Grandes Astros Superman

grandes-astros-supermanJá é repetitivo falar isso, mas realmente não considero o Super-Homem um dos meus personagens favoritos. Como explicar, no entanto, que sempre que me coloco a escrever resenhas sobre alguma história dele, acabo elogiando exageradamente, mesmo quando aparentemente vou contra a opinião corrente a respeito?

Bom, meu chute é que tenha a ver com o fato de que eu realmente seleciono aquilo que leio sobre ele – afinal, como bem disse Alan Moore certa vez, não existem personagens ruins, o que existem são roteiristas ruins. E realmente, é preciso um roteirista inteligente para entender o que torna o Super-Homem o símbolo que ele é, e conjugar isso tudo em um roteiro eficiente e cativante; mas, quando aparece alguém assim, é difícil não sair dali algo menos que uma obra-prima. Gente como Kurt Busiek é capaz disso. E gente como Grant Morrison também, como mostra Grandes Astros Superman.

Começo pelo argumento geral da história, que consegue tirar leite de pedra em apresentar uma história que realmente nunca foi contada – a história da morte do Super-Homem. Mas não a morte épica, como apresentada naquela ultra-saga da década passada, e sim a morte humana, comum, “morrida.” Não se trata de saber o que o mundo faria ao perder o seu maior herói, mas sim do que esse próprio herói faria ao descobrir que o fim é próximo e inevitável. Capítulo a capítulo, então, vemos o Super se preparando para esse momento, resolvendo aqueles assuntos pessoais pendentes e lidando com fantasmas passados. Cada edição apresenta um episódio fechado dessa preparação, que lida com o ícone do Super-Homem sob diferentes aspectos, naqueles que depois serão chamados “os doze trabalhos do Super-Homem”.

É realmente impressionante como o roteiro consegue lidar com toda a tralha de décadas e décadas de roteiros enfadonhos sem perder o compasso, das kryptonitas coloridas a Krypto, o super-cão – pois trata-se, aqui, do Super-Homem clássico, aquele da Era de Prata e tudo mais. Morrison consegue utilizar tudo isso realmente como apoio para a história que está sendo contada, sem nunca torná-los uma justificativa para o roteiro em si; consegue até mesmo criar ótimas deixas para tirar sarro desses elementos mirabolantes que eram comuns em certa épocaé dos quadrinhos de super-heróis.

E, claro, também não se pode deixar de comentar o trabalho do desenhista Frank Quietly. Ainda que sem um traço exuberante ou virtuoso, o trabalho de ilustração é perfeito, recheada de boas sacadas narrativas e, principalmente, com um trabalho de expressão anatômica muito destacado, principalmente nas diferenças de postura e expressão entre o Super-Homem e o alter-ego Clark Kent.

Enfim, Grandes Astros Superman é o tipo de série que justifica a existência de um personagem. Talvez não seja todo mundo que realmente o aprecie, claro; quem espera um Smallville em quadrinhos, por exemplo, vai achar uma boa dose de elementos estranhos, bem como alguém que espere algo mais na linha do Super pós-John Byrne (que também é bom nos seus próprios termos, claro, de um jeito diferente). Mas eu, pelo menos, apreciei bastante cada edição.

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