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DEUS

Eu vi Deus, e o nome dele é Eric Clapton. Pra marcar a semana de apresentações dele no país – a primeira delas ontem, em Porto Alegre, e é claro que EU ESTAVA LÁ -, uma pequena ficha de personagem para representá-lo dentro dos parâmetros do 3D&T Rock Band.

Enfim, para entender e usar ela adequadamente você precisará do netbook 3D&T Rock Band, e também dar uma olhada no meu artigo sobre técnicas e estilos musicais. E antes de seguir, apenas lembrando que, segundo a nomenclatura própria do proposta no netbook:

A = Atitude, equivalente à Força ou Poder de Fogo;
T = Técnica, equivalente à Habilidade;
V = Vontade, equivalente à Resistência;
I = Improviso, equivalente à Armadura;
F = Fama, atributo novo descrito no netbook;
PMs = Pontos de Motivação, equivalentes aos PVs;
PFs = Pontos de Fadiga, equivalentes aos PMs.

Eric Clapton
A2 T5 V3 I4 F5 15 PMs 15 PFs

Esilo Blues. Clapton é adepto e um dos grandes nomes do blues, tendo aprendido com alguns dos seus principais nomes históricos, e desenvolvido o seu estilo pessoal a partir deles.

Estilo Rock. Clapton também é um dos principais nomes da história do rock, e ajudou mesmo a desenvolver algumas das suas principais técnicas musicais.

Especialista (guitarra). Clapton, é claro, é conhecido como um dos deuses da guitarra, e é quando usa o seu instrumento de preferência que se sente mais à vontade. Ele gasta apenas metade dos PMs para utilizar quaisquer técnicas de guitarra durante uma apresentação.

Banda de Apoio 4. Clapton possui uma equipe de músicos extremamente qualificada dando-lhe apoio nos shows, provavelmente uma das melhores bandas do mundo. Quando pode tocar com ela, recebe um bônus de +4 em todas as suas jogadas.

Mentor. Embora nunca o tenha conhecido pessoalmente, e na verdade tenha mesmo nascido depois da sua morte, Clapton costuma citar o bluesman norte-americano Robert Johnson como um dos seus mentores, do qual aprendeu e copiou algumas das suas técnicas principais.

Fama. Clapton é uma das figuras mais conhecidas do rock, e portanto possui a vantagem Fama (descrita no netbook Rock Band) no seu nível máximo.

Gibson Les Paul. Quando tocava com o Cream, Clapton costumava usar uma guitarra Gibson Les Paul, um dos modelos mais famosos da história. Você pode considerá-la como um instrumento mágico com as seguintes características: A+2, F+1, Ataque Especial, Flagelo (guitarristas).

Blackie. Na carreira solo, a guitarra que que ficou mais conhecida nas mãos de Clapton foi uma Fender Stratocaster preta, apelidada de Blackie. Você pode considerá-la um instrumento mágico com as seguintes características: T+1, I+1, F+1, Ataque Especial x2.

Especializações. Clapton possui as especializações Instrumentos Musicais (cordas), Canto e História do Blues.

BÔNUS: Clapton, deus menor dos alaúdes e instrumentos de cordas

Outros nomes. Elric entre seu velhos amigos familiares em Petrynia.

Descrição. Elric Clapton foi um bardo meio-elfo nascido nos arredores de Altrim, capital de Petrynia. Começando na carreira musical bastante jovem, logo angariou uma grande quantidade de fãs devido às suas ótimas músicas e, principalmente, a sua técnica impecável no alaúde e outros instrumentos de cordas. Aos poucos a idolatria destes fãs começou a tomar ares de uma verdadeira devoção religiosa, e hoje, décadas depois, ele atingiu o tatus de um verdadeiro deus menor.

Motivações. As motivações de Clapton são bastante simples, e envolvem basicamente viver pela e para a música. Está sempre disposto a conhecer e tocar com novos artistas, além de participar de projetos diversos para divulgar a música em todas as suas formas.

Avatar. Clapton obviamente não possui um avatar, pois é apenas um deus menor. No entanto, ele próprio ainda vive em Arton, tendo residência fixada na cidade voadora de Vectora. Costuma aproveitar as paradas dela para fazer grandes apresentações nas principais cidades do continente, além de alguns pequenos shows regulares nas grandes tavernas locais.

Relações. Clapton possui boas relações com todos deuses ligados à música e às artes de forma geral, em especial a deusa do canto Canora, e, entre os deuses maiores, a deusa da paz Marah. Antes de cair do Panteão, dizia-se que mesmo Glórien, a elitista deusa dos elfos, tinha orgulho da parcela de sangue élfico que corria em suas veias. Os únicos deuses com que ele possui algum tipo de inimizade são aqueles ligados a bebidas alcoólicas, devido a uma trágica história pessoal de alcoolismo.

Crença dos devotos. Música é tudo, e Clapton é DEUS.

Áreas de influência. Música, alaúdes, bandolins, outros instrumentos de cordas.

Símbolo sagrado. Um alaúde estilizado.

Arma preferida. Alaúde (Blackie).

Cores significativas. Preto, azul.

Lema. “Você saberia o meu nome se eu te encontrasse no paraíso?”

Poderes garantidos. Clérigos de Clapton recebem gratuitamente a especialização Instrumento Musical (cordas).

Obrigações e restrições. Clérigos de Clapton devem sempre carregar um alaúde, bandolim ou outro instrumento de cordas consigo, ou não poderão utilizar os seus poderes clericais.

O Criador

Perdido em meio ao vazio havia um galpão. Suas paredes eram feitas de madeiras velhas e úmidas formando um grande retângulo sob um telhado plano de zinco, circundado pelo nada em todas as direções. Não havia janelas ou aberturas exceto por um portão duplo que servia de entrada em um dos lados, com uma corrente de ferro e um cadeado enferrujado fazendo as vezes de fechadura. Seu interior era alto e espaçoso; um observador do lado de dentro poderia pensar mesmo que fosse infinito, pois, dependendo de quão próximo estivesse do centro, seria impossível enxergar os seus limites.

Um velho senhor caminhava apoiando-se pelas paredes. Vestia um macacão gasto e surrado, e tinha uma longa barba grisalha se arrastando pelo chão. Seguia devagar, as costas recurvadas pela idade, em direção a uma mesa de madeira coberta de papéis. Sentou-se com dificuldade em uma cadeira ao lado dela. Olhou para os planos e projetos na sua frente; pegou um lápis e rabiscou alguns cálculos, mediu algumas retas e formas com uma régua, fez anotações nos poucos espaços disponíveis.

Suspirou. Olhou para o lado, e viu o livro empoeirado de onde tirara as anotações iniciais do projeto. Quase riu ao lembrar do que dizia – sete dias! Terminaria em sete dias, e, com alguma sorte, ainda reservaria o último para descansar. Não, era impossível; aquele era o trabalho de uma vida inteira. Gastara a juventude fazendo planos e desenhos, a vida adulta trabalhando nas fundações, e agora a velhice cuidando dos últimos detalhes e fazendo os ajustes finais.

Pelo menos estava próximo de terminar. Levantou e retornou ao emaranhado de átomos e partículas; mediu algumas distâncias, trocou elétrons de lugar. Ajustou a posição de alguns neutrinos, mudou o diâmetro de feixes de fótons. Por fim, exausto, se afastou, e observou o resultado: estava pronto! Cada elemento em seu devido lugar, cada reação devidamente encaminhada. Um sorriso tímido se formou no canto da sua boca, oculto entre os fios grisalhos.

O velho abaixou-se com cuidado e empurrou a pequena partícula que daria início à reação em cadeia. Ela se movimentou e colidiu com outras partículas, que entraram em movimento e colodiram com outras, e assim sucessivamente. Em apenas alguns milhões de anos estrelas se formariam, e então planetas, rochas, bactérias, animais. Tudo começando com aquele pequeno empurrão.

Satisfeito, ele voltou à mesa de projetos, tomando todo o cuidado de não interferir com a sua obra. Sentou-se e observeu-a em movimento. Sorriu mais uma vez e inclinou-se para trás, e então fechou os olhos e adormeceu pela eternidade.

Uma História de Deus

21312747_4É sempre polêmico falar de religião e religiosidade, ainda mais em tempos de avanços científicos e questionamentos éticos e morais que parecem colocá-los sempre em embate com a ciência e o espírito modernos – é muito fácil cair em algum tipo de extremismo, seja o fundamentalismo religioso, que nega qualquer tipo de teoria ou prova científica, ou então um certo tipo de fundamentalismo ateu, que não só nega a religião como ainda tenta desconsiderá-la e desmerecê-la por completo, ignorando que a sua função nunca foi a de apenas explicar o mundo. Por outro lado, é difícil achar algum tipo de meio-termo, não necessariamente de conteúdo, mas principalmente de abordagem; não falo de conciliar os dois lados do embate, mas simplesmente de entendê-los e respeitá-los simultaneamente. Pra mim, o caso mais emblemático que consegue esse feito é o de Joseph Campbell, que estudou a história das mitologias e da religião de um ponto de vista assumidamente ateu, mas nem por isso desprovido de espiritualidade; alguns mais religiosos que lêem sua obra chegam mesmo a dizer que ela foi capaz de reforçar e desenvolver sua fé ao invés de negá-la, como relatou Bill Moyers na famosa entrevista que deu origem ao livro e à série O Poder do Mito.

Karen Armostrong é outra estudiosa que segue pelo mesmo caminho, em grande medida influenciada pelo trabalho de Campbell. Essa abordagem é bem visível em Uma História de Deus, trabalho de pesquisa histórica em que ela analisa o desenvolvimento da idéia e do conceito de Deus nas três grandes religiões monoteístas, a partir de um estudo crítico e detalhado não só da Bíblia e do Corão, mas também das idéias e trabalhos dos grandes pensadores e teólogos judeus, cristãos e muçulmanos de diversas épocas. Desde o Deus-Céu dos povos primitivos até a anunciada morte de Deus no século XIX e ainda hoje, ela evidencia e avalia as diversas modificações e metamorfoses por que o conceito e a visão de Deus passou, constantemente se reinventando e adaptando a necessidades históricas bem mais mundanas do que alguns esperariam; como ela própria diz freqüentemente, uma idéia religiosa, para ter sucesso, precisa, antes de mais nada, funcionar para seus devotos em um determinado momento. E ainda que a sua própria visão da religiosidade fique bastante clara já na introdução da obra, em que relata as razões e o desencanto que a levaram a abandonar o convento onde estudava para se tornar freira, ela em momento algum chega a desprezar a visão religiosa – ao contrário, entendendo e tentando deixar claro que não se trata tanto de um capricho, mas sim de uma necessidade básica do homem, respeita esse culto ao espírito presente nas religiões corretamente concebidas, ainda que não deixe de criticá-las quando lhe parecem não cumprir adequadamente estas necessidades.

Enfim, a obra de Armstrong (e não só este livro), como a de Campbell, é fundamental para qualquer um que queira entender a lógica e o funcionamento do pensamento religioso, sem necessariamente desmerecê-lo. No fim, o grande questionamento que fica não é tanto se há um papel para a religião e a religiosidade no mundo moderno, mas sim que formas ela pode assumir para cumprir o seu papel social e, principalmente, psicológico no homem moderno, sem entrar em conflito com um pensamento científico que, por mais lógico, racional e irrefutável que pareça a muita gente, não consegue satisfazer plenamente a estas necessidades.


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