Réveillon

ano_novo1– Vou virar o ano de amarelo. – disse Manoela. – Quero muito dinheiro em 2014!

– Hahah, eu também! – respondeu a amiga, tomando um gole de espumante na taça de cristal.

Para onde quer que olhassem, o mesmo: camisas amarelas, calças amarelas, saias amarelas, e até naquelas que o vento levantava, calcinhas amarelas. Todos queriam dinheiro e prosperidade no ano novo.

E, de fato, conseguiram. Apenas nos primeiros meses do ano, seus rendimentos triplicaram. Manoela, antes uma simples vendedora de sex shop, foi promovida a gerente, e logo pedia demissão para começar o próprio negócio. 2014 era o seu ano dos sonhos, e também de todos aqueles que conhecia.

Logo, no entanto, o mercado começou a reagir ao grande influxo de dinheiro que estava recebendo. Com as pessoas com mais dinheiro para gastar, os vendedores também aumentavam os preços dos seus produtos, sob risco de vê-los se esgotarem nas lojas. A inflação, que fora mantida sob controle a duras penas nos anos anteriores, disparava a cada mês.

Na metade do ano já havia atingido o seu recorde histórico, superando mesmo o período hiperinflacionário de duas décadas antes. Ministro atrás de ministro da fazenda era demitido; revistas semanais gritavam pela renúncia ou o impedimento da presidenta, e o pedido ecoava pelas ruas tomadas pelos novos miseráveis gerados pelo caos econômico.

No réveillon seguinte Manoela mal teve tempo de desejar alguma coisa. Estava ocupada demais pedindo esmolas no sinal trânsito da cidade onde morava.

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Sob um céu de blues...

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@bschlatter

  • Faço greve há anos na educação pública, e é triste fazer uma greve que não afeta ninguém que importa pro jornal nacional. 0 minutes ago
  • É óbvio que greve prejudica. Uma das razões dela é mostrar o que acontece quando trabalhadores não veem razão pra trabalhar. 1 minute ago
  • No jornal do almoço: "a gente queria falar das razões da greve, mas como se tem gente prejudicada?" E por que não falar das duas coisas? 5 minutes ago
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