Sobre os ossos dos mortos, de Olga Tokarczuk

Agora, confiante de que as casas voltaram para a guarda de seus proprietários, podia caminhar cada vez mais longe. Continuava chamando essas escapadas de rondas. Alarguei meu domínio como uma loba solitária. Ficava aliviada ao deixar para trás a visão das casas e da estrada. Adentrava a floresta e podia vaguear, sem parar, no meio dela. Imersa em silêncio, a floresta se tornava um enorme e aconchegante abismo no qual eu podia me esconder. Acalmava meus pensamentos. Nessas horas não precisava esconder a mais problemática de minhas moléstias – o choro. Lá, as lágrimas podiam fluir, limpando os olhos e melhorando a vista. Talvez esse fosse o motivo pelo qual eu enxergava mais do que as pessoas com olhos secos.

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