Relato de um sábado surreal

Tive uma experiência um tanto peculiar neste último sábado.

sequestro Relato de um sábado surrealTudo começou um pouco antes das sete da manhã, quando fui acordado por um baque forte bem ao lado da minha cama. Ao abrir os olhos, discerni com dificuldade duas figuras encapuzadas adentrando o meu quarto pela janela! Tentei demonstrar alguma reação, mas não tive tempo suficiente – logo eles já haviam me amarrado e posto um saco escuro na minha cabeça, e me levavam de volta por onde vieram.

Fui levado pela rua e jogado dentro de uma espécie de cabine. Logo ela começou a se mover com um ritmo forte e passadas pesadas; era como se eu estivesse sendo carregado por um elefante indiano. Sem poder enxergar, minhas únicas pistas sobre meus captores vinham de pedaços de conversas que pegava entre eles. Falavam algo sobre uma caixa fantástica onde haveria um mapa ricamente ilustrado, e também de algum tipo de código élfico a ser revelado nos próximos meses.

Algum tempo de viagem depois, percebi que eles próprios começavam a discutir sobre o caminho que seguiam. Não pareciam saber exatamente aonde iam; um, aparentemente o que guiava o veículo, ainda comentou sobre um golpe que recebera no olho em um treinamento marcial. Além de ter sido sequestrado, ainda estava perdido!

feevale Relato de um sábado surrealApesar dos contratempos, chegamos eventualmente ao nosso destino. Apenas quando já estávamos lá o meu capuz foi retirado, e pude ver que havia outra vítima além de mim. Também pude ver aonde haviam nos levado: uma espécie de base secreta de alta tecnologia, onde programas e softwares ultra-secretos eram produzidos. Encontramos com outras pessoas que também haviam sido sequestradas, e ouvimos a razão de termos sido levados até lá.

Havíamos sido sequestr… Digo, selecionados entre diversos candidatos para fazer um playtest do jogoTormenta: O Desafio dos Deuses, que se encontra em fase de financiamento coletivo através do site Catarse.me. O jogo que jogaríamos, fomos logo avisados, não se tratava nem de perto do produto final, mas sim de um protótipo, uma pequena demonstração e teste prático daquilo que pretendiam realizar. Entre outras coisas, haveria apenas um dos protagonistas anunciados disponível para jogar, o bárbaro loiro.

Após esta introdução fomos levados às máquinas onde o testaríamos. O jogo em si consistia de três fases simples, todas ambientada no Forte Amarid durante a batalha contra a Tormenta. Começávamos nos andares inferiores; seguíamos então para a sala das bandeiras; e terminávamos o jogo nas muralhas do forte, em meio à chuva ácida que descia sobre a batalha.

Os comandos eram simples – além dos movimentos, um botão para atacar, um para defesa, um para pular e um para realizar um ataque especial -, e o fato de se tratar ainda de um protótipo podia ser percebido pela dureza de alguns deles, em especial o ataque especial que às vezes demorava para ser realizado. Mesmo assim, eram o suficiente para o que o jogo se propunha – um beat ‘em up, à lá Final FightGolden Axe e tantos outros clássicos, em que à medida em que avançávamos na fase éramos frequentemente cercados por inimigos a despachar com golpes da nossa espada.

Achei interessante a quantidade de detalhes na concepção e nos gráficos, demonstrando um cuidado em mostrar serviço mesmo se tratando de um protótipo. Os cenários internos eram marcados por manchas de sangue, enquanto na fase da muralha havia espinhos rubros e outras marcas da presença da Tormenta. Neste último estágio, uma chuva ácida também constantemente reduzia a sua energia, tornando-o o mais difícil dos três, e no final, após as hordas de cultistas, você enfrentava também o seu primeiro demônio lefeu.

No geral achei a experiência bastante interessante, e fiquei com a minha curiosidade bastante atiçada para vê-lo em sua versão definitiva.

tormentadesafio Relato de um sábado surreal

Ao fim do teste, fomos levados individualmente para uma outra sala, onde éramos colocados em uma cadeira com uma luz forte sobre nosso rosto, e éramos interrogados por uma silhueta escura sentada atrás dela ao lado de uma câmera de gravação.

– O que você achou do jogo?

– O que você achou dos gráficos?

– O que você acha que poderia melhorar?

Após uma longa bateria de perguntas como estas a silhueta pareceu enfim ficar satisfeita, e fez um sinal para alguém que estava atrás de mim. Antes que pudesse reagir senti uma pancada na nuca, e tudo ficou escuro.

Acordei em frente à loja matriz da Jambô no centro de Porto Alegre. Ainda um pouco atordoado, sem saber bem o que fazer, decidi aproveitar para entrar e comprar o meu exemplar de Guerra dos Tronos RPG. Então fui até o terminal de ônibus e voltei para casa.

Relato inteiramente verídico, exceto pelas partes inventadas.

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