Noel Gallagher’s High Flying Birds

Todos já devem saber, é claro, mas o Oasis, uma das últimas realmente grandes bandas de rock britânicas (e mesmo mundial), acabou faz algum tempo. Na divisão de bens entre os irmãos Gallagher, o Liam ficou com a banda, e anunciou já pouco tempo depois o surgimento do grupo Beady Eye, cujo primeiro disco, Different Gear, Still Speeding, eu já resenhei por estas bandas. E o Noel… Bem, o Noel ficou com o próprio nome, já que era reconhecidamente o compositor de todos os principais hits do grupo.

Como eu comentei no texto anterior, o Beady Eye em certo sentido continuou o mesmo tipo de som que o Oasis vinha fazendo nos seus últimos discos. Se você gostava do barulho e da energia roqueira intensa que eles tinham em músicas como Lyla ou The Shock of the Lighting, ou mesmo, vá lá, aquele pseudo-messianismo do Liam em Guess God Thinks I’m Abel e I’m Outta Time, é a sua banda. Já o Noel continuou com a outra parte desse som – representado nas músicas que ele próprio cantava nesses últimos discos, como The Importance of Being Idle, Waiting for Rapture ou Falling Down, que se destacavam mais pelos arranjos maduros e melodias cuidadosas do que simplesmente pelo barulho e distorções de guitarras. Qualquer destas músicas poderia estar tranquilamente em Noel Gallagher’s High Flying Birds, lançado no último mês, e não estariam de qualquer forma deslocadas.

O disco é composto por apenas dez canções, mas são mais do que o suficiente pra ele demonstrar quem era o talento verdadeiro por trás do Oasis (não que a maioria dos fãs tivesse qualquer dúvida, é claro). Com uma pegada mais pro lado do folk do que o rock propriamente dito, com direito a bases de violões mesmo nas músicas mais agitadas, ele se destaca pelos arranjos criativos e diversos, que praticamente não se repetem. Há espaço mesmo para um náipe de metais e instrumentos inusitados como o serrote musical e taças de cristal. Para os mais tradicionalistas, o uso de uma orquestra de cordas também está perfeito, passando longe do kitsch para deixar músicas como Everybody’s on the Run e (I Wanna Live in a Dream) In My Record Machine com ares épicos.

Por trás de tudo, é claro, está principalmente o talento do Noel de criar melodias e refrões, notável desde os tempos de Cigarettes & Alcohol e Wonderwall. É fácil imaginer os refrões de Everybody’s on the Run e (I Wanna Live in a Dream) In My Record Machine cantados em coro por um estádio de futebol lotado (sim, novamente as duas; preciso dizer quais foram as minhas faixas favoritas?). Dream On, The Death of You and Me, AKA… Broken Arrow e (Stranded on) the Wrong Beach são outros pontos altos, com aquelas melodias gostosas que nos dão vontade cantar junto já na primeira ouvida.

Pra não dizer que o disco é perfeito, enfim, duas das faixas estão um pouco abaixo da qualidade das demais, na minha opinião. A primeira é justamente a primeira música de trabalho, If I Had a Gun, que tem um verso inicial bem bacana (If I had a gun / I’d shoot a hole into the sun / And love would burn this city down for you), mas depois vira uma baladinha romântica genérica cheia de lugares comuns, falando sobre como você é tudo pra mim, e sem você eu não sou nada, e eu sempre te observei andando pela sala… Lembrou os momentos mais sonolentos do Coldplay. E a outra é Stop the Clocks, música já antiga que nunca foi gravada pelo Oasis mas chegou a ser título de uma coletânea de sucessos, e também tem uma melodia chatinha e um arranjo de balada soturna genérica, apesar da aceleração bacana do tempo no fim, no estilo de algumas bandas de rock pesado setentistas, salvar ela pra mim.

Enfim, pra resumir a ópera, Noel Gallagher’s High Flying Birds é um disco muito bacana mesmo, acredito que um dos melhores lançamentos do ano (bom, não é como se eu tivesse acompanhado muitos lançamentos também). É um belo amadurecimento artístico do Noel, passando longe da barulheira genérica na qual o seu irmão mais novo preferiu apostar. Recomendo bastante para os antigos fãs do Oasis, e mesmo quem não gostava muito deles talvez devesse dar ao menos uma chance.

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