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Jogos japoneses, jogos ocidentais

Illust-modalO heroi de Animal Crossing, jogo desenvolvido pela Nintendo em 2001 e que teve 25 milhões de exemplares difundidos, mora em um povoado colorido, onde o consumismo tem um aspecto circular e infantil. Para pagar seu crédito imobiliário, ele colhe maçãs e as vende a um guaxinim comerciante, captura insetos e os oferece a um museu local; seus vizinhos lhe enviam presentes. O universo dos Sims (Electronic Arts, 2000, 170 milhões de exemplares) não é tão bucólico: em um bairro de classe média norte-americano, nas cercanias da cidade, os simulacros de indivíduos que o jogador manipula são autômatos ambiciosos que se mexem para satisfazer as exigências da existência, tais como a fome, a higiene, a vida social; eles se permitem roupas Diesel, móveis Ikea, automóveis Renault. Representantes da vida cotidiana que evidenciam relações com o mundo diametralmente opostas: enquanto a estética japonesa privilegia a estilização e o imaginário, o jogo eletrônico ocidental, hoje amplamente dominante, foi elaborado em busca do realismo.

(Martin Lefebvre, Em busca de realismo, mas virtual. No dossiê sobre videogames do LeMonde Diplomatique Brasil de Janeiro/2014. O grifo é meu.)

Sei lá o porquê, mas essa citação ficou bem forte na minha cabeça, a ponto de eu querer dividir aqui no blog. De alguma forma ela me remeteu à minha leitura de A Outra Face da Lua, a coletânea de textos sobre o Japão de Claude Lévi-Strauss; e também com o que eu vejo de tão intrinsicamente diferente na cultura de videogames de hoje em dia, dominados pela indústria ocidental, comparados com aqueles que eu jogava na minha infância e adolescência, de maneira geral originários do Japão. Quer dizer, eu cresci jogando Final Fantasy e Chrono Trigger, com seus monstros impossíveis e enredos mirabolantes, e não Mass Effect e Dragon Age, com seus aliens, dragões e elfos padronizados. Nada contra os jogos recentes, alguns deles são muito bons sob qualquer critério, mas de repente me parece mais fácil de entender a formular a diferença intrínseca que existe ainda hoje entre um Dark Souls, de um lado, e um Diablo ou Elder Scrolls, do outro. Ou mesmo, saindo do campo eletrônico, de uma visão nipoônica sobre a própria cultura que você vê em um Tenra Bansho Zero, contra a visão ocidental em Legend of the Five Rings ou Blood & Honor.

Por outro lado, é mais fácil também entender as dificuldades pela qual a Nintendo passa, bem resumida nesse texto recente chamado Nintendo Isn’t the Problem, You Are (“a Nintendo não é o problema, você é”). Veja que estamos falando dos detentores dos principais ícones culturais de uma mídia, construídos em décadas de domínio sobre ela, que não têm transformado essa posse em retorno de investimentos recentemente. Me parece um evento bem parecido com o que acontece com os mangás e animes desde os anos 2000, com a indústria e o mercado se fechando em si mesmos com dúzias de produtos auto-referenciais de público específico (mesmo que algumas vezes de grande qualidade na sua autoconsciência) para cada Shingeki no Kyojin que consegue um mínimo de sucesso verdadeiro.

Enfim, sei lá. Apenas para compartilhar uns pensamentos aleatórios.

2013 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 19,000 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 7 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

Cream, 2005

Ouvir Cream sempre me lembra de porque eu queria tanto ser músico… E porque na verdade eu nunca ia conseguir ser um de qualquer forma.

Acho que vou ali ficar em posição fetal um pouco…

Wonderbook, de Jeff VanderMeer

WonderbookPg31_473Ao longo dos anos, eu aprendi a sempre ter caneta e papel comigo – mesmo na mesa de cabeceira – para que se eu acordar no meio da noite, ter o mínimo de tempo possível entre a ideia e o registro da ideia. Eu às vezes escrevo no celular, mas baterias de celular podem acabar, e celulares podem resetar, apagando as notas, então eu sempre prefiro caneta e papel. Eu também não faço cerimônia ou cortesia se eu estou com pessoas e uma ideia surge – eu apenas paro a conversa e escrevo o que precisa ser escrito. Se você observar todas as delicadezas sociais, você pode perder algo importante. Imagens, personagens, fragmentos de diálogo são todos incrivelmente vulneráveis à erosão pelo ambiente.

(Jeff VanderMeer, Wonderbook – The Illustrated Guide to Creating Imaginative Fiction)

– Vai, amor, vai… Assim, isso… Tá gostoso… Não para, não par– Amor?

– Desculpa, querida, mas eu tenho que anotar uma ideia aqui!

Naia Contra o Rei dos Dragões

Momento nostalgia: acho que esse foi o primeiro “anime” que eu assisti. Ok, é uma animação chinesa, não japonesa, mas vocês entenderam… Eu tava há anos tentando descobrir o nome dela pra procurar por aí, a única coisa que me lembrava era do enredo e algumas cenas esparsas, como a festa dos dragões embaixo do mar, que ainda era bem vívida na minha memória.

Enfim, é uma animação muito legal. Guardar o link pra mostrar pros meus filhos eventualmente.

Samurai, iaiaiai…

Sabe, eu adorava a cultura japonesa. Ninjas, samurai, e todo o resto. Mas aí conheci essa música, e agora não posso mais ouvir a palavra samurai sem sair cantando…

Sexy Nerds, o retorno

sexy nerdsTempos atrás, eu brinquei de fazer uma banda virtual com o Fred “Fosco” Laranjo, que, entre outras coisas, é o baterista da banda de doom metal Blackfall. Foi uma brincadeira inconsequente, e, a bem da verdade, o resultado foi bem tosco – a gravação tava fora do tom, já que a gente teve que gravar os instrumentos separados e se mandar por e-mail (somos de estados diferentes), e tudo mais. Mas levamos ela razoavelmente a sério, e chegamos até a inventar um nome pro nosso álbum, como você pode ver na capa ao lado.

Enfim. Catando nos meus discos de backup, achei algumas gravações velhas, e resolvi que algumas eram pelo menos engraçadas o bastante pra dividir com vocês. Estou colocando elas nessa categoria nova, Sexy Nerds, que era o nome que a gente tinha dado pro nosso pseudo-grupo. Por enquanto são quatro músicas só, sendo uma paródia e três blues, eventualmente talvez eu coloque mais algumas, ou quem sabe até volte a gravar alguma coisa. Ou não.


Sob um céu de blues...

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@bschlatter

  • Mesmo sem entender nada do gostando mais do noticiário japonês do que da globo news. (Ou talvez exatamente por não entender nada) 1 hour ago
  • RT @fatorell: recebo a previsão de pauta da semana do congresso. abro e leio e dou de cara c o PROJETO DE LEI Nº 7.509, DE 2014. POR FAVOR … 1 hour ago
  • Na verdade parece aquele filme, Idiocracy :P E o JN tentando ser muderno... 1 hour ago
  • Parece um jogo da Nintendo. 1 hour ago
  • Esse noticiário japonês é bizarro. As chamadas são todas coloridas, tem umas bordas enormes, cheia de ícones. 1 hour ago

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