Arquivo de agosto \08\UTC 2014

Guardiões da Galáxia

guardians_of_the_galaxy_ver2_xlgMesmo que a minha ciência de profissão seja uma mais mundana, eu sou realmente fascinado pelo espaço e a astronomia. Quando criança mesmo sonhava mesmo em ser astronauta, como já comentei em outro momento. Acho que em grande parte é porque cresci vendo as space operas oitentistas – você sabe, desde a trilogia original de Guerra nas Estrelas (antes de os produtores nos obrigarem a chamá-la Star Wars também em países não anglófonos), bem como outros que hoje são um tanto mais cult, como O Último Guerreiro das Estrelas ou o trashíssimo Krull (sem entrar, é claro, nos animes como Robotech/Macross e os filmes do Capitain Harlock). Por isso, poucas coisas me deixavam mais chateados do que passar tanto tempo sem ter uma história realmente boa do gênero, uma vez que nova trilogia Star Wars não é exatamente um grande primor de narrativa, e (um pouco envergonhado) vou confessar que ainda não vi nenhum dos dois filmes de Star Trek recentes. No máximo, acho que temos os jogos da série Mass Effect, muito embora se trate também de outra mídia.

E então temos Guardiões da Galáxia, novo filme do universo cinematográfico da Marvel. Em tese poderíamos considerá-lo mais um filme de super-herois, com personagens de poderes extraordinários, vilões cósmicos e todo o resto; no entanto, ele realmente se esforça para levar mais a sério a sua herança das space operas, o que acaba influenciando muitas das mudanças que faz com relação ao material original. Trata-se de uma aventura espacial como já não se fazia mais, com ênfase na diversão e na fantasia mas sem deixar de ser séria e ter seus momentos dramáticos desde o prólogo, com personagens carismáticos e com os quais você  aprende realmente a se importar – mesmo que entre eles estejam uma árvore andante e um guaxinim falante.

Vou confessar aqui que, apesar de ter sido um marvete na maior parte da minha vida nerd, não conheço muito das histórias do grupo – a sua primeira aparição foi muito antes de eu nascer, e a encarnação mais recente da qual o filme é adaptado foi lançada anos depois de eu encher o saco e desistir de acompanhar séries de quadrinhos regulares. Acho todo o universo espacial Marvel muito legal, mas conheço pouco mais do que o que foi mostrado nas mega sagas como a Trilogia do Infinito (justamente, aliás, a que começou a ser armada desde a famosa cena pós-créditos de Os Vingadores, e que segue desenvolvida pelo McGuffin escolhido para mover o enredo deste aqui); por isso, talvez tenha sido mais fácil para mim relativizar as mudanças do material original aqui do que foi em outros casos. A única coisa que doeu um pouco foi ver a Tropa Nova se tornar meros pilotos de caças – mas no fundo talvez tenha sido uma mudança necessária mesmo para ajudar a estabelecer o universo como de ficção científica antes do que de super heróis espaciais.

Em todo caso, a verdade é que você teria mesmo que ser um tanto chato demais para se incomodar com fidelidade à fonte quando se tem um filme tão carismático e divertido de assistir. Os atores estão impecáveis – bom, com uma exceção, talvez, achei a atuação de Dave Bautista tão literal e vazia quanto parece ser a mente do seu personagem; por outro lado, Vin Diesel parece ter encontrado o seu personagem perfeito na árvore andante Groot e a única frase que ela é capaz de falar. Há também uma boa desculpa narrativa pra que a trilha sonora seja feita apenas de clássicos dos anos 1970 e 1980, economizando orçam… Digo, ajudando a criar um clima leve e divertido e dando mote para boas piadas e tiradas do protagonista em muitos momentos.

Muitas das seqüências do filme já nasceram clássicas. A fuga da prisão armada pelo Rocket Raccoon é perfeita. E toda a cena inicial do Starlord nas ruínas é ótima, com referências algo mais do que sutis a’Os Caçadores da Arca Perdida, e usando o recurso do 3D como poucos filmes conseguiram para causar maravilhamento – infelizmente, no entanto, no resto do filme esse recurso parece ser esquecido, e não há nenhuma outra cena em que a sensação de profundidade faça qualquer diferença.

No fim, Guardiões da Galáxia é um filme muito legal, divertido e com o carisma que já se tornou a grande marca dos filmes da Marvel Comics. Com o sucesso que tem tido, é bem capaz que consiga sozinho a façanha de transformar um grupo de personagens de segundo escalão nas novas estrelas da editora. No fundo, no entanto, acho que pra mim o que mais valeu foi me remeter à minha formação na ficção científica cinematográfica, e resgatar um pouco daquele garoto de oito anos que imaginava os mundos que podiam existir entre as estrelas.

Medieval Festival II

medievalNo último sábado aconteceu, no Parque de Eventos de Charqueadas, Rio Grande do Sul, o segundo Medieval Festival organizado pela produtora Epic! Festivals. Por algumas horas os participantes puderam se divertir, embebedar e brincar de estar em uma (quase) autêntica festa medieval, com direito a bastante comida, bebida e atrações típicas.

Estive lá, apesar das dificuldades de arranjar uma roupa que lembrasse vagamente o período retratado – uma das condições para a entrada no evento era vestir roupas típicas, ou que pelo menos enganassem bem. Como sou, er, grandinho, digamos assim, tive que recorrer a um costureiro para preparar uma pseudo-túnica; felizmente o critério de autenticidade não era lá muito rigoroso, e entre um e outro participante mais à caráter podiam-se de distinguir facilmente alguns tênis de marca e calças jeans.

Do lado de dentro, a boca e o copo eram livres, de forma que fui preparado para ter uma senhora ressaca no dia seguinte. O vinho disponível, no entanto, não era muito bom, bem como o chope. Acho que estou ficando velho e me acostumando demais com bebidas de boa qualidade; no fim das contas, passei o dia na base da água e do suco mesmo. Mas a maioria dos demais participantes não teve problema com isso, fazendo filas para repor seus copos.

As comidas, pelo menos, estavam muito boas. No começo do evento haviam duas mesas repletas de frutas e pães artesanais com geléias e frios, todos muito saborosos. No meio da tarde tivemos salsichão com pão; mais para o fim do dia, um panelão de sopa; e à noite, churrasco de costela, ovelha e galeto. Parece ainda que o ponto em que os organizadores foram mais irredutíveis na sua busca de autenticidade foi justamente na ausência de talheres.

Nenhuma festa medieval estaria completa, é claro, sem competições, tanto para os diversos clãs que se inscreveram previamente até as abertas a todos os participantes. Corridas de tronco, arquearia, arremesso de lança e machadinhas… Participei (sem muito sucesso) do arremesso de gnomos, que para minha decepção eram apenas tocos de madeira.

O mote para o evento seria um casamento entre duas dinastias rivais – uma de origem viking, a outra saxã -, que estariam unindo seus filhos para selar a paz entre os povos. Próximo às nove da noite, todos se reuniram na área central para a premiação dos vencedores dos torneios e assistir à encenação do evento, que teve desenvolvimentos trágicos. Por fim o pai do noivo chamou a banda, e fomos todos para a festa final, com direito a danças típicas e um show bastante inspirado do grupo The Irish Fellas.

De maneira geral, foi um evento muito divertido, apesar de alguns problemas menores de organização. Em especial, houve um longo período sem muita coisa para fazer entre o fim dos torneios e o casamento, o que fez com que as pessoas perdessem o pique, levando mesmo a algumas confusões menores entre alguns participantes devido ao alto consumo de álcool. Mesmo assim, foram coisas pequenas, que facilmente se consertam em uma próxima edição. Saí de lá com uma garrafa de hidromel Alfheim (apesar de que vou admitir gostar mais da Valhala Blut, que infelizmente não tinha estante no evento) e uma tarde e noite de sábado bem aproveitados. Fica a recomendação para quem quiser algo diferente para fazer que acompanhe a página da produtora esperando a próxima edição.

(Numa nota final, não sou fotógrafo nem tenho cara de pau suficiente para roubar fotos particulares no Facebook. Mas você pode ver fotos do evento na própria página dele, bem como na reportagem feita pelo ClicRBS, de onde eu tirei a foto de capa só pra não ficar chato demais também).


Sob um céu de blues...

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