A Revolta das Coxinhas

coxinhaA padaria entrou em alvoroço quando as coxinhas se revoltaram. De uma hora para outra todas se recusaram a cumprir com seus deveres e começaram a organizar piquetes nas estufas. Sequer podiam ser cozinhadas: a receita poderia ser seguida à risca, acompanhada por chefs renomados, e ainda assim saíam errado. Haviam, ainda, as vândalas, coxinhas mau intencionadas que, se se permitiam ser cozinhadas, queimavam a língua e a boca dos clientes na primeira oportunidade.

Diziam que era uma revolta contra tudo aquilo que estava ali. Protestavam contra os serviços de tele-entrega, que não eram confortáveis, as caixas não eram adequadamente ventiladas, e além de tudo ainda cobravam absurdos seis reais como taxa de entrega. A situação das estufas, então, era deplorável: sucateadas, velhas, caindo aos pedaços. A cozinha não era melhor – suja, sem as mínimas condições higiênicas, e, o pior, ainda foi anunciado que a padaria pretendia contratar chefs estrangeiros para preparar os pratos.

Os outros lanches, na verdade, haviam se antecipado a essa revolta. O protesto contra a tele-entrega havia começado entre os pães de queijo. As empadas também já possuam muitas reivindicações em pauta, como a melhora das condições das estufas e das cozinhas. E os croissants, trazendo seus conhecimentos teóricos da gastronomia francesa, também se juntaram à luta. Mas todos se entreolharam abismados quando as coxinhas se juntaram a eles.

A revolta começou a perder momento. Com a força com que as coxinhas tomavam o movimento, os demais passaram a questionar suas posições, e refletir sobre pelo que estavam realmente lutando. Teorias conspirarias começaram a surgir. No fim, ninguém queria era se misturar com lanches tão simplórios como as coxinhas, sem todo o refinamento e técnica adquirido em workshops e cursos superiores, e nem gastar o tempo necessário para aprimorá-las e melhorá-las.

E assim sobraram apenas as coxinhas nos protestos, que foram prontamente eliminadas do cardápio. O que ninguém lembrava é que, simplórias que fossem, elas eram também os lanches mais populares e que mais vendiam entre os clientes. Sem a sua principal receita, a padaria foi rapidamente à falência e fechou.

2 Responses to “A Revolta das Coxinhas”


  1. 1 Ana Carolina Silveira 24/06/2013 às 21:31

    Essa é a foto mais indecente colocada no blog em todos os tempos😛 (e o final do conto é uma realidade que as pessoas teimam em não ver)

  2. 2 Pedro Godeiro 24/06/2013 às 21:44

    Mas quantas padarias existem? Se só existe uma seria impossível ela fechar, não? Afinal, todos teriam que comer lá… Mas, ao mesmo tempo, se existissem outros locais possível que vendam alimentos, eles aguentariam a superlotação pelo fechamento da padaria? Achei complicada a comparação…


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