Posts Tagged 'blá'

Nihongi

nihongi[1 d.C.] 30º ano, primavera, 1º mês, 6º dia. O Imperador chamou Inishiki no Mikoto e Oho-tarashi-hiko no Mikoto, dizendo: “Cada um de vocês diga alguma coisa que gostaria de ter.” O Príncipe mais velho disse: “Eu gostaria de ter um arco e flechas.” O Príncipe mais novo disse: “Eu gostaria de ter a Distinção Imperial.” Então o Imperador mandou, dizendo: “Que o desejo de cada um de vocês seja concedido.” Então um arco e flechas foi dado a Inishiki no Mikoto, e um decreto foi endereçado a Oho-tarashi-hiko no Mikoto, dizendo: “Você será o sucessor da Nossa Distinção.”

(Nihongi, também chamado Nihon Shoki, “Crônicas do Japão,” é o segundo livro mais antigo da literatura japonesa, que conta a história do país desde a criação do mundo até aproximadamente o começo do século VIII d. C. O trecho teria acontecido durante o reinado do 11º Imperador do Japão, Suinin).

Eu… Nem sei o que comentar.

Jogos japoneses, jogos ocidentais

Illust-modalO heroi de Animal Crossing, jogo desenvolvido pela Nintendo em 2001 e que teve 25 milhões de exemplares difundidos, mora em um povoado colorido, onde o consumismo tem um aspecto circular e infantil. Para pagar seu crédito imobiliário, ele colhe maçãs e as vende a um guaxinim comerciante, captura insetos e os oferece a um museu local; seus vizinhos lhe enviam presentes. O universo dos Sims (Electronic Arts, 2000, 170 milhões de exemplares) não é tão bucólico: em um bairro de classe média norte-americano, nas cercanias da cidade, os simulacros de indivíduos que o jogador manipula são autômatos ambiciosos que se mexem para satisfazer as exigências da existência, tais como a fome, a higiene, a vida social; eles se permitem roupas Diesel, móveis Ikea, automóveis Renault. Representantes da vida cotidiana que evidenciam relações com o mundo diametralmente opostas: enquanto a estética japonesa privilegia a estilização e o imaginário, o jogo eletrônico ocidental, hoje amplamente dominante, foi elaborado em busca do realismo.

(Martin Lefebvre, Em busca de realismo, mas virtual. No dossiê sobre videogames do LeMonde Diplomatique Brasil de Janeiro/2014. O grifo é meu.)

Sei lá o porquê, mas essa citação ficou bem forte na minha cabeça, a ponto de eu querer dividir aqui no blog. De alguma forma ela me remeteu à minha leitura de A Outra Face da Lua, a coletânea de textos sobre o Japão de Claude Lévi-Strauss; e também com o que eu vejo de tão intrinsicamente diferente na cultura de videogames de hoje em dia, dominados pela indústria ocidental, comparados com aqueles que eu jogava na minha infância e adolescência, de maneira geral originários do Japão. Quer dizer, eu cresci jogando Final Fantasy e Chrono Trigger, com seus monstros impossíveis e enredos mirabolantes, e não Mass Effect e Dragon Age, com seus aliens, dragões e elfos padronizados. Nada contra os jogos recentes, alguns deles são muito bons sob qualquer critério, mas de repente me parece mais fácil de entender a formular a diferença intrínseca que existe ainda hoje entre um Dark Souls, de um lado, e um Diablo ou Elder Scrolls, do outro. Ou mesmo, saindo do campo eletrônico, de uma visão nipoônica sobre a própria cultura que você vê em um Tenra Bansho Zero, contra a visão ocidental em Legend of the Five Rings ou Blood & Honor.

Por outro lado, é mais fácil também entender as dificuldades pela qual a Nintendo passa, bem resumida nesse texto recente chamado Nintendo Isn’t the Problem, You Are (“a Nintendo não é o problema, você é”). Veja que estamos falando dos detentores dos principais ícones culturais de uma mídia, construídos em décadas de domínio sobre ela, que não têm transformado essa posse em retorno de investimentos recentemente. Me parece um evento bem parecido com o que acontece com os mangás e animes desde os anos 2000, com a indústria e o mercado se fechando em si mesmos com dúzias de produtos auto-referenciais de público específico (mesmo que algumas vezes de grande qualidade na sua autoconsciência) para cada Shingeki no Kyojin que consegue um mínimo de sucesso verdadeiro.

Enfim, sei lá. Apenas para compartilhar uns pensamentos aleatórios.

2013 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 19,000 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 7 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

The Invitation of Sir Cthulhu

Como não comprar uma edição de The Call of Cthulhu com essa capa?

calcth

O Estilo de Vencer com as Mãos Vazias

bushi_1Diz-se que Tsukahara Bokuden Takamoto [fundador do estilo Kashima Shintō-ryū de kendō] estava em um barco no lago Biwa-ko, junto com vários outros passageiros, quando um deles passou a comentar sobre suas habilidades em alto e bom som, proclamando-se invencível.

No início, Bokuden preferiu nem prestar atenção no discurso prepotente desse passageiro. Mas depois de um bom tempo, quando notou que ele não iria parar de se orgulhar até que o barco chegasse ao seu destino, decidiu interrompê-lo:

– Eu também pratico artes marciais já faz algum tempo. Mas, ao contrário do senhor, eu não acho que seja fácil ganhar uma luta. Durante toda a minha vida, o máximo que pude fazer foi me esforçar para não perder.

Ao ouvir isso, o passageiro disse:

– O senhor fala coisas muito interessantes. Qual é o estilo do senhor?

– Oh, não é algo de que possa me orgulhar. Ele se chama Mutekatsu-ryū.

Erguendo a sobrancelha, o passageiro perguntou:

– Muito bem, o seu é o “estilo da vitória com as mãos vazias”? Então por que está carregando essas duas espadas na cintura?

– Oh, essas são as espadas que o meu espírito utiliza para cortar a arrogância e a inconveniência.

– Muito bem, mostre-me esse seu estilo. Quero ver se consegue me derrotar!

– Posso mostrar, mas aviso desde já: a espada do meu espírito é a espada para a vida, mas ela se torna a espada para a morte no momento em que enfrenta uma pessoa de má índole.

Furioso, o passageiro ordenou que o barqueiro remasse imediatamente para a margem, ao que Bokuden sugeriu:

– Creio ser melhor irmos até uma ilha no meio do lago. É melhor duelarmos sem pessoas para nos atrapalhar. Peço desculpas a todos os passageiros que estão com pressa, mas gostaria que o barqueiro nos levasse até a ilha.

Ao chegar à ilha, o passageiro pulou do barco, já com a espada desembainhada, e desafiou Bokuden:

– Muito bem, venha agora e vejamos essas suas técnicas!

– Acalme-se. O meu estilo necessita de tranqüilidade e concentração. Deixarei as espadas no barco.

E, se dirigindo ao barqueiro, disse:

– Dê-me o remo, lutarei com ele.

Dito isso, Bokuden segurou o remo. Mas, no momento em que todos imaginavam que ele iria pular para terra, ele rapidamente passou a remar, afastando o barco da ilha.

Indignado, o desafiante gritou:

– Ei! Volte aqui! Volte aqui!

Ao se afastar uma distância considerável da ilha, Bokuden calmamente abriu seu leque e disse:

– Se quiser, venha nadando até aqui. Garanto que tirarei sua vida antes que possa embarcar!

E, sorrindo, completou:

– Está vendo? Essa é a forma do Mutekatsu-ryū de vencer sem usar armas. Se quiser aprender, é só me procurar. Tenha uma boa estada na ilha!

(Retirado do livro Peregrinos do Sol – A Arte da Espada Samurai, de Luiz Kobayashi).

Esses japoneses tinham as melhores técnicas mesmo.

Os números de 2012

Coisinha bacana que eu encontrei no topo da página de estatísticas hoje. =P

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

4,329 films were submitted to the 2012 Cannes Film Festival. This blog had 38.000 views in 2012. If each view were a film, this blog would power 9 Film Festivals

Clique aqui para ver o relatório completo

Projetinho

Não sei até que ponto é pretensão minha achar que eu tenho “leitores.” Até onde eu sei, só quem deve ler esse meu cantinho são a meia dúzia de amigos que me seguem no Twitter ou no Facebook mesmo. E desses, os que se interessariam por isso são menos ainda, e muito provavelmente já sabem de qualquer forma.

Mas enfim. Um pouco por descargo de consciência, um pouco só pra dar uma mexida nas coisas por aqui, que andam bem paradas, e um pouco ainda só pra poder catar uma imagem bacaninha de um robô gigante pra ilustrar o post, eu aproveito pra dizer que tenho publicado já faz algum tempo vários textos no blog RPGista. Eles são a razão de eu ter meio que diminuído as minhas postagens de RPG por aqui, que eu tenho preferido publicar lá, onde o público é mais específico, exceto quando é algo que eu acho legal o suficiente pra trazer pra cá também. E recentemente eu comecei lá também um projetando bem pessoal, chamado Tormenta Mecha, em que eu crio alguns personagens e materiais que adicionem robôs gigantes ao sempre popular mundo de Tormenta. Tem um texto introdutório lá, e quem quiser uma lista de postagens é só procurar a tag específica no site.

Enfim. Se você por acaso chegou até aqui atrás de RPG e se deparou só com meus devaneios aleatórios que não interessam a ninguém, pode clicar nos links correspondentes e ir pra lá. E se ainda não sabia desse meu novo projetinho… Bem, se puder dar uma olhada lá e faz uns comentários nos respectivos posts, eu agradeceria.

Até mais.


Sob um céu de blues...

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@bschlatter

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