Posts Tagged 'animação'

Naia Contra o Rei dos Dragões

Momento nostalgia: acho que esse foi o primeiro “anime” que eu assisti. Ok, é uma animação chinesa, não japonesa, mas vocês entenderam… Eu tava há anos tentando descobrir o nome dela pra procurar por aí, a única coisa que me lembrava era do enredo e algumas cenas esparsas, como a festa dos dragões embaixo do mar, que ainda era bem vívida na minha memória.

Enfim, é uma animação muito legal. Guardar o link pra mostrar pros meus filhos eventualmente.

Ni no Kuni: Wrath of the White Witch

ni-no-kuni-coverNi no Kuni: Wrath of the White Witch só pode ser descrito com uma espécie de encontro da besta com o monstro. Juntando a Level-5, empresa conhecida pelos jogos da série Professor Layton e também por RPGs como Rogue Galaxy e os Dragon Quest VIII e IX, com o lendário Studio Ghibli, do mestre Hayao Miyazaki e que dispensa qualquer outra introdução, ele nos apresenta uma viagem encantadora por um mundo secundário (“ni no kuni,” para os versados em japonês), em que um garoto de treze anos parte em uma jornada épica para salvar a sua mãe.

É um daqueles jogos tão grandiosos e envolventes que é difícil até mesmo pensar em um ponto por onde começar, tantos são os elementos que ele nos inspira a falar. Tentemos partir do básico, então: o protagonista, Oliver, é um garoto de uma cidadezinha chamada Motorville, apaixonado por carros, motores e outras coisas mecânicas. Um acidente ao testar um “projeto” com um amigo, no entanto, força a sua mãe a se sacrificar para salvá-lo. Dias depois, ainda arrasado e aos prantos devido ao ocorrido, algo incrível acontece – Mr. Drippy, seu boneco de pelúcia, ganha vida ao ser banhado pelas suas lágrimas! Ele se apresenta como o Lorde Alto-Lorde das Fadas, e diz que havia sido preso naquela forma por Shadar, o Djinn Negro, um feiticeiro tão poderoso quanto maligno com o poder de “partir” o coração das pessoas, privando-o das suas principais virtudes. Ele então insta Oliver a acompanhá-lo até o seu mundo para enfrentá-lo, prometendo que pode haver lá uma forma de trazer a sua mãe de volta à vida.

Trata-se, como se pode ver, de uma história de “fantasia de portal” bastante tradicional, com um certo tom de fábula infantil. Alguns podem torcer o nariz para isso – “quer dizer que eu vou jogar quarenta horas com um menino de treze anos curando corações partidos?” -, mas, sinceramente, há algo de intrinsecamente infantil na fantasia, e eu digo isso no melhor dos sentidos. Está lá no apelo à imaginação e ao surreal, no brincar com a realidade e buscar significados ocultos no mundo em que vivemos; e na verdade nunca impediu que uma história realmente boa, que saiba que ser infantil não significa que não possa ser séria nos seus próprios termos, lidasse com temas adultos como a morte e a compreensão do que ela significa, bem como o crescimento e o amadurecimento pessoais. Isso é algo que Miyazaki sempre entendeu muito bem, e que sempre foi muito visível nas suas obras, que nunca deixaram de apelar para a criança que existe mesmo no mais frio dos adultos; e o jogo absorve com primor todos estes elementos, contendo todo o DNA e modus operandi inconfundível de obras como A Viagem de Chihiro, Nausicaä do Vale dos Ventos e tantas outras.

Esse DNA é visível no próprio mundo em que o jogo se desenvolve, extremamente vívido, colorido e envolvente, como o de qualquer animação Ghibli. Há muito aqui que os criadores dos últimos Final Fantasy poderiam tirar como lição: ao invés daquela ânsia por avançar a história e contar logo o que acontece a seguir, apresentar um mundo interessante e cativante, que lhe dê vontade de conhecer e dê prazer em simplesmente ser explorado. Andando pelo mapa-múndi – que, aliás, é belissimamente desenhado, daqueles que dá vontade de voar por todos os seus cantos apenas para vê-lo inteiro – você encontrará cavernas, ilhas escondidas, mesmo aldeias de habitantes das florestas que oferecem muito mais a descobrir mesmo depois ter passado por todas as cidades e pontos principais do enredo. Ni no Kuni é um RPG como há muito tempo não se fazia RPGs, que busca a sua linhagem lá na era de ouro dos 16 bits, em jogos como Chrono Trigger e Secret of Mana.

Muito dessa ênfase na exploração é sintetizada em um único elemento, aliás: o Wizard’s Companion, uma espécie de manual de magia que Oliver encontra no começo do jogo que passa boa parte dele procurando por suas páginas perdidas para completá-lo. Ele é acessado pelo menu principal do jogo, e você pode então folhear as suas páginas com a ajuda do controle do videogame. Nelas você encontrará detalhes sobre o mundo, sua história mais antiga, e mesmo alguns contos e fábulas sobre os seus personagens. Também fazem parte dele algumas passagens de um alfabeto hieroglífico que você pode decifrar com a ajuda do manual do jogo, de uma antiga civilização chamada Nazcaä (a semelhança do com a civilização peruana de Nazca, aliás, não é coincidência – há uma certa inspiração de alguns elementos na América do Sul pré-colombiana, e mesmo uma certa cidade claramente de inspiração andina, uma referência bem original para o gênero). Muitas vezes o próprio jogo irá requerer que você o pesquise para encontrar a solução para um enigma, criando uma dinâmica bastante única entre leitura e jogabilidade. Uma edição especial do jogo foi lançada incluindo uma versão impressa deste livro, e eu só posso invejar eternamente aqueles que a adquiriram.

O livro também nos faz o link com o jogo em si, que, como se pode imaginar, é focado no fato de que Oliver é um aprendiz de feiticeiro que desenvolve suas habilidades enquanto explora o outro mundo. Há vários feitiços a serem aprendidos durante a jornada, e, de uma forma muito divertida e constantemente ignorada por RPGs, muitos deles possuem utilidade mesmo fora de combate – há feitiços para falar com animais e espíritos, abrir baús trancados, mesmo para iluminar ambientes escuros e fazer pontes de ligação entre pontos distantes. Mesmo os feitiços de ataque, aliás, você se verá constantemente usando fora de combate, usando bolas de fogo para acender tochas ou magias de gelo para apagar fogos.

O centro da jogabilidade, no entanto, está na figura dos familiares, que são animais e outras criaturas ligadas à própria alma do mago, que ele pode comandar para ajudá-lo em combate. O sistema aqui é bem parecido com outro clássico, Pokémon: você pode capturar os monstros que enfrenta e então treiná-los e alimentá-los para que desenvolvam suas habilidades, e até mesmo evoluí-los para versões mais poderosas conforme eles ganham níveis de experiência. Há uma variedade bastante grande de bichinhos de bolso para capturar, e outros tantos em que você pode evoluí-los. Para completistas que gostam de obter tudo que o jogo tem para oferecer, entre batalhas do coliseu, mini-games de cartas e missões paralelas e cumprir, são umas boas dezenas de horas a se gastar…

Quanto à participação do Studio Ghibli, ele também foi um tanto além da mera inspiração da história e cenário, e está presente em uma série de passagens de animação conforme você avança na história. Infelizmente, elas não são tão frequentes quanto poderiam, mas não deixam de causar impacto quando aparecem – e, bem, como o próprio traço dos personagens já lembra o estilo do estúdio, você até nem sente tanta falta. Recomendo inclusive que você deixe o áudio original em japonês, para ficar com aquele clima de estar realmente assistindo um anime legendado. Para completar, a trilha sonora de Joe Hisashi foi executada por nada menos do que a Orquestra Filarmônica de Tóquio, e é realmente fenomenal, daquelas que você casualmente se pega assoviando as melodias quando vai fazer alguma coisa após jogar.

Enfim, Ni no Kuni: Wrath of the White Witch é um jogo envolvente e cativante como não se fazem mais hoje em dia, facilmente um dos melhores dessa geração. Quem cresceu jogando RPGs dos 8, 16 e 32 bits, ou é simplesmente apaixonado pelas animações encantadoras de Hayao Miyazaki, não pode deixar de jogar. Mesmo.

Nausicaä do Vale dos Ventos

Nausicaä do Vale dos Ventos é um clássico dos mangás e da animação japonesa, criado, desenhado e dirigido pelo mestre Hayao Miyazaki. Era mesmo considerada por muitos a sua obra-prima, pelo menos até os mais recentes A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado, que obtiveram grande sucesso e reconhecimento internacional.

A história tem como protagonista a Nausicaä do título, que, como bem indica o nome, é a princesa do Vale dos Ventos, um dos pequenos países de uma Terra devastada, mil anos depois de um desastre ecológico cobrir a maior parte da sua superfície com uma floresta de fungos tóxicos conhecida como o Mar da Corrupção. Como todo protagonista de histórias juvenis, ela é inquieta e corajosa, e tem suas próprias idéias sobre a situação do planeta, bem como o papel dos ohms, insetos gigantes encarados por todos, exceto ela, como monstros perigosos. E eventualmente, é claro, estas idéias pessoais irão colocá-la em conflito com outros personagens, cada um com seus próprios objetivos particulares, nem todos exatamente nobres ou altruístas.

Dá pra perceber já por essa sinopse que a história possui um discurso ecológico bastante evidente, ainda que a obra tenha sido produzida muito antes dele se tornar o chavão repetitivo que é atualmente. Mais do que catequizar os espectadores, aqui ele realmente serve para criar um universo único e maravilhoso, recheado com aquela imaginação fantástica característica dos trabalhos de Miyazaki. Dos ambientes do Mar da Corrupção aos insetos gigantes, passando pelas armas, uniformes e veículos dos protagonistas, tudo serve pra intensificar o sense of wonder do cenário.

Nausicaä também é uma protagonista fantástica, completamente diferente das tradicionais e passivas princesas Disney. É forte e decidida, e não foge de tomar a linha de frente dos conflitos quando acha necessário, bem como de defender até as últimas conseqüências aquilo em que acredita. Mas, até aí, isso também é uma marca comum nas personagens femininas de Miyazaki.

A versão em quadrinhos da história também chegou a ser lançada por aqui, em uma edição muito bonita direto para livrarias da Conrad Editora. Infelizmente, a publicação coincidiu com os problemas financeiros por que ela passou, e acabou interrompida no quinto volume, quando faltavam apenas dois para ser terminada. É uma pena mesmo, tanto por ser uma obra fundamental na carreira de um dos mais celebrados criadores japoneses atuais, quanto por ser simplesmente uma história tão deliciosa de se ler.

Nausicaä do Vale dos Ventos, enfim, é uma história fantástica, de puro sense of wonder do início ao fim. Deveria ser parte da infância de todo mundo, e, mesmo para os adultos, não há como recomendar mais.

Das Músicas de Desenhos Animados

Eu gosto muito do desenho animado Padrinhos Mágicos. Para além dos óbvios temas infantis e as piadas de duplo e às vezes até triplo sentido, das quais as crianças riem mas geralmente só os adultos entendem todo o seu significado, eu me divirto muito com a chuva de referências que tem em cada episódio – super-heróis, filmes clássicos, literatura… Acho que a minha história preferida é a que o Timmy Turner pede aos seus padrinhos para entrar na televisão, e então seguem-se dúzias de esquetes homenageando séries clássicas, de Os Jetsons até Jonny Quest, Os Simpsons e mesmo o ótimo desenho do Batman dos anos 1990, mudando até o estilo do traço em cada uma para se aproximar dos originais.

Acho muito engraçado principalmente quando ele homenageia Tom & Jerry, um dos clássicos de uma época em que os desenhos infantis eram muito mais, digamos assim, livres na sua missão de fazer rir. A cada vez em que alguma cena violenta devia acontecer, como era de praxe então, o Cosmo pulava na frente da tela, impedindo que nós víssemos o que ocorria, e dizia algo como “não se fazem mais desenhos como antigamente.”

À parte da óbvia nostalgia e saudosismo de dizer algo assim, é fato conhecido que os desenhos animados de hoje em dia são muito mais conservadores e inocentes que os daquela época. Não que sejam piores por isso, é claro – bem pelo contrário, existem hoje ainda ótimas séries animadas, que falam para o público jovem e infantil de forma inteligente e usando a sua própria linguagem. Mas, para quem cresceu assistindo explosões, machadadas e pancadas violentas de forma geral, é difícil não sentir um pouco a sua falta.

Em todo caso, também não estou aqui para fazer um libelo em favor da violência nos desenhos animados. Só achei que seria uma forma interessante de começar este devaneio, trazendo abaixo a música de abertura dos Padrinhos Mágicos:

 

Reparem bem no estilo dela, cheio de metais e suingue, como as big bands do passado. A sua seqüência de acordes mesmo pode ser facilmente reconhecida como a clássica progressão I – IV – V do blues. É uma música nostálgica – um pouco como a própria série em muitos momentos, como eu já destaquei. É curioso reparar em algo assim, especialmente quando lembramos que os desenhos animados, historicamente, sempre tiveram uma abordagem bastante progressiva quanto às suas trilhas sonoras.

Acho que foi o Eric Hobsbawn, no livro História Social do Jazz, quem destacou que os desenhos animados foram provavelmente a única mídia em que o jazz, historicamente um estilo marginalizado até meados da década de 1950, teve algum reconhecimento durante o seu auge. Levaria um bom tempo até que o cinema, por exemplo, passasse a usar largamente temas de jazz nos seus filmes; nos desenhos, no entanto, temos já desde os anos 1940, pelo menos, trilhas sonoras totalmente levadas pelo estilo. Apenas como exemplo, destaco um clássico episódio de Tom & Jerry, que o possui até no nome:

 

Se você avançar um pouco as décadas, ainda, podemos ver que o rock também teve sua dose de aceitação bastante precoce nos desenhos animados, desde os clássicos da Hannah-Barbera, na época em que ele ainda era um estilo novo e polêmico. Como exemplo, trago o tema de abertura de Josie e as Gatinhas, de 1970, que tinha como protagonistas mesmo uma banda musical, e cujo tema de abertura remete às boy bands de rock inglês do começo dos anos 1960:

 

Podemos ir mais além ainda, e reconhecer mesmo na abertura Clue Club, de 1976, alguma coisa do suingue e ginga do funk norte-americano daquela época:

Desde a década de 1980, no entanto, já se pode ver um certo conservadorismo nos temas de desenhos animados, que, especialmente naqueles voltados ao público jovem, passaram a ter meros rocks genéricos nos seus temas de abertura (o que não quer dizer que não fossem legais, é claro). Por exemplo, Thundercats:

Onde temos desenhos animados que utilizam temas mais contemporâneos? O rap, por exemplo, ou mesmo música eletrônica. A única série de destaque que eu me lembro a ter um rap como música tema não era um desenho animado, mas um seriado com atores reais feito para atingir a classe média negra emergente nos Estados Unidos na década de 1980:

É claro que não podemos culpar apenas o conservadorismo dos desenhos animados por isso. Em grande parte, isso reflete também o conservadorismo da própria indústria musical, se agarrando com todas as forças àquilo que tem antes de colapsar por completo com as novas tecnologias de compartilhamento de arquivos digitais.

Em todo caso, como sempre, é apenas um devaneio aleatório meu, que não quer necessariamente chegar a lugar algum. Se o conservadorismo dos desenhos animados recentes não é exatamente novidade, é interessante reparar que mesmo em algo pequeno como os temas de abertura e trilhas sonoras ele é bem visível.

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