeiro de portas e portões exatamente ao anoitecer e tudo voltar ao silêncio de sempre.

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