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The Thrill Is Gone…

R. I. P.

R. I. P.

2014 tá um ano bem difícil…

Medieval Festival II

medievalNo último sábado aconteceu, no Parque de Eventos de Charqueadas, Rio Grande do Sul, o segundo Medieval Festival organizado pela produtora Epic! Festivals. Por algumas horas os participantes puderam se divertir, embebedar e brincar de estar em uma (quase) autêntica festa medieval, com direito a bastante comida, bebida e atrações típicas.

Estive lá, apesar das dificuldades de arranjar uma roupa que lembrasse vagamente o período retratado – uma das condições para a entrada no evento era vestir roupas típicas, ou que pelo menos enganassem bem. Como sou, er, grandinho, digamos assim, tive que recorrer a um costureiro para preparar uma pseudo-túnica; felizmente o critério de autenticidade não era lá muito rigoroso, e entre um e outro participante mais à caráter podiam-se de distinguir facilmente alguns tênis de marca e calças jeans.

Do lado de dentro, a boca e o copo eram livres, de forma que fui preparado para ter uma senhora ressaca no dia seguinte. O vinho disponível, no entanto, não era muito bom, bem como o chope. Acho que estou ficando velho e me acostumando demais com bebidas de boa qualidade; no fim das contas, passei o dia na base da água e do suco mesmo. Mas a maioria dos demais participantes não teve problema com isso, fazendo filas para repor seus copos.

As comidas, pelo menos, estavam muito boas. No começo do evento haviam duas mesas repletas de frutas e pães artesanais com geléias e frios, todos muito saborosos. No meio da tarde tivemos salsichão com pão; mais para o fim do dia, um panelão de sopa; e à noite, churrasco de costela, ovelha e galeto. Parece ainda que o ponto em que os organizadores foram mais irredutíveis na sua busca de autenticidade foi justamente na ausência de talheres.

Nenhuma festa medieval estaria completa, é claro, sem competições, tanto para os diversos clãs que se inscreveram previamente até as abertas a todos os participantes. Corridas de tronco, arquearia, arremesso de lança e machadinhas… Participei (sem muito sucesso) do arremesso de gnomos, que para minha decepção eram apenas tocos de madeira.

O mote para o evento seria um casamento entre duas dinastias rivais – uma de origem viking, a outra saxã -, que estariam unindo seus filhos para selar a paz entre os povos. Próximo às nove da noite, todos se reuniram na área central para a premiação dos vencedores dos torneios e assistir à encenação do evento, que teve desenvolvimentos trágicos. Por fim o pai do noivo chamou a banda, e fomos todos para a festa final, com direito a danças típicas e um show bastante inspirado do grupo The Irish Fellas.

De maneira geral, foi um evento muito divertido, apesar de alguns problemas menores de organização. Em especial, houve um longo período sem muita coisa para fazer entre o fim dos torneios e o casamento, o que fez com que as pessoas perdessem o pique, levando mesmo a algumas confusões menores entre alguns participantes devido ao alto consumo de álcool. Mesmo assim, foram coisas pequenas, que facilmente se consertam em uma próxima edição. Saí de lá com uma garrafa de hidromel Alfheim (apesar de que vou admitir gostar mais da Valhala Blut, que infelizmente não tinha estante no evento) e uma tarde e noite de sábado bem aproveitados. Fica a recomendação para quem quiser algo diferente para fazer que acompanhe a página da produtora esperando a próxima edição.

(Numa nota final, não sou fotógrafo nem tenho cara de pau suficiente para roubar fotos particulares no Facebook. Mas você pode ver fotos do evento na própria página dele, bem como na reportagem feita pelo ClicRBS, de onde eu tirei a foto de capa só pra não ficar chato demais também).

Caçando Carneiros, de Haruki Murakami

a-wild-sheep-chaseEu tinha vinte e nove anos. Dentro de seis meses, daria adeus à casa dos vinte. Uma década vazia. Nada do que eu conquistara tinha valor, nada do que eu realizara tinha sentido. Tédio era tudo o que eu obtivera.

(Caçando Carneiros, Haruki Murakami)

R. I. P.

Nihongi

nihongi[1 d.C.] 30º ano, primavera, 1º mês, 6º dia. O Imperador chamou Inishiki no Mikoto e Oho-tarashi-hiko no Mikoto, dizendo: “Cada um de vocês diga alguma coisa que gostaria de ter.” O Príncipe mais velho disse: “Eu gostaria de ter um arco e flechas.” O Príncipe mais novo disse: “Eu gostaria de ter a Distinção Imperial.” Então o Imperador mandou, dizendo: “Que o desejo de cada um de vocês seja concedido.” Então um arco e flechas foi dado a Inishiki no Mikoto, e um decreto foi endereçado a Oho-tarashi-hiko no Mikoto, dizendo: “Você será o sucessor da Nossa Distinção.”

(Nihongi, também chamado Nihon Shoki, “Crônicas do Japão,” é o segundo livro mais antigo da literatura japonesa, que conta a história do país desde a criação do mundo até aproximadamente o começo do século VIII d. C. O trecho teria acontecido durante o reinado do 11º Imperador do Japão, Suinin).

Eu… Nem sei o que comentar.

Trechos

Trechos de coisas aleatórias que eu tenho feito, mas não tenho conseguido me empolgar pra terminar/publicar. Às vezes pondo aqui e tendo algum feedback (hahah) eu me animo, vai saber.

1.

Em um manto de pura escuridão
Vem a mim
A dama da morte.

 Kaneda Shimaru tossiu e levou a mão à boca para proteger o caderno de haiku. Estava ajoelhado, vestindo um quimono simples. Olhou por um instante para a própria mão e a limpou com um pano de seda, então o dobrou com cuidado e colocou o tecido branco coberto de manchas vermelhas sobre o chão. Uma contração na orelha esquerda, arredondada na base e pontuda como uma folha, o fez levantar o olhar instantes antes de a porta de entrada para o quarto se abrir.

Samurai!

A voz pertencia a uma moça jovem de rosto delicado e olhar suplicante. Cobria o corpo com um vestido fino de tecidos escuros. Ao perceber o olhar do elfo, tocou no par de tiras que o prendiam nos ombros, soltando-as e deixando-o cair sobre o chão.

Kaneda se levantou. A moça se aproximou devagar, deixando o vestido para trás, como se convidasse o samurai a observar o seu corpo se mover ao caminhar. Próxima o bastante, virou o rosto para cima e o encarou em um pedido sem palavras, os lábios tremendo em antecipação.

Um corte na respiração e os olhos arregalados revelaram o espanto. Kaneda havia atravessado o seu ventre com a espada, deixando o sangue respingar sobre o chão. Um movimento para retirá-la e o corpo inerte da jovem desabava em um baque surdo.

Quase ao mesmo tempo uma porta lateral se abriu, revelando uma elfa de cabelos púrpuras em uma armadura delicada segurando uma jovem pelo rosto e cobrindo a sua boca com a mão. Ao lado, outro samurai em armadura completa também observava o ocorrido.

– O quê…? – disse a jovem assim que a boca foi descoberta.

Kunoichi. – respondeu Kaneda. – Um beijo dela arderia com algo mais do que paixão.

Olhou para a espada e viu o sangue escuro borbulhando como ácido. No chão, a pele da jovem começava a derreter, revelando o desenho intrincado de veias e artérias.

– Vamos. Temos que sair daqui.

O elfo limpou a espada com um movimento, e os quatro seguiram em silêncio pelo corredor e para fora da estalagem. Buscaram seus cavalos no estábulo e então partiram na escuridão da noite.

2.

Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! – um uivo distante ecoava pela noite, atravessando becos e ruelas estreitas. A ele se juntava o som de pés correndo sobre poças d’água – tap, tap, tap -, enquanto uma jovem surgia da escuridão, dobrava uma esquina e seguia adiante em velocidade. Um par de seios volumosos balançava a cada passada, pouco ocultos sob a camisa branca molhada pela chuva; no rosto, a pele escura se contorcia para manter a boca aberta, ofegante, e os olhos arregalados.

Atrás dela vinha um grande morcego, os olhos vermelhos brilhando na escuridão, voando um par de metros acima do chão. A moça corria, mas ele era mais rápido: logo já estava sobre ela, a apenas uma batida de asas de tocá-la com suas presas. Ao se virar e vê-lo tão próximo, a jovem se desequilibrou e caiu sentada no chão.

O morcego diminuiu a velocidade e se aproximou, se deixando envolver por uma névoa púrpura. Por trás dela era possível ver a sua sombra mudando de forma, as patas se alongando, as asas afinando; quando a névoa se dissipou não era um morcego que revelava, mas um homem alto e magro, com o porte de um nobre, envolto por uma capa negra com gola alta. Seu rosto era redondo e pálido, coberto de rugas e outras marcas da idade, com olhos vermelhos brilhantes e um sorriso largo que deixava a mostra um par de caninos longos e afiados.

Caminhou vagarosamente até a moça, como que saboreando cada segundo, deixando seus passos ressoarem pela rua. Ela tremia e o fitava com pavor; ele salivava enquanto respirava, sentindo o aroma do medo. Quando chegou perto o bastante, esticou o braço para agarrá-la, ao mesmo tempo em que abria a boca e posicionava o rosto para aproximá-lo do pescoço. Já podia quase sentir a textura da sua pele, os dedos escorregando no suor, quando foi subitamente atingido por um spray de gás amarelado.

O vampiro recuou e levou as mãos aos olhos, que ardiam e lacrimejavam. A jovem se levantou, largando a lata do spray no chão, e acertou um chute entre as pernas, fazendo-o se encolher; em seguida, se colocou em posição de defesa, os punhos erguidos em frente ao peito, então o agarrou pelo braço e o torceu para trás, forçando-o contra as costas.

– Quem é que tá com medo agora, hein? Seu velho tarado! Filho da p… – o vampiro não terminou de ouvir, pois já se deixava cobrir novamente pela névoa púrpura e voltava à forma de morcego, se libertando da captora e voando em direção ao luar.

Seguiu em uma trajetória irregular, ainda atordoado pelo efeito do gás, se batendo entre telhados e paredes altas, sobrevoando a cidade até uma velha mansão na beira de um penhasco. Entrou por uma janela aberta no andar mais alto, percorreu corredores parcamente iluminados por velas em candelabros, desceu um par de escadarias até os andares mais baixos, e enfim chegou a um grande salão, onde se converteu novamente em homem e se deixou cair sobre uma poltrona estofada.

3.

Podemos incluir a ficção científica, ou FC, em uma visão semelhante, embora voltada para o tempo oposto – o futuro. Grosso modo, podemos dizer que ela expressa o imaginário científico de uma determinada época. É possível buscar suas raízes desde o gênero das histórias gregas das “ilhas bem-aventuradas”, passando por obras renascentistas de cunho social, que poderiam ser interpretadas, de certa forma, como exercícios de ficção científica social, muitas vezes consideradas como obras de “proto-FC.” É a partir do século XIX, no entanto, especialmente com nomes como Júlio Verne e H. G. Wells que a ficção científica passa a tomar suas formas mais contemporâneas, tendo como característica principal “uma extrapolação dos efeitos humanos de uma ciência extrapolada (…).”

Nesta visão extrapolada da ciência, predominou durante algum tempo uma espécie de otimismo positivista no progresso do conhecimento. Tal otimismo, é claro, está relacionado ao próprio contexto do período, o chamado “século da ciência,” onde havia de fato uma crença em uma evolução contínua da humanidade e da tecnologia. Mesmo autores que possuíam visões menos brilhantes, como o britânico H. G. Wells, aquiesciam de certa forma a estes paradigmas, e mesmo que obras como A Máquina do Tempo apresentassem prognósticos bastante sombrios para o futuro último da humanidade, em última instância havia, ainda, uma crença subjacente na própria ciência e na tecnologia.

Isso passou a mudar, no entanto, a partir das décadas de 30 e 40 do século XX, quando passou a predominar na FC ocidental uma visão pessimista e apocalíptica do progresso científico. Sobre esta mudança de comportamento, destacou Muniz Sodré:

A I Guerra Mundial veio a marcar uma nova etapa da história da catástrofe humana: a partir daí, a capacidade técnica, que implica na capacidade de desgastar o inimigo, predomina sobre o engenho estratégico dos generais. A mais-valia operária canaliza-se para a empresa da morte. A indústria, as fábricas, passam à vanguarda das batalhas. Os cientistas aplicam em experiências com gases, petardos e bactérias mortais. A II Grande Guerra confirma a tendência: guerra, técnica e capital são agora a mesma coisa. Na fronteira polonesa, em 39, a carga quixotesca de cavaleiros armados de sabres e fuzis contra os blindados de Hitler oferece uma imagem do choque de dois tempos (…)
Por sua vez, o progresso técnico (e o progresso científico) associa-se estreitamente à empresa da guerra, já que o Estado tecnicamente mais forte é o mais poderoso no campo das armas.

A partir de então, passa a proliferar, na FC, visões distópicas sobre o futuro, especialmente no ocidente capitalista. É o uso da ciência na guerra que causa essa mudança no imaginário científico, tornando comum temas como o cataclisma nuclear e as mutações em seres vivos geradas por radiação.

4.

O mesmo golpe. Dizem que um golpe não funciona duas vezes contra o mesmo cavaleiro. A partir do 2º nível, toda vez que for atacado com um talento, habilidade de classe, habilidade especial ou magia com que já foi atacado antes pelo mesmo oponente, o cavaleiro recebe um bônus de +1 na CA e +2 em quaisquer testes de resistência necessários.

Esse bônus aumenta para +2/+4 no 10º nível, e +3/+6 no 18º nível.


Sob um céu de blues...

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