O Ritual Ancestral do Estouro do Papel-Bolha

ritual-sagrado-bolhaEntre os muitos rituais da cultura tradicional tangamandapiana, está o famoso ritual do estouro do papel-bolha, cuja origem mitológica diz que é oriundo do tempo em que os deuses estavam se mudando de seus mundos originais para Tangamandápio, e grandes quantidades de papel-bolha foram usados para proteger objetos frágeis que vieram para os novos templos dos seus adoradores. Antropólogos, historiadores e bêbados de bar, no entanto, dizem que a real origem da prática vem do contato de Tangamandápio com povos que imigraram ilegalmente para a região séculos atrás, e trouxeram práticas semelhantes que eventualmente foram assumindo características mais adequadas à cultura local até chegar ao presente formato do ritual sagrado do estouro do papel-bolha.

Para entendermos o significado do estouro do papel-bolha na cultura tangamandapiana, precisamos examinar passo a passo como é realizado o ritual.

Primeiramente, o patriarca da família veste a sagrada vestimenta do estouro do papel-bolha, que é feita de plumas de aves-do-paraíso, e unge-se com óleo de girassóis enquanto pinta pelo corpo marcas tribais simbolizando o eterno ciclo de nascimento e morte. Durante todo esse período, os demais participantes do ritual, geralmente criados e membros mais jovens da casa, dançam ritualmente ao redor do patriarca, recitando mantras ancestrais de purificação do corpo e da alma.

Quando a primeira fase do ritual é terminada, o patriarca segura o punhal sagrado com a mão direita, e estoura a primeira bolha enquanto recita o primeiro verso da canção sagrada que conta a história da criação, destruição e recriação eternas do universo. O gesto repete-se durante os versos seguintes, e entre cada um deles os outros participantes do ritual cantam em uníssono a sílaba “ó!”, no ritmo do estouro das bolhas.

Quando o último verso da canção é recitado, o papel é passado pelo patriarca para o primeiro na ordem de importância na sua família, que estoura uma bolha e passa para o seguinte, visando assim espantar os maus-espíritos que assombram a vida familiar. Sempre que o estouro de uma bolha não faz barulho, é sinal de que uma grande calamidade está para ocorrer com aquele que a estourou, de forma que este imediatamente abandona o ritual e a casa, e dirige-se para um período de jejum purificador nas montanhas.

Por fim, quando a última bolha é estourada, aquele que a estourou se dirige ao altar dos espíritos ancestrais da família e realiza o sacrifício simbólico do porco, que, primeiro, deve ser enrolado com o papel-bolha utilizado durante o ritual.

O ritual do papel-bolha tem uma função simbólica muito importante na vida tradicional tangamandapiana. Itsuke-no-Kamiya, em seu livro Magia e Papel-Bolha (no original, Nitsu no Kai-do-Ne), afirma sem rodeios que “o homem tem dentro de sí uma ânsia de ódio e destruição”, e oferece como única esperança de contrabalanceá-la a realização do ritual do estouro do papel-bolha. Nos últimos anos, no entanto, a realização deste ritual ancestral tem se tornado cada vez mais raro entre os jovens tangamandapianos, que tem gradualmente esquecido suas antigas tradições e causado espanto e desgosto crescentes nos mais velhos.

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