Pacific Rim – Tales From Year Zero

Pacific_Rim_Tales_from_Year_ZeroAcho que não preciso falar mais de como me apaixonei por Pacific Rim / Círculo de Fogo logo à primeira assistida. Talvez não seja o filme perfeito em todos os menores detalhes, com um ou outro buraco de roteiro ou desenvolvimento de personagem que poderia ter sido mais trabalho… Mas francamente, quem se importa com isso quando você tem um robô gigante batendo com um barco em um monstro do mesmo tamanho? E não também que o filme não seja nada além de pornografia para nerds, claro – há sim um bocado de coisas legais para ver nele além da simples (e, na minha nem tão modesta opinião, satisfatória em si mesma) pancadaria colossal.

Uma dessas coisas é todo o universo que o filme sugere existir além do que foi apresentado nesta história. É possível ver isso em todos os jaeger e kaiju que recebem nomes e são meramente mencionados, nas tatuagens do cientista interpretado por Charlie Day sugerindo uma espécie de kaijumania apesar de toda a destruição que causam, no mercado negro administrado por Ron Perlman, e em um punhado de outros pequenos detalhes e pormenores que passam rapidamente por uma cena ou outra; é um universo em que você tem vontade de mergulhar, jogar campanhas de RPG (e teria também de jogar videogame, se o jogo correspondente não fosse melhor deixar esquecido), e o que mais for possível. Na verdade, você tem mesmo a impressão de que o filme é um pouco como uma história de origem, que conta apenas o primeiro episódio do que poderia ser uma saga bem maior – o ato final mesmo, com aquela correria para explodir a fenda dimensional que traz os monstros gigantes para o nosso mundo, rola um pouco como overkill, com o papel único de oferecer uma resolução final que não necessite (mas também não necessariamente exclua) uma seqüência direta.

A graphic novel Pacific Rim: Tales From Year Zero tenta explorar um pouco mais deste universo, funcionando como uma introdução ao mundo do filme. Usando como deixa uma repórter que entrevista certos personagens chave a respeito do começo da invasão dos monstros e dos projetos de construção dos jaeger, ela resgata um tanto da história não contada na tela grande, bem como aprofunda um pouco mais certos personagens que vemos apenas de relance na trama maior. São três pequenos contos que resgatam o início da invasão dos monstros, o desenvolvimento dos primeiros jaeger, e o começo da carreira de certos personagens importantes para o filme.

Um dos pontos que achei mais interessante é notar como a pilotagem dividida, com dois pilotos que devem entrar em conexão neural para movimentar o jaeger, é bastante explorada. O diretor Guillermo del Toro sempre destacou em entrevistas antes do lançamento como foi este elemento que o fez acreditar de vez no projeto, por tornar possível que uma história sobre robôs combatendo monstros gigantes subitamente se tornasse também uma história sobre relacionamentos; mas a verdade é que, mesmo que bastante usada para mover o enredo e desenvolver personagens, ela acaba ficando bastante obscurecida atrás dos, bem, combates entre robôs e monstros gigantes. Aqui, no entanto, o conceito é explorado com mais profundidade, e você é capaz de ver como a conexão, mais do que fazer o robozão correspondente andar, une e separa os seus pilotos, e modifica os seus relacionamentos entre si e com as outras pessoas.

Não vou dizer que seja uma graphic novel imperdível, ou que as histórias sejam especialmente tocantes e envolventes. É um volume bastante curto, afinal – apenas 112 páginas -, e ainda divide este espaço entre três relatos distintos. Por isso, não funciona exatamente como um produto independente, mas, como acessório ao filme, cumpre muito bem o seu papel, e traz um pouco mais de camadas e elementos para quem já estava cativado pelo seu universo.

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