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Cowboys do Asfalto

cowboysAcho que um dos temas mais recorrentes aqui no blog é a música. Falo muito de jazz, blues e rock, minhas paixões; mas acabo falando bastante também de músicas mais populares, como o sertanejo ou o funk. Tendo a ver elas sob uma perspectiva histórica, de média ou longa duração – para um historiador, é realmente difícil não comparar todo o preconceito que se vê com respeito a elas ao preconceito que outros estilos também sofreram, desde o rock ou jazz recentemente, até a polka ou a valsa em séculos já mais passados. Acho que o meu texto mais visitado na história do blog inclusive é sobre isso, um dos primeiros que publiquei aqui no wordpress também, e acabo voltando ao tema com muita frequência.

Mais do que observações empíricas, no entanto, é bom ter um referencial mais técnico para falar a respeito. E foi isso que ganhei com Cowboys do Asfalto – Música sertaneja e modernização brasileira, tese de doutorado do historiador carioca Gustavo Alonso recentemente publicado como livro.

Fundamentalmente, o livro corrobora muitas das teses que eu já defendia aqui, como a de que o preconceito musical muitas vezes é apenas o que está na superfície de um preconceito muito mais profundo, com origem no embate de classes e na oposição entre cultura erudita/de elite e a cultura popular. No caso da música sertaneja, no entanto, esse embate raramente esteve muito dissimulado, por ela ser muito identificada praticamente desde o seu início com um fenômeno social bem específico (o êxodo rural), e também pela sua identificação posterior com um determinado período político da história brasileira (a era Collor). O preconceito com o sertanejo tem muito a ver com o preconceito que existe entre a população do litoral – em especial do litoral sudeste, a terra do samba e da MPB – com as populações do interior, oposição que vem praticamente desde a colonização portuguesa original, o que fica muito evidente quando o autor nota que boa parte dos artistas clássicos do gênero eram migrantes, saídos do interior do Paraná, de São Paulo e de Goiás para a cidade grande.

Isso tudo é sintetizado na tese que o livro apresenta já na sua introdução, que acredito ser bastante acertada: a de que o povo brasileiro, embora tenha tido tendências políticas conservadoras durante a maior parte da sua História, foi na verdade bastante progressista no campo cultural – exatamente ao contrário das classes mais intelectualizadas, tanto as de esquerda como as de direita. O livro também me enriqueceu bastante ao me tornar ciente de diversos debates que eu jamais imaginaria existir dentro do gênero, como aquele que opunha a música caipira (essencialmente saudosa e nostálgica do campo) e a sertaneja (do camponês já urbanizado, vivendo na cidade grande), que parece ter sido resolvido nas gerações mais recentes; bem como na própria origem dos ritmos sertanejos, que trazem influências estrangeiras de países periféricos como o México e o Paraguai, o que contribuiu para as décadas de preconceito sobre ele.

Há algumas críticas pontuais a serem feitas. O estilo do texto é meio exagerado, com muitos clichês e frases feitas, e às vezes carece de uma estrutura mais cadenciada, alternando longas narrativas biográficas com contextualizações de períodos políticos e eventuais debates analíticos. Na verdade, achei que ele poderia se focar mais na última parte, e talvez reduzir o papel das biografias dos artistas, que realmente ocupam um espaço demasiado. O que senti falta realmente foi de uma análise mais social, e menos política, da música sertaneja como fenômeno. Há pouco espaço dado a como se formou e desenvolveu o público destes artistas, por exemplo; apenas no capítulo final, debatendo a emergência do sertanejo universitário, o papel do público é problematizado. Fiquei imaginando como seria uma linha de análise que relacionasse o fato dos artistas sertanejos serem em sua maioria migrantes com o seu público ser formado muitas vezes também por migrantes, ou por filhos de famílias migrantes.

Também achei que o autor muitas vezes foi conivente com as escolhas políticas dos artistas em muitos momentos da História do país. Talvez possa se ver nisso uma ênfase, louvável, em compreender, ao invés de julgar, o seu papel na sociedade nestes períodos; no entanto, algumas vezes parece que há realmente uma esquiva de adotar uma postura mais crítica, como se escolhesse poupar os artistas de encarar o que estava acontecendo então.

Em todo caso, é um livro muito instigante e enriquecedor, fruto de uma pesquisa profunda cruzando fontes bastante diversas, de artigos de jornais a entrevistas diretas com os artistas. Recomendo para qualquer um que queira entender a música sertaneja como fenômeno social, bem como tentar rever alguns preconceitos bastante comuns ainda nos dias de hoje.

A Pátria (Pendurando As) Chuteiras – ou, Futebol e Política na Nova República

chuteirasNão sei quem foi o deus indígena, santo milagreiro ou gênio marqueteiro que definiu que as eleições da Nova República Brasileira pós-ditadura militar sempre cairiam em ano de Copa do Mundo. Em todo caso, basta chegar um novo ano fatídico e ouvimos sempre os mesmo chavões: “brasileiro só quer saber de futebol,” “o futebol aliena o povo,” “se a seleção ganhar vão todos votar no [insira  a sigla do partido de situação corrente que não deve ser reeleito sob hipótese alguma, mesmo que as alternativas sejam o Sauron e o Comandante Cobra]” e etc. etc. etc. Esse ano, em especial, em virtude de tudo o que ocorreu no país desde o ano passado, tem sido um argumento especialmente recorrente – não sei quantas variações do “ninguém está torcendo mais pra essa seleção do que a Dilma” que eu já ouvi. Bem, não quero me estender demais no assunto, mas apenas resgatar alguns fatos da história esportiva e política recente do país.

Vamos descontar aqui 1994, que tinha uma série de peculiaridades – segunda eleição direta para presidente desde 1960, considerando que o eleito na anterior havia sido impedido de terminar o mandato por um escândalo de corrupção, e toda a própria questão econômica que enfim se estabilizava após um período hiperinflacionário bastante tenso. Pulemos direto para 1998, ano em que o Brasil perdeu a final da Copa para a França, em uma partida humilhante e uma atuação mais do que luxuosa do capitão adversário (um certo Zinedine Zidane), envolvendo ainda polêmicas estranhas com nossos jogadores principais (ataque epilético na véspera do jogo e coisas assim). Considerando como o povo brasileiro é alienado pelo futebol, podemos imaginar que ele certamente se sentiria ultrajado com tal atuação, e iria demonstrar a sua revolta com toda a força nas urnas no mesmo ano… Exceto que o então presidente, Fernando Henrique Cardoso, foi reeleito para um segundo mandato na provável eleição mais fácil da história brasileira, decidida ainda no primeiro turno.

Mas quatro anos depois, em 2002, a glória! Desacreditada, com duas trocas de técnico nos período anterior, a seleção passou por cima de todos os céticos e venceu a Copa do Japão e Coreia do Sul com 100% de aproveitamento. Que felicidade! O povo não poderia estar mais feliz, e com toda certeza elegeria um presidente que continuasse com tudo o que estava sendo feito de certo para garantir esse resultado… E então tivemos a eleição do opositor mais antigo do partido no poder, um certo Luís Inácio Lula da Silva, que liderou as pesquisas do início ao fim e venceu no segundo turno, mas ainda com certa facilidade.

2006 e 2010 acredito que sejam próximas o bastante para não que eu não precise recapitulá-las em detalhes, mas, resumindo, o Brasil foi eliminado em ambas nas quartas de final, saiu da Copa desacreditado pela população, e tivemos eleitos presidentes que garantiam a continuidade política – o próprio Lula reeleito em 2006, a Dilma escolhida por ele como sucessora em 2010. Percebem uma tendência aqui?

Se seguirmos a lógica, me parece que o mais adequado para Dilma seria torcer contra a seleção nesta Copa… Mas vou confessar que não acredito que faça diferença, realmente. Pelo menos a minha visão empírica é a de que a seleção perdeu há muito o poder de influir na política nacional. É inegável que ela já teve essa capacidade – 1970 não faz tanto tempo assim -, mas hoje? Do tricampeonato ao tetra tivemos cinco Copas perdidas, pelo menos três delas ainda em período autoritário, e o regime ainda foi capaz de escolher como queria terminar, em uma eleição indireta para escolher o primeiro presidente civil em vinte anos.

Não sei se sou capaz realmente de diagnosticar as razões disso, a bem da verdade. Talvez seja um esgotamento natural, depois de 1970 e os anos seguintes sem muitas vitórias, que levou as pessoas a perceberem que uma coisa não tem nada a ver com a outra de verdade. Ou talvez seja o afastamento gradual da seleção das suas bases populares, com o crescimento geométrico dos ganhos dos jogadores e as suas carreiras cada vez mais associadas a times de outros países. Mas, na eventualidade de a seleção realmente ganhar a Copa, alguém consegue realmente imaginar que uma campanha baseada em “a Dilma nos deu a Copa, votem nela” seria levada a sério?

E não que eu não veja, é claro, o futebol em si como capaz de exercer influência política; apenas não é mais na seleção que este poder está, mas muito mais nos clubes. E é uma influência muito mais direta, na verdade (e por isso mesmo, talvez, mais perigosa): basta ver nomes como o de Marques, segundo deputado estadual mais votado em Minas Gerais nas últimas eleições para o cargo, ou Danrlei, quarto deputado federal mais votado no Rio Grande do Sul no mesmo ano, ambos fortemente associados aos clubes que defenderam, e sem uma plataforma de campanha que fosse muito além disso e os chavões sobre atuar com garra e determinação e fazendo o que o professor mandar. E mesmo antes deles, em tantos Paulos Odones e Euricos Mirandas que fizeram suas carreiras políticas em cima deste mote.

Enfim, não quero realmente fazer uma tese aqui, mas apenas encadear alguns fatos. É muito fácil concluir que o povo brasileiro é alienado e só quer saber de futebol, mas cavando um pouco mais profundamente pode-se ver que a coisa é mais complicada que isso, e que é preciso fugir de uma conclusão tão simplista para entender realmente o que há nesta relação.

Governismo, a doença infantil

governismoGostando muito desse tumblr, chamado Governismo, a doença infantil. Em meio a todas essas polêmicas recentes sobre mensalão, trensalão, privatarias e afins, parece ser uma única voz de lucidez política, e que faz as perguntas que a gente realmente quer saber a resposta.

Porque, na boa, quando penso nos problemas do governo atual, não é sobre o mensalão que eu me questiono. Até onde eu sei, eles só estão continuando a interminável prática política, existente pelo menos desde Roma, da corrupção. Não era Platão que dizia que um bom corrupto podia ser melhor para a república do que um honesto incompetente?

“Ah, mas o mensalão nunca aconteceu!” Sinceramente, não sei. Uma parte de mim realmente quer acreditar nisso. Outra acha muito difícil. A única verdade incontestável é que eu não sou jurista, não li as dez mil páginas de processo, então obviamente não sou a pessoa certa para julgar. Prefiro e escolho confiar em alguém que tem muito mais propriedade que eu pra falar a respeito, ou não seria escolhido pelo próprio partido que se diz prejudicado pra ocupar um cargo que lhe dá esse poder, a me juntar à turba de inconformados e suas ofensas de quinta série, imbuídas muitas vezes até de um racismo tosco que, eu queria acreditar, não deveria existir em uma corrente política que se diz tão progressista.

Os questionamentos que eu realmente me faço são esses que estão no tumblr. Enchentes no Rio de Janeiro? Comissão de direitos humanos nas mãos de pastores evangélicos? Quem deixou que isso acontecesse? Quem são os aliados desses políticos, cujas trocas de favores e nomeações permitiram que chegassem a ocupar esses cargos? Pois é.

Sob a grande justificativa de manter a governabilidade, se aceita muita coisa, se vira o rosto para muita coisa. Faz parte da democracia? Talvez faça. Mas não é menos frustrante por isso. Ou melhor, brochante mesmo. Vou precisar de muito viagra hermenêutico pra recuperar o tesão pela política.

No fim das contas, mantenho minha promessa: voto em qualquer candidato que der um soco na cara do Onyx Lorenzoni, ao vivo, durante um debate transmitido pela RBS.

Um Réquiem para a Representação Política

bandeira-vermelhaA bandeira do meu partido
Vem entrelaçada em outra bandeira,
A mais bela, a primeira,
Verde-e-amarela, a bandeira brasileira.

Você pode discordar completamente da ideologia de um partido como o PC do B, ainda mais levando em consideração a sua história e representantes mais recentes, mas não dá pra negar que esses versos do seu hino são lindos. Colocar a bandeira do seu partido junto à bandeira nacional – uma forma de demonstrar que, independente das idéias que você defenda, acima de tudo o que você quer é o bem do país, e apenas acontece de você acreditar que tais ideias são o melhor para ele.

Acho que hoje, no entanto, alguém (ou alguma revista semanal) poderia ver estes versos de outra forma. Afinal, você está levantando a bandeira do seu partido tão alto quanto a bandeira nacional; é um exemplo claro da submissão da nação à ideologia! Saia já daqui, seu mensaleiro oportunista!

O ponto é que, ao ver as notícias das manifestações ao redor do país, tem me chamado um bocado a atenção a forma como eles repudiam agressivamente qualquer tentativa de associação com partidos políticos. A função dos partidos, afinal, deveria ser justamente esta – assumir as demandas da população e levá-las para o debate político. É assim que funciona (ou deveria funcionar) o sistema de representação que é a base da democracia moderna.

No entanto, também não dá pra simplesmente discordar da atitude dos manifestantes. A verdade é que eles têm razão. O sistema partidário brasileiro está tão deslegitimado que se associar com ele de qualquer forma diminuiria o movimento, e o faria ser visto como massa de manobra, joguete político ou apenas partidarismo descarado mesmo; seria um descrédito para as próprias demandas que eles estão fazendo. E quem se enfiou nesse buraco foram os próprios partidos, que em apenas trinta anos conseguiram acabar com todo o crédito adquirido nas lutas pela abertura política.

Todos os partidos têm um pouco de culpa no cartório. Isso tem a ver com o nosso sistema eleitoral proporcional surrealista, em que o seu voto em um candidato pode ajudar a eleger outro completamente diferente, que talvez sequer pertença ao mesmo partido (pois ele pode estar em uma coligação). Tem a ver com a forma como partidos como o PC do B, PSol e o PSTU se apropriam da política sindical e estudantil, usando-a como plataforma para lançar seus candidatos, e minando a própria credibilidade destes movimentos. Tem a ver com a forma como o próprio PT fez a mesma coisa no passado para crescer e adquirir relevância política – e, tão logo se lançou a voos mais altos, esqueceu completamente da sua base histórica, e o reflexo disso já pôde ser sentido nas últimas eleições municipais, como em Porto Alegre, por mais de uma década reduto eleitoral PTista, que no último ano elegeu uma mísera vereadora para o partido. E tem muito a ver também com a forma como praticamente todos os demais partidos, seja o PSDB, o PMDB, o PP, o DEM/PFL/PSD/qual seja a sua sigla atual, se apropriam da política nacional, tratando-a como um bem particular.

Chegamos a um ponto em que um partido nada mais é do que uma sigla, um conjunto aleatório de letras sem nenhum significado ou valor além de reunir qualquer número de pessoas com um mínimo de interesses comuns. Vejam só: o Partido dos Trabalhadores é formado por empresários; o do Movimento Democrático Brasileiro é autoritário; o da Social-Democracia Brasileira é neoliberal (e se você não entende como isso pode ser uma contradição, vá estudar história e ciência política, diacho); o Progressista é um dos mais reacionários; o Democratas possui as mesmas características, incluindo ideologias e até o viés religioso, dos republicanos norte-americanos; e eu poderia ir adiante.

Resumindo, o sistema partidário brasileiro está moralmente falido, e com ele o próprio sistema de representação política. O futuro talvez seja o que estamos vendo agora: a política da ruas, em que, ao invés de delegar um representante, é o próprio povo que declara diretamente suas demandas. Seria lindo, embora me pareça pouco prático (imagino se toda votação de orçamento tivesse que ser decidida com passeatas de apoio ou repúdio…). Ou talvez sigamos um modelo de democracia direta, nos moldes do chavismo venezuelano, em que tudo é decidido por plebiscitos. O tiro pode até sair pela culatra, e daqui a pouco nós vermos uma resposta dos “donos do poder” faorianos com um retorno a um autoritarismo ainda mais incisivo.

Mas isso já é futurologia. Não sou bom com conjecturas, queria apenas fazer algumas reflexões. E a constatação a que cheguei é essa: a representação política morreu.

Vida longa à próxima política (seja ela qual for).

Come to the Dark Side.

Lendo um texto do Sul 21, portal de notícias ligado algo mais do que ideologicamente à nossa esquerda política, sobre o famigerado encontro de Lula e Maluf pelo apoio na candidatura do Haddad à prefeitura de São Paulo, me vejo perdido em algumas reflexões. Há algumas informações interessantes lá – por exemplo, o fato de que o Maluf também já tinha sido procurado pelo José Serra na mesma semana sem um décimo do estardalhaço -, e alguns pensamentos e interpretações bastante válidos sobre o futuro dos partidos políticos. Ao mesmo tempo em que levanta questões relevantes, no entanto, o texto também se deixa levar por aquele conformismo típico da nossa política, fazendo o papel de advogado do diabo com suas piruetas hermenêuticas na apologia do pragmatismo das alianças partidárias.

No fundo, é claro que dá pra entender o encontro e a aliança decorrente dele sem qualquer dificuldade. É preciso muita má vontade para com o PT para se recusar a ver que se trata de um jogo político, uma forma de adquirir mais tempo nos horários eleitorais, além de angariar toda a militância de um partido tradicional para o seu lado. Ao mesmo tempo, no entanto, cada vez que se vê algo assim acontecendo, a cada mensalão ou Cachoeira ou tanto faz qual seja o alvo da metralhadora giratória da Veja essa semana, se perde um pouco de inocência, e com isso muito da própria fé na política como instrumento de mudança da sociedade.

Como o próprio texto bem destaca, o descrédito das instituições públicas é um fato. É algo que se vê no dia-a-dia, nas charges e piadas sobre políticos sustentados pela população, em qualquer conversa em almoços de família e amigos. Então você tenta puxar tudo o que você estudou de Aristóteles e John Locke, o quanto você leu de Charles Tilly e Robert Dahl e quem quer que seja o cientista político do momento, pra dizer que não é bem assim, que há uma função na política e nos políticos, que o que falta na maioria dos casos é informação adequada… Mas chega um ponto em que não há mais argumentos, a realidade simplesmente supera qualquer base teórica, e o que sobra é esse desânimo com qualquer debate político, a certeza de que seja o PT ou o PSDB, seja a Dilma ou o Serra ou o Aécio, no fundo nada vai ser muito diferente, e que você ganha mais tirando esse tempo pra ler o capítulo de Naruto da semana. Ou alguém duvida que o Serra e o Aécio também não correriam atrás do Maluf, do Sarney e de todos esses caso fossem eleitos?

Não é algo que tenha a ver com ideologias ou simpatias políticas. Não to aqui pra discutir isso, e nem quero pregar adesão ao partido A, B ou C. No fundo, acho que é mais um cansaço mesmo. Cansaço de todo esse pragmatismo, misturado a um pouco de nostalgia das velhas utopias. Seja o comunismo final marxista ou o futuro encantado do progresso capitalista, uma boa utopia às vezes faz falta. Algo com o que sonhar e a ter como objetivo último, mesmo que inalcançável. A única utopia que temos ultimamente parece ser um mundo sem sacolas plásticas nos super mercados.

Às vezes também me pego imaginando se não apoiaria incondicionalmente qualquer um que simplesmente mandasse esse tal pragmatismo às favas. Nem precisa ser alguém com quem eu tenha afinidades políticas ou cujo plano de governo seja razoável. Qualquer um que chamasse um encontro público com o Onyx Lorenzoni só pra quebrar o nariz dele na frente dos fotógrafos já tá valendo.

Sei lá. Coisas de uma madrugada sem sono, talvez.

Ação Magazine #1

Quem acompanha ou já acompanhou em algum momento o “mundo” dos mangás e animes do Brasil, provavelmente já deve ter cruzado ao menos uma vez com o nome do desenhista, roteirista e tradutor Alex Lancaster. Ele já escreveu colunas para o portal Anime Pro, e atualmente o faz no blog Maximum Cosmo, conhecido por seus textos longos (ok… Muito longos) e aprofundados sobre o mundo dos quadrinhos e animação japoneses, repletos de referências e informação. Recomendo uma olhada no trabalho do cara, se não pela qualidade, simplesmente porque se pode ver que é um trabalho feito com gosto e paixão, daqueles que dá até um pouco de inveja por não conseguir se dedicar a nada com o mesmo afinco e vontade.

Uma das questões que ele freqüentemente toca, em todo caso, é no dos mangás (e, de maneira mais ampla, dos quadrinhos como um todo) brasileiros, feito por e para o público de terras tupiniquins. Para quem o lê há algum tempo, é fácil ver que a Ação Magazine, mais do que apenas um projeto comercial, tem ares mesmo da realização de um sonho, e de algo em que, acima de tudo, ele realmente acredita e se esforça para que dê certo.

Aqui acho que posso abrir um pequeno parênteses, e falar um pouco do meu ceticismo pessoal sobre o projeto. Para quem não sabe, a Ação tem o formato de um almanaque de histórias, seguindo o modelo da Shonen Jump, Shonen Ace e outros tantos que, por décadas, foram a origem das principais séries de quadrinhos e animação japoneses. Tais almanaques em geral são grossos, com páginas contadas na base das centenas, são vendidos por preços irrisórios (algo em torno de R$4, ou não muito mais do que isso) e contam com capítulos dispersos de diversas séries – na verdade, ela funciona muito mais como publicidade, para divulgar as séries que depois são reunidas em formatos muito mais luxuosos (e consequentemente caros), os famigerados tankohons.

É inegável que esse modelo funcionou muito bem por diversas décadas no Japão, e o transformou na grande meca dos quadrinhos que ele foi por um bom tempo… Só que nós estamos no Brasil. Não sei dizer até que ponto o público mais amplo por aqui, que permitiria a uma idéia assim se sustentar, de fato abraçaria esse formato. Pelo menos quanto a quadrinhos de massas, esses vendidos em bancas de revista mesmo (porque, como sempre, os quadrinhos de luxo para livrarias são um caso à parte), em geral sempre me pareceu dar muito mais certo o formato de séries fixas, com um grande nome no título para chamar a atenção, e várias histórias dos mesmos personagens incluídas – pensem nos gibis tradicionais da Turma da Mônica e Disney, e até na forma como os comics de super-heróis norte-americanos sempre foram vendidos por aqui.

Mas enfim, ceticismos à parte (e não é como se eu fosse um grande estudioso ou entendido do assunto mesmo), isso não é razão para não reconhecer a coragem do projeto, e mesmo torcer bastante para eu queimar a língua e ele dar certo. É uma idéia que merece sim um voto de confiança, e uma análise cuidadosa dos seus resultados de fato.

Este primeiro volume, assim, contém o capítulo-piloto de três séries. A primeira delas é Madenka, de Will Walbr, e é certamente a mais promissora. Pelo que pude entender desta primeira história, trata-se de uma série de aventura bem ao estilo shonen, com influências evidentes de Akira Toriyama – há lá desde os combates épicos até os animais falantes. Some a isso ainda um protagonista carismático e cabeça dura à lá Naruto e um uso muito criativo e bem executado da cultura brasileira na construção do cenário, fugindo do pedantismo típico de outras histórias que tentam seguir por este lado. Talvez o seu desenvolvimento seja um pouco apressado e mal resolvido em alguns pontos, mas isso não a impediu de me cativar e deixar curioso sobre a sua continuidade.

A segunda série se chama Jairo, é escrita por Michele Lys e Renato Csar com desenhos de Altair Messias, e trata da história de um adolescente praticante de boxe com o sonho de disputar as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016. Pelo próprio tema, é impossível não compará-la de cara com Hajime no Ippo – mesmo o traço e aparência dos personagens lembram um pouco a magnum opus de George Morikawa. Isso posto, no entanto, ela é bastante bem feita e tem qualidades próprias. Seus personagens são carismáticos, e os autores tem um bom domínio narrativo. Se conseguir superar a sombra da sua óbvia inspiração, há potencial para ser uma série bastante interessante. (Por outro lado, se a idéia era incluir uma história sobre combates esportivos, me peguei me perguntando se não seria mais interessante comercialmente, além de mais original, que ela fosse sobre o MMA e o UFC. Mas apenas um devaneio aleatório meu, é claro, que não invalida em nada a escolha feita.)

Por fim, Tunados, de Maurílio DNA e Victor Strang, é a série mais fraca apresentada nesta edição. Não só há também uma sombra evidente de outra série famosa sobre ela – no caso, o mangá/anime de rachas urbanos Initial D -, como a história em si não empolga, e o próprio traço deixa um tanto a desejar, lembrando um pouco o tanto de mangás nacionais genéricos que tentaram fazer sucesso nos últimos dez ou quinze anos. Claro, nada impede ela de se desenvolver bem a partir daí e se tornar mais original e interessante, mas a impressão passada por este primeiro capítulo realmente não foi das melhores, em especial se comparada com a qualidade das outras duas.

Além das três histórias, a revista conta ainda com diversos artigos sobre a cultura pop de maneira geral, incluindo, nesta edição, a história dos hackers, novidades do mundo dos games e gadgets eletrônicos, e sugestões de livros de literatura fantástica nacional (assinado inclusive pela nossa amiga aqui do blog Ana Carolina Silveira, que também mantém blog literário Leitura Escrita). Pessoalmente, achei alguns dos artigos mal diagramados, em especial o sobre literatura, que parece ter as capas dos livros simplesmente jogadas pelas páginas. O conteúdo dos textos, no entanto, é muito bem escrito e interessante.

A Ação Magazine, enfim, é, apesar de tudo, um lançamento bem interessante e promissor, até pela quantidade de conteúdo que se conseguiu reunir com um preço muito convidativo (R$ 9,90, para ser mais exato). Merece sim um voto de confiança, além da torcida sincera pelo seu sucesso.

Esquadrão Econômico BRICman

O planeta Terra está em perigo! O terrível Império do Neoliberalismo Galáctico invadiu os mercados mundiais, deixando atrás de si um rastro de destruição e calamidades – crises financeiras, inflação, desemprego, desvalorização em massa de papéis. Mas ainda há uma esperança! Quatro países emergentes uniram a força das suas economias e aceitaram a difícil missão de proteger o planeta do colapso total. Representado por seus presidentes e invocando a tradição e os poderes dos seus povos ancestrais, eles são o…

ESQUADRÃO ECONÔMICO BRICMAN!

Dilma Roussef, a Bric verde

F0 H2 R3 A1 PdF2 (elétrico) 15 PVs 15 PMs
Vantagens/Desvantegens: Aliado (Tupã), Arma Mágica (Arco-Relâmpago – PdF+1, Ataque Especial, Flagelo [especuladores] – 20 PEs / 2 pontos), Xamã

Tupã
F0 H3 R2 A1 PdF1 (sônico) 10 PVs 10 PMs
Vantagens/Desvantagens: escala Sugoi; Mecha, Metabot*, Voo

Dilma Roussef, presidenta do Brasil, é a Bric verde. Com poderes herdados dos povos tupi-guarani, ela é capaz de se comunicar com espíritos, bem como usar o poderoso Arco-Relâmpago para atacar os inimigos. Seu espírito guardião é Tupã, o deus-céu, que toma a forma de uma grande ave tropical para enfrentar os monstros do Neoliberalismo.

Dmitri Medvedev, o Bric branco

F1 (corte) H2 R2 A1 PdF0 10 PVs 10 PMs
Vantagens/Desvantagens: Aliado (Baba Yaga), Arma Mágica (sabre Shaska – F+1, Ataque Especial, Veloz – 20 PEs / 2 pontos), Invisibilidade, Mentor (Putin)

Baba Yaga
F1 (corte) H2 R2 A1 PdF0 10 PVs 10 PMs
Vantagens/Desvantagens: escala Sugoi; Mecha, Metabot*, Paralisia, Voo

Dmitri Medvedev é o atual presidente da Rússia, e também o Bric branco. Treinado nas técnicas furtivas da KGB pelo seu mentor Vladmir Putin, antigo detentor do cargo, ele também carrega toda a tradição dos cossacos e guerreiros das estepes geladas russas. Sua arma especial é um sabre Shaska, e seu espírito guardião é a bruxa Baba Yaga, que toma a forma de uma grande harpia para ajudá-lo quando necessário.

Pratibha Patil, a Bric azul

F1 (corte) H2 R2 A1 PdF0 10 PVs 20 PMs
Vantagens/Desvantagens: Aliado (Brahma), Clericato, Magia Branca, PMs Extras, Telepatia

Brahma
F2 (contusão) H0 R2 A1 PdF0 10 PVs 10 PMs
Vantagens/Desvantagens: escala Sugoi; Mecha, Metabot*, Membros Extras x2

Pratibha Patil é a atual presidenta da Índia, e por isso a Bric azul. Possui diversos poderes místicos herdados dos brâmanes hindus, e tem como espírito guardião Brahma, o deus criador, que toma a forma de um grande guerreiro humanóide com quatro faces e quatro braços.

Hu Jintao, o Bric vermelho

F2 (contusão) H3 R2 A1 PdF0 10 PVs 10 PMs
Vantagens/Desvantagens: Aliado (Shenlong) Arma Mágica (bastão de três partes – F+1 Ataque Especial, Veloz – 20 PEs / 2 pontos), Ataque Múltiplo

Shenlong
F1 (corte) H0 R3 A1 PdF2 (fogo) 15 PVs 15 PMs
Vantagens/Desvantagens: escala Sugoi; Mecha, Metabot*, Voo

Hu Jintao é o líder do Partido Comunista Chinês, e portanto o atual detentor do título de Bric vermelho. É treinado na ancestral arte marcial do kung fu e nos conhecimentos secretos dos monges Shaolin. Sua arma especial é um bastão de três partes, e seu espírito guardião é Shenlong, um grande dragão serpentino.

*a vantagem Metabot está descrita no netbook Mechas para 3D&T, e funciona basicamente como Parceiro, mas sem requerer que os envolvidos sejam Aliados.

O Poderoso BRIC
F2 (corte ou contusão) H3 R3 A1 PdF2 (fogo ou sônico) 15 PVs 15 PMs
Vantagens/Desvantagens: escala Kiodai; Mecha, Membros Extras x2, Paralisia, Voo

O Poderoso BRIC é o metabot formado pela união dos espíritos guardiões dos quatro BRICman, que eles utilizam para enfrentar os seus inimigos mais poderosos. Seguindo as regras normais de Metabot/Parceiro, ele reúne as melhores características de cada um e todas as suas vantagens, além de pertencer a uma escala superior à deles, ou seja, Kiodai.


Sob um céu de blues...

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