Homem-Aranha Noir

Homem-Aranha Noir é, como o nome bem indica, mais um título da série Marvel Noir, que reimagina os personagens da editora em um ambiente inspirado pelas séries de literatura policial da década de 1930. Junto com X-Men Noir foi um dos primeiros títulos dessa linha a serem lançados por aqui, em uma luxuosa edição encadernada de capa dura, mas com um preço até que bem convidativo levando-se isso em consideração.

A ação desta vez ocorre em 1933, apenas quatro anos depois da quebra da bolsa de Nova Iorque, em um país ainda mergulhado na crise econômica e social. O crime e a corrupção prosperam, e, no caso da principal metrópole norte-americana, possuem como figura central um chefe de quadrilha enigmático conhecido apenas como o Duende. É nesse cenário que vive Peter Parker, um jovem idealista que mora com os tios, um casal de ativistas políticos, e que, após a morte de um deles, é eventualmente tomado como pupilo por Ben Ulrich, repórter do Clarim Diário, e aos poucos passa a ser apresentado ao lado mais sujo da cidade.

Uma diferença fundamental desta para a história dos mutantes resenhada anteriormente é que os personagens aqui de fato possuem super-poderes. No caso de Parker, eles são concedidos por uma misteriosa aranha mística, fazendo com que ele vista um velho uniforme de aviador pertencente ao seu tio enquanto começa a limpar a cidade, sempre honrando os ensinamentos sobre poderes e responsabilidades que recebeu dele – que possuem um leve twist subversivo e anti-institucional, para combinar com o seu background mais politizado, mas continuam com a mesma idéia básica do personagem original.

A história também é muito bem desenvolvida, pegando bem o clima noir a que a série se propõe. Há ambientes luxuosos, femme fatales, crimes violentos; e também inúmeras participações especiais, desde os obrigatórios J. J. Jameson e May Parker, até aliados e adversários clássicos. Nenhum deles está deslocado ou fora de contexto, nem apenas ocupando espaço para completar o álbum de figurinhas – todos são reinterpretados conforme o ambiente, e possuem funções bem definidas e encaixadas no enredo geral. O resultado é um conto policial muito bacana e bem executado, e que conta ainda com uma arte excelente retratando a Nova Iorque da época.

Enfim, Homem-Aranha Noir é um lançamento muito bacana, que eu recomendo para fás do herói ou da literatura policial em que o cenário é inspirado. Tenho gostado bastante dessa série Marvel Noir, a forma como ela reinterpreta personagens clássicos sem deixar de contar histórias interessantes e bem desenvolvidas, e estou bem curioso para ver o que foi feito com outros personagens.

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