Superman – O Retorno

Bueno, como uma meia dúzia de outros HQéfilos metidos a sabe-tudo, eu também não sou exatamente um grande fã do Super-Homem. Tudo bem que ele pode ser o ícone máximo de uma mídia e também de um gênero, mas sei lá, não acho ele um personagem assim tão interessante e de características tão aproveitáveis. Pôxa, ele é super! Ele pode tudo! Ele é indestrutível! Qual é a graça nisso? E isso sem entrar, é claro, em toda a americanofilia que ele representa e o seu papel cultural no confronto de ideologias políticas.

Mas é claro também que eu não desprezo ele enquanto personagem – gosto muito mais do Batman, mas ele tem alguns elementos bem interessantes de serem explorados quando nas mãos de um roteirista eficiente. Existem pelo menos dois “modelos” de história clássicos que funcionam muito bem com ele: uma é o lado político da existência de um super-homem, tão bem aproveitada em grandes obras dos quadrinhos como O Reino do Amanhã, Entre a Foice e o Martelo, e em alguns episódios (os melhores, geralmente) da velha série animada da Liga da Justiça; e o outro é o lado pessoal, a do super que vive entre pessoas normais, e que foi também já muito bem aproveitada em histórias como Identidade Secreta e também no ótimo primeiro filme do Super-Homem, aquele com o Cristopher Reeve. Este segundo modelo é também o caminho que segue Superman – O Retorno.

E aí temos toda aquela questão que os fãs chatos sempre reclamam, das mudanças do personagem, da Lois Lane quase casada e com um filho e tudo mais. O fato, no entanto, é que isso tudo funciona muito bem dentro do filme, e ajuda mesmo a dar uma profundidade diferenciada aos personagens e ao roteiro, naquele gênero “super-heróis com coração” que as adaptações para cinema têm tentado seguir pelo menos desde o Homem-Aranha. O filme realmente dá mais atenção a esse lado dramático, embora a parte da ação também esteja muito bem representada – com direito a final apoteótico e simbolismos religiosos.

Os atores não chegam a decepcionar. O Brandon Routh é melhor como Clark Kent do que como Super-Homem, mas de maneira geral está ótimo como ambos; a Kate Bosworth não impressiona muito, mas também não achei ela tão decepcionante (e ela é uma gracinha); o Kevin Spacey é deliciosamente maluco como Lex Luthor, apesar de estar meio solto na trama, como o super-vilão com planos megalomaníacos genéricos de dominação mundial da vez; e o James Mardsen é uma boa surpresa como Richard White, o “outro” da Lois Lane. Os efeitos digitais, no entanto, estão um pouco estranhos e “borrachudos” em alguns momentos, apesar de no geral funcionarem bem.

Enfim, fazem já alguns anos que Superman – O Retorno saiu, e a sua recepção entre os fãs desde então não melhorou muito exatamente. Mas, se eu posso ter uma opinião própria, independente do que outros possam achar, ainda vejo ele como uma produção muito bacana e instigante, a prova da capacidade do diretor Bryan Singer dentro do gênero, e uma grande homenagem à cinessérie original, com direito a dúzias de referências e uma certa participação muito especial. Faltou alguma coisa? Ah, sim, ainda tem o tema musical clássico composto pelo mestre John Williams, que simplesmente não tem preço.

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2 Responses to “Superman – O Retorno”


  1. 1 Alexandre 24/08/2012 às 12:09

    Bom, pessoalmente eu não gostei do Superman – O Retorno. Em termos de homenagem óbvia e ululante, o Superior do Mark Millar me parece uma matéria prima muito melhor pensada. Eu vejo dois problemas graves aqui: o primeiro é que a homenagem gradualmente empareda a história, e temos na prática um remake irritante do primeiro filme. A segunda é que a nível metafórico o filme parece um conto de fadas para mulheres mal casadas. Vamos por partes. Lembre que o filme trata tudo o que estou falando como M-E-T-Á-F-O-R-A, num nível bem emocional para os espectadores! Ninguém transou realmente com ninguém no filme!

    1) Mulher teve um caso tórrido com um garotão no passado (Lois foi apaixonada pelo super homem e voava com ele)
    2) Os dois se separam, ela fica revoltada e passa a odiar o sujeito.(“O mundo não precisa do super-homem”). Mas ela tem um filho que cria sozinha, se casa/vai se casar com um bom homem. Mas ele é só um cara comum, enquanto o outro era o máximo para ela.
    3) O sujeito volta, ainda há um clima entre os dois.
    4) Os dois acabam voltando pra cama (aqui volto a reforçar o sentido de metáfora: Os dois voltam a voar juntos. Reparem na furtividade, no clima entre os coadjuvantes presentes, e o ar de “todo mundo já sacava, o marido é o último a saber”?)
    5) A mulher fica bagunçada. De repente acontece uma catástrofe e o marido salva a pátria. Então ela percebe o quanto ele, um homem comum, é mais importante do que um grande amante de livros de bolso para mulheres.
    6) Ela volta para a vida comum, com a consciência aplacada. O amante, que se descobre o verdadeiro pai do filho dela, se recolhe porque o outro vai ser um bom pai para o garoto, ninguém precisa saber disso – e desarmaria esse arranjo aonde cada um conhece e se sente confortável com seu papel, apesar dos pesares.

    Claro que o super não é o amante da lois. Mas eu vi um subtexto de filme pra tv americana voltado a dona de casa. E não é isso que eu quero ver num filme de super-heróis.


  1. 1 Grandes Astros Superman | Rodapé do Horizonte Trackback em 09/07/2013 às 19:08

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