Astronauta – Magnetar

Acho que o meu maior sonho de infância era ser astronauta. Era o que eu geralmente respondia quando me perguntavam o que você quer ser quando crescer? Olhando em retrospecto, acho que isso influenciou muito da minha personalidade posterior até – o meu interesse por ficção científica e fantasia, minha visão de mundo geralmente mais próxima da ciência do que da religião, e por aí vai. Até hoje uma das poucas coisas que eu ainda perco meu tempo vendo na TV são documentários sobre astrofísica e a ciência espacial, até aqueles bem sensacionalistas com mais efeitos especiais do que informação; e poucas coisas chamam tanto a minha atenção em uma história do que incluir nela de alguma forma viagens espaciais e a exploração dos confins do universo.

Assim, não é difícil imaginar o que despertou meu interesse por Astronauta – Magnetar. Para além disso, é claro que deve-se destacar o fato de ser a primeira graphic novel produzida pela Maurício de Souza Produções, que emprestou um dos seus personagens clássicos para ser reinventado nas mãos de Danilo Beyruth, conhecido por trabalhos premiados como Bando de Dois e Necronauta.

A releitura feita por ele é bastante fiel às características originais do personagem – o seu histórico e personalidade, a saudade da Terra e da Ritinha, o tom reflexivo da história, mesmo o design da sua nave e traje de exploração, apesar de estarem em um traço mais realista, foram minuciosamente respeitados. O encontramos aqui pesquisando um magnetar, um fenômeno magnético que ocorre ao redor de algumas estrelas de nêutrons (estrelas superdensas que podem surgir após uma supernova). Um acidente não calculado, no entanto, faz com que os sistemas da sua nave parem de funcionar, deixando-o preso e incomunicável com a sua base de operações

Após rapidamente estabelecer uma fonte de água e oxigênio através do gelo do cinturão de asteróides onde se encontra, o Astronauta passa a se concentrar em buscar um meio de fugir dessa situação. Há uma sacada narrativa muito interessante para demonstrar a passagem do tempo e a rotina auto-imposta em apenas quatro páginas; e então é hora do mote principal da história: os demônios da solidão, que passam a atacá-lo através de surtos de paranóia e mesmo alucinações.

Se há um ponto negativo, eu achei a história um pouco curta. Em apenas setenta páginas é difícil torná-la tão envolvente quanto foi um Habibi para mim, por exemplo, que possui centenas delas para desenvolver seus personagens e enredos. Mas mesmo assim ela cativa, e faz um trabalho muito eficiente de reimaginar um personagem tão querido dos nossos quadrinhos.

É um ótimo lançamento, enfim, que recomendo para fãs do personagem e histórias espaciais. Aguardo para ver os próximos lançamentos do selo.

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