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The World of Ice and Fire

world of ice and fireThe World of Ice and Fire é um livrão. Tipo, literalmente: tamanho grande, capa dura, mais de trezentas páginas de papel cartonado totalmente colorido. Folheando-o, você se sente folheando um daqueles tomos majestosos e empoeirados que aparecem na série; é até um pouco incômodo lê-lo no banheiro, por exemplo, enquanto ele parece ficar bem à vontade aberto em cima de uma mesa, para ser estudado como um encadernado de documentos históricos do século XIII. O fundo das folhas mesmo parece feito para emular o amarelamento do papel com o passar do tempo, e há um certa brincadeira já na dedicatória nas primeiras páginas – tente adivinhar os nomes que aparecem, meio apagados, por trás do rei Tommen…

É nesse livrão, enfim, que conhecemos a história do mundo de Westeros e além, nos aprofundando naquilo que foi apresentado superficialmente nos livros propriamente ditos da série. Ele foi escrito não apenas pelo George R. R. Martin, mas também com a ajuda de Elio M. García Jr. e Linda Antonsson, criadores do site Westeros.org, o maior portal de fãs da série, dois fãs tão ardorosos que o próprio autor os consulta quando está em dúvida sobre alguma coisa que escreveu duas ou três mil páginas (e vinte anos) atrás. Para acompanhar, foram comissionadas cerca de 170 ilustrações originais de momentos e personagens históricos, todas belíssimas e muito bem executadas, dobrando o valor do livro como um livro de artes.

Enfim, antes de continuar, o aviso de praxe: sim, aqui pode haver spoilers. Esteje ciente.

O livro propriamente é dividido em duas partes fundamentais, ainda que cada uma delas se estenda por vários “capítulos.” Primeiro, somos apresentados à história do mundo da série, com um foco óbvio no continente de Westeros onde se passa a sua ação principal. A narrativa vai desde a aurora dos tempos, quando ele era habitado por seres míticos como os gigantes e as crianças da floresta, passando pela chegada dos primeiros homens, e então as sucessivas ondas migratórias que o ocuparam até a chegada dos Targaryen do império de Valyria; e então se desenvolve como uma crônica da conquista do continente e todos os reis do clã que o governaram a partir daí, até a sua queda e o começo dos livros.

Algumas coisas se sobressaem dessa primeira parte. É bem fácil fazer alguns paralelos em certos momentos com a história do nosso próprio mundo: os First Men, por exemplo, são claramente colonizadores neolíticos, anteriores à invenção da escrita (ainda que sejam citadas algumas vezes que eles possuíam uma escrita rúnica rudimentar); e você consegue facilmente comparar a chegada dos Andals a Westeros com as invasões germânicas do Império Romano, ainda que com certas licenças poéticas (por exemplo, o fato de terem sido eles os disseminadores da fé nos Sete, o correlato local do cristianismo). No fundo, no entanto, e isso fica bem mais evidente com a leitura deste livro, Westeros não é realmente uma versão fantástica da nossa idade média, mas sim um cenário fantástico livremente inspirado nela. Você pode reconhecer algumas inspirações, como o certo tempero mouro da região de Dorne ou os conflitos das “cidades livres” claramente inspirados nas cidades italianas, mas de maneira geral tentar encontrar uma relação exata de cada elemento do cenário com um momento ou situação histórica real será na maior parte das vezes infrutífero.

Isso fica bem evidente quando você para para analisar o escopo da história contada. Para um historiador, é um pouco difícil engolir que tenha transcorrido tanto tempo sem muitas mudanças consideráveis no modo de viver e fazer política do povo de Westeros, ainda mais quando você considera o dinamismo destas relações de poder nos próprios livros da saga. Pelo que se pode inferir, os First Men já se organizaram espontaneamente com modos de governo e sociedade semelhantes ao nosso feudalismo; e esse modo de organização sobreviveu à chegada dos Andals, Rhoynar e mesmo Targaryen. Mas, de novo, é algo que você acaba aceitando como parte da fantasia do autor – trata-se de um mundo em que o feudalismo durou dez mil anos, ao invés de apenas mil. Ou talvez as fontes que chegaram até nós não sejam tão confiáveis assim (mas falarei mais disso adiante). Em outros pontos você consegue claramente perceber as sensibilidades mais contemporâneas de Martin; talvez o elemento mais marcante nesse aspecto seja o papel reduzido que cabe à religião (que, como ficamos sabendo, perdeu uma queda de braço contra o poder secular logo no começo dos reinados Targaryen, e nunca se recuperou – muito mais rápido do que isso ocorreu no nosso próprio mundo), mas há mais.

Outro ponto interessante diz respeito à “voz” escolhida para nos contar a história do mundo. O Maester Yandel não é exatamente uma fonte isenta, e isso fica bastante claro já na dedicatória e os seus desejos e elogios ao rei atual de Westeros (bem como aquele pequeno detalhe já mencionado anteriormente). Isso ajuda a dar bastante cor ao relato, e torna ele de maneira geral mais envolvente e divertido, sobretudo em certas passagens que lidam com o sobrenatural em lendas e histórias antigas – coisas que você sabe que são verdadeiras devido a acontecimentos dos livros da saga, mas que ele próprio tenta racionalizar e encontrar uma explicação mundana. Por outro lado, quando você chega à crônica do reinado de Aerys II, o Rei Louco, e se depara com todos os elogios rasgados à atuação de Tywin Lannister como Mão do Rei, apenas para perceber que elas são baseadas no relato do Maester Pycelle… Bem, é difícil não rir um pouco internamente.

Terminada a história do mundo, enfim, o livro vai para a sua segunda parte, que é a história de cada uma das suas várias regiões. Os Sete Reinos de Westeros (que na verdade são oito…) recebem descrições detalhadas em subcapítulos próprios, com toda a sua história contada desde a chegada dos First Men, passando pela invasão dos Andals e a conquista final pelas mãos dos Targaryen. O foco, no entanto, continua sendo muito mais o aspecto histórico do que o descritivo – ainda que você possa pegar certos aspectos da situação contemporânea de cada região, o livro se dedica muito mais a contar a sua história, as suas linhagens de reis e guerras do que nisso propriamente. A única exceção é o Norte, onde ocorre justamente o contrário: há menos relatos históricos, e mais descrições dos diferentes povos que o compõem, incluindo a Night’s Watch, os clãs bárbaros das montanhas e os cranogmen dos pântanos. Assim, ainda que certamente seja um livro muito recomendado para os jogadores do RPG oficial da série, não me parece que ele simplesmente substitua o (espera-se) vindouro Guia de Campanha do jogo.

E além dos Sete Reinos, é claro, há um último capítulo para as regiões além de Westeros, incluindo as Free Cities e os diferentes povos que habitam o continente de Essos. Aqui é onde o lado high fantasy do mundo se revela mais claramente, com civilizações exóticas e costumes estranhos, além de povos que parecem pertencer realmente a raças diferentes. Claro, há sempre a pitada de sal a se adicionar: na nossa própria idade média haviam muitos relatos de viagens extraordinárias para os extremos do mundo, muitos deles atribuídos mesmo a Alexandre o Grande e suas conquistas, onde viveriam povos estranhos onde os homens teriam cabeças de cachorro ou patas de cavalo. Se eles não eram exatamente corretos então, podemos assumir que provavelmente não sejam aqui também; mas internamente, para o próprio livro, eles são tidos como verdadeiros, e não há razão para tratá-los de forma diferente.

Como para os Sete Reinos, abundam também os paralelos com o nosso mundo. Os dothraki são claramente inspirados nas tribos nômades das estepes asiáticas, como os hunos e os mongóis, e há mesmo uma China genérica no extremo oriente. Mas, novamente, é importante não achar que se trata de uma mera recriação fantástica do nosso mundo, e que todos os povos e costumes necessariamente terão um equivalente real. Ao contrário, a referência que parece predominar sobre as demais é mesmo literária: há mais de um povo cuja história faz referência a “deuses antigos,” e há muitos relatos de civilizações misteriosas de homens-peixe e afins vindo do mar. Outros trechos escancaram a homenagem de vez, dando nome a locais misteriosos como Leng ou K’Dath.

(E há, claro, referências mais divertidas do que cultas também. O clã Jordayne of Tor é um muito conhecido, mas o nome de certos ancestrais da família Tully fará você pensar se a idéia de uma marionete ou joguete político não é um tanto literal no caso deles…)

Em uma avaliação geral, o livro todo é muito bonito e bem escrito. Não há muito o que os fãs podem reclamar, acredito. Talvez pudessem haver mais mapas – apenas as regiões de Westeros e as Summer Isles possuem mapas específicos, enquanto as descrições dos povos de Essos e além, com a localização de rios como o Rhoyne e outros, devem ficar apenas na imaginação. Bem, talvez fosse pedir demais, claro; é bom lembrar que eles possuem como outro produto licenciado um conjunto de mapas das várias de regiões do mundo, e certamente não gostariam de torná-lo desnecessário…

Também é importante que não se compre o livro achando que ele vai revelar todos os segredos da série e ajudá-lo a adivinhar o futuro da trama. Não há muito mais nele que não seja apenas uma expansão daquilo que já aparece na série original, e boa parte das informações novas, como os detalhes mais exóticos dos povos de Ib ou Yi Ti, provavelmente nem apareçam nos próximos livros se não como citações ao vento. A história de certas linhagens e reinos de Westeros vai bem além do que era conhecido, e há muitos novos personagens a se conhecer e com quem simpatizar, mas, se você é um leitor atento, é bem provável que já fosse capaz de inferir a maioria dos detalhes novos sobre aqueles que aparecem em ambas as obras. O livro também cuida de desviar dos momentos mais espinhosos que revelariam o futuro da história, não se perdendo muito nas profecias sobre os Others ou o Azhor Ahai (apesar de que os relatos sobre a Longa Noite e como ela foi vencida da primeira vez permitem alguns paralelos interessantes…), nem se estendendo demais nos eventos específicos que levaram à revolta de Robert Baratheon e o fim da dinastia Targaryen. Apenas os que acompanham a saga paralela de Dunk e Egg, que se passa cerca de noventa anos antes da principal, podem encontrar alguns spoilers, com certos eventos citados que parecem já ter sido feitos para serem desenvolvidos em histórias futuras.

Mesmo assim, em todo caso, não há como não recomendar o livro para fãs da série. É obrigatório.

O Cavaleiro dos Sete Reinos

cavaleiroNem só de zumbis gelados, intrigas palacianas e dragões revividos vive Westeros. (Ok, isso já é bastante coisa de qualquer forma). Além da série principal d’As Crônicas de Gelo e Fogo, o autor George R. R. Martin também possui uma outra série ambientada no mesmo universo – as aventuras de Sor Dunk, o Alto, e Egg, seu escudeiro que é mais do que aparenta, ambientada noventa anos antes dos acontecimentos da saga maior. Ela foi desenvolvida em uma série de novelas – para quem não está acostumado com a nomenclatura, isso significa histórias um tanto maiores do que um conto, mas ainda mais objetivas e longe do tamanho de um romance completo – publicadas em coletâneas de fantasia lá fora, reunidas agora neste volume lançado no Brasil pela editora LeYa.

O livro reúne as três primeiras histórias da dupla: O Cavaleiro Errante, em que sabemos como os dois se conheceram em um torneio fatídico na região da Campina; A Espada Juramentada, em que eles devem ajudar a resolver um conflito entre lordes; e O Cavaleiro Misterioso, em que um novo torneio nas Terras Fluviais esconde uma conspiração muito maior do que aparenta. Originalmente, haviam sido publicadas lá fora em coletâneas de histórias sobre guerreiros; a idéia de Martin era continuar a série de aventuras em outras coletâneas, como Dangerous Women (sobre mulheres perigosas), de 2013, e Rogues (sobre ladrões e trapaceiros), de 2014, mas aparentemente as histórias não ficaram prontas a tempo, sendo substituídas por excertos do livro World of Ice and Fire que deve ser lançado ainda este ano. No entanto, ele diz que pretende ainda seguir com a série, e contar toda a história da dupla até a sua morte.

De maneira geral, pode-se dizer que a Westeros de Dunk e Egg é um tanto diferente daquela que conhecemos na série de TV e nos livros principais. Ainda é um lugar sujo e tomado de intrigas, é claro; mas há mais espaço para honra e heroísmo, com um pouco menos de risco de se ter a sua cabeça cortada por isso. Um escudeiro de um cavaleiro errante de menor importância pode ver a sua vida mudar com um misto de sorte, força de vontade e cabeça-dura, que o fazem cair nas graças de um príncipe de uma certa casa nobre de grande importância. Uma atitude corajosa e honrada, porém estúpida, possui alguma chance de não terminar em uma grande tragédia – mas não de não terminar em alguma tragédia, é claro, com um custo alto a ser pago para compensar a estupidez. Grosso modo, pode-se dizer que é um universo muito mais propício para uma campanha de RPG do que o cenário posterior, durante a sua saga mais importante.

As histórias da dupla são episódicas, o que quer dizer que cada uma conta uma aventura com início, meio e fim. No entanto, é possível ver claramente alguns esboços maiores se desenvolvendo ao fundo, enquanto os protagonistas devem lidar com os espólios da Rebelião Blackfyre, uma revolta envolvendo um bastardo Targaryen pretendente ao trono, citada levemente nos livros principais mas que aqui terminou apenas alguns anos no passado. Aos poucos os temas típicos que permeiam o mundo de Westeros se apresentam, como as noções de honra e lealdade medievais, sempre em conflito com a dureza e frieza da realidade, ou o fato de que toda guerra ou disputa de maior escala é sempre determinada pelos seus tons de cinza, e não por noções maiores de moral e justiça muito bem definidas. Há mesmo espaço para algumas pequenas referências à história maior que se desenvolveria quase um século depois, como a presença de um certo herdeiro da casa Frey, aqui um mancebo de apenas quatro anos, ou um outro personagem importante que depois acabaria levado para o extremo norte do cenário.

Outro ponto relevante é que eu havia lido os livros da série original em inglês, então este na verdade é o meu primeiro contato com a polêmica tradução deles para o português. Muito já se falou a respeito, e eu não tenho muito mais o que adicionar, na verdade. De maneira geral a leitura é fluida e fácil, mas é difícil não se pegar imaginando sobre algumas arbitrariedades nas nomeações. Pessoalmente, sou simpático à idéia de traduzir nomes de pessoas e lugares sim, mas é preciso ser consistente. É meio estranho ver uma espada de aço valiriano ser chamada Irmã Negra, e a outra Blackfyre. Ou então chamar uma cidade de Campina de Vaufreixo mas depois manter todos os nomes bastardos, como Flowers e Rivers, no original. Claro, há que se admitir que algumas traduções seriam ingratas (traduzir o nome de Egg para Ovo perderia todo o seu sentido original, cuja revelação seria um spoiler), mas não se pode dizer isso exatamente de todos os casos.

Enfim, pequenos detalhes à parte, a verdade é que gostei muito de O Cavaleiro dos Sete Reinos. São histórias mais leves, mas que ainda possuem a marca própria de Westeros e d’As Crônicas de Gelo e Fogo. Em certo sentido, achei elas até melhores do que a saga principal – são muito menos ambiciosas, é claro, mas pelo menos são também muito mais divertidas e carismáticas, sem o ar soturno que permeia os Sete Reinos de noventa anos depois. Dunk e Egg possuem naturalmente o tipo de química que a série de TV se esforça tanto para criar com Brienne e Podrick, por exemplo, e no final fica, sim, aquele gostinho e vontade de ler mais aventuras com os dois no futuro.

Crônicas de Espada e Magia

CapaEspadaeMagia1Acho que poucos subgêneros da fantasia são mais conhecidos ou tem mais força do que o chamado espada e feitiçaria (ou sword and sorcery). Você sabe do que eu estou falando: pense no guerreiro musculoso de sunga (“bárbaro,”  diria o seu mestre de D&D) enfrentando sozinho hordas de inimigos com um monstro gigantesco ou feiticeiro maligno (às vezes os dois) no fim da linha. Sim, é o gênero de Conan, Kull, John Carter (com algumas ressalvas) e tantos outros.

Crônicas de Espada e Magia é uma tentativa da editora porto-alegrense Argonautas e da curitibana Arte & Letra de trazer um pouco mais de diversidade para o gênero no país, onde praticamente apenas as criações de Robert E. Howard são conhecidas. Claro, Howard está presente no livro; mas estão lá também nomes importantes que pouco ou nada foram publicados por aqui, como Fritz Leiber e Michael Moorcock; outros mais contemporâneos, como George R. R. Martin (sim, ele mesmo) e Saladin Ahmed (que foi indicado a diversos prêmios importantes este ano com a sua fantasia árabe Throne of the Crescent Moon); e mesmo alguns nomes nacionais que tem se aventurado no gênero, como Carlos Orsi (de As Dez Torres de Sangue) e Roberto de Sousa Causo (de A Travessia e outras histórias de “borduna e feitiçaria” protagonizadas pelo índio Tajarê).

Acho que o ponto que mais chama a atenção na coletânea é a comparação entre as origens do gênero e as suas versões mais recentes. É difícil não notar a grande evolução que há desde O Vale do Verme, a história de Howard que abre o livro, até As Canções Solitárias de Larren Dorr, por exemplo, escrita pelo escritor fantástico do momento, George R. R. Martin. É algo que vai desde a própria escrita – Howard tem um estilo meio cru, herdado dos pulps onde publicava, focado menos na qualidade da escrita do que na ação do enredo, com advérbios e adjetivos em profusão -, até o próprio conteúdo das histórias – o conto de Martin, que é um dos pontos altos do livro, subverte o conflito e a ação que fazem o gênero, estabelecendo um confronto bastante único entre uma heroína que nada tem de masculinizada e um oponente que tenta vencê-la sem o uso de violência, muito pelo contrário, aliás.

Na mesma linha de comparação, acho muito interessante que os dois primeiros contos da coletânea tenham sido o de Howard e o de Carlos Orsi, O Sinal da Forca, que botam em conflito alguns elementos formadores dos autores que criaram o gênero. Howard destila preconceitos e racismo na sua história épica sobre um herói ariano enfrentando deuses ancestrais de civilizações negras; Orsi, ao contrário, coloca como protagonista justamente um guerreiro imortal negro, com uma vivência anterior que o permite pregar a tolerância em suas falas, além de haver mesmo uma certa inversão de papeis com a presença de “bárbaros loiros” e uma civilização negra inspirada na nossa igreja católica.

Poderia me estender bem mais neste tema. Os autores mais atuais, em especial os nacionais, realmente buscaram esticar os limites do gênero, dando a ele ares bem contemporâneos. Há contos de fantasia histórica, como os de Ana Cristina Rodrigues e Roberto de Sousa Causo; um com ecos claros de aventuras de RPG, o de Tiago Tizzot; e mesmo alguns que abusam do humor, como o divertido Cavalos?, de Max Mallmann, que tem como único defeito ser curto demais.

E claro, uma resenha do livro não estaria completa sem comentar as histórias clássicas que temos a oportunidade de ler pela primeiro vez em português. Michael Moorcock está presente com A Cidade do Sonhar, a primeira história do seu personagem Elric de Melniboné, um dos mais clássicos do gênero e que havia aparecido aqui apenas em uma mini-série em quadrinhos e uma edição antiga da editora Francisco Alves. De Fritz Leiber, um dos meus autores de literatura fantástica preferidos, temos Encontro Fatídico em Lankhmar, também a primeira história dos seus personagens Fafhrd e Rateiro, um clássico absoluto da fantasia em língua inglesa que vergonhosamente só havia dado as caras por aqui em uma edição em quadrinhos da editora Devir. E gostei bastante também de conhecer o trabalho de Karl Edward Wagner, cuja história Crepúsculo de Dois Sois, estrelado pelo imortal amaldiçoado Kane, é outro dos pontos altos do livro.

Enfim, Crônicas de Espada e Magia é um livro muito bacana, que combina muito bem os clássicos do gênero a novos nomes de destaque. Muito recomendado para quem quiser conhecer algo mais sobre ele que vá além das incontáveis reedições de A Espada Selvagem de Conan.

Guerra dos Tronos RPG

gdtrpgEu poderia fazer uma longa apresentação do que é Guerra dos Tronos, a série de livros de George R. R. Martin, a série de TV da HBO, e todo o resto, mas, sinceramente, por que gastar tempo e espaço? As chances são grandes de que você provavelmente já saiba do que se trata. Então vamos entrar logo no tema em questão: Guerra dos Tronos RPG, o jogo de interpretação baseado na série.

Para quem não sabe, o jogo é publicado pela Green Ronin, editora gringa conhecida por jogos premiados como o Mutantes & Malfeitores e Dragon Age, com o nome de A Song of Ice and Fire RPG, que é o título original da série de livros. A edição nacional, especificamente, corresponde à Game of Thrones Edition gringa, uma edição revisada e ampliada lançada para acompanhar a série de TV.

A escolha da Jambô, a editora nacional, foi por lançar o jogo em um formato econômico, com ilustrações em preto e branco e capa mole. Sei que muitos já torcem o nariz nesse ponto, mas pessoalmente gostei bastante dela – o papel é mais grosso e áspero do que o usado nos livros nacionais do M&M, por exemplo, então é um livro também um tanto mais resistente, e o preço é bem mais convidativo do que uma super edição de luxo com capa dura. O livro em si é bem gostoso de folhear, e passa uma sensação boa para as mãos.

Quanto ao jogo propriamente dito, o sistema criado por Robert J. Schwalb segue um modelo mais tradicional, com profusão de tabelas e regulamentos detalhados para diversas situações, longe dos experimentalismo e narrativismos que parecem ser comuns recentemente, o que também não quer dizer que simplesmente não haja espaço para interpretação, é claro. O ponto fundamental é bem simples, como qualquer D&D e derivados – role os dados equivalentes à sua habilidade e supere a dificuldade -, mas há uma grande gama de opções e complicações para quem quiser se aprofundar. Também há uma divisão entre dados de atributo e dados de bônus que resulta em uma ficha de personagem que às vezes parece lotada de fórmulas matemáticas complexas – você escreverá lá, por exemplo, “Luta 2 (Briga 2B, Lâminas Curtas 1B)” e outras combinações de números e letras diversas.

A criação de personagens, em todo caso, conta com alguns elementos interessantes. A escolha da idade inicial, por exemplo, já irá determinar boa parte das suas opções – personagens mais velhos começam com mais experiência para aumentar suas habilidades, mas personagens mais novos possuem mais Pontos de Destino, que podem ser usados para adquirir algumas vantagens específicas, além de guardados para usar em jogo posteriormente.

Os personagens também contam com nada menos do que dezenove (!!) habilidades básicas. Cada uma delas é um tanto mais específica do que o que normalmente se classifica como um “atributo” em outros jogos, e certamente não é esperado que todos os personagens gastem pontos em todas elas (isso dependerá do papel que ele pretende cumprir, se será um personagem mais combativo, mais envolvido com intrigas da corte, e etc); mas elas também podem ser aprofundadas com outras especialidades, tornando cada personagem bastante único.

Um cuidado especial ainda é dado para criar a casa nobre a que o personagem pertence. Há um capítulo inteiro dedicado a isso, com detalhes que vão desde os atributos específicos da casa (Riqueza, Influência, Poder, etc) até o próprio brasão e cores tradicionais, contando mesmo com algumas explicações superficiais sobre heráldica. Administrar a casa é quase um jogo dentro do jogo, com rolagens de sorte, construção de edificações, manutenção da lei, etc. Uma das opções de campanha sugeridas no fim do livro até mesmo coloca cada jogador como uma casa inteira, de forma semelhante à adaptação que eu fiz do cenário para 3D&T. A única coisa que não gostei muito aqui é que a criação é obrigatoriamente aleatória – até entendo a razão por trás disso (como o próprio livro diz, é para “refletir os feitos daqueles que vieram antes de você”), mas seria interessante ter uma opção de criação por pontos que desse um pouco mais de controle aos jogadores sobre as origens da casa de que gostariam de fazer parte.

Há três tipos de conflitos fundamentais tratados no jogo: intrigas, combates e guerras. Quem conhece a série sabe que os três são fundamentais para o desenvolvimento da história, e nenhum deles seria dispensável de fazer parte de um jogo nos Sete Reinos. Cada um deles conta com um sistema detalhado, com ataques e respostas, defesas passivas, etc. Não espere, no entanto, facilidade – Westeros é um mundo cruel e mortal, onde geralmente é mais sábio evitar um conflito do que se jogar nele. Não espere sobreviver muito se você aproveita toda oportunidade para sacar sua espada, e, mesmo se sobreviver, provavelmente será cheio de lesões e ferimentos graves.

O capítulo final, enfim, conta com algumas indicações para mestres, coisas como distribuição de ouro, experiência e glória, algumas dicas de narrativa retiradas dos livros (contendo spoilers – leia com cuidado, até porque o livro não avisa da presença deles!), e algumas fichas prontas para coadjuvantes, tanto humanos como animais. Talvez alguns sintam falta de mais detalhes sobre o cenário, que aparece apenas rapidamente no começo do livro, mas é porque este é o livro de regras mesmo – o cenário em detalhes está no Campaign Guide, que o bom senso diz que deverá ser o próximo lançamento.

Também não se pode deixar de comentar da tradução do livro, que teve as suas polêmicas particulares. Pessoalmente, tenho que dizer que a tradução em si está em geral melhor que a oficial, que quem acompanhou o lançamento dos livros por aqui sabe que teve uma série de problemas próprios. Coisas como a tradução de nomes bastardos me parecem bastante corretas, e gostei também mais de algumas opções de nomes para cidades e locais (apenas teria aproveitado a oportunidade para usar o nome espanhol de Winterfell, Invernália, que eu achei uma solução linda demais para um nome que não possui tradução literal de qualquer forma). O problema é que, ao abrir mão de usar os termos oficiais, o jogo deixa também de fazer parte de um conjunto mais amplo com os livros e a série de TV, causando um certo estranhamento e até confusão em quem já os havia adotado. A impressão que passa é que o lançamento não foi para os fãs das outras mídias, mas sim para quem só queria um novo jogo de RPG mesmo.

Em todo caso, Guerra dos Tronos RPG é sim um bom jogo de RPG, ao menos, que traz um cenário envolvente e apaixonante com um sistema de regras que o representa de forma bastante fiel. É uma boa recomendação para os fãs da série original, e também para quem quer um RPG medieval que fuja um pouco do padrão explorar masmorras-matar monstros-coletar tesouros.

Literatura de Aeroporto

Vinte e cinco anos. Esse foi o tempo que Rafael esperou por este momento – o momento de saber, enfim, como terminava a sua série de livros favorita. Atrasos, divisão de volumes, mesmo acidentes e problemas de saúde do autor, e o medo constante de que ele nunca completasse a história… Passou por tudo isso e algo mais, mas agora enfim a jornada chegava ao fim. Pouco menos de cinquenta páginas restavam – cinquenta páginas em que tudo se revelava, os verdadeiros vilões mostravam a sua cara, e as pontas soltas de sete volumes passados se encontravam e começavam a se fechar. O grande mistério que rondava os protagonistas desde o primeiro livro estava a ponto de ser desvendado; bastava virar mais uma página, ler mais uma frase. O vilão riu sadicamente… Assim ela começava, no exato instante em que o avião em que Rafael voltava para casa após um feriado prolongado se chocava contra oceano.

A Dance with Dragons

A Dance with Dragons, quem não sabe fica sabendo agora, é o quinto livro da série A Song of Ice and Fire, do escritor norte-americano George R. R. Martin, a mesma que deu origem à série da HBO Game of Thrones. Nele seguimos acompanhando as intrigas e conflitos do continente medieval-fantástico de Westeros, ainda se recuperando da grande guerra que o varreu durante os livros anteriores.

Toda a história da publicação deste volume, a bem da verdade, já merecia um livro em si. Originalmente a série havia sido pensada como uma trilogia, e A Dance with Dragons seria o segundo livro – edições mais antigas de A Game of Thrones inclusive o anunciavam nas páginas finais como a continuação da história. Não demorou, no entanto, e Martin percebeu que não conseguiria contar tudo o que queria em apenas três volumes, e decidiu aumentá-los para seis, dos quais este seria o quarto. Após o lançamento de A Storm of Swords em 2000, no entanto, enquanto o escrevia, se deu conta também de que ele estava ficando grande demais, e decidiu dividi-lo em dois, publicando A Feast for Crows em 2005. Seguiram-se então seis anos de adiamentos e enrolações, e agora, em 2011, finalmente o temos em mãos.

Essa história conturbada explica muito da expectativa que havia em cima do livro, e para explicar o resto é preciso entender um pouco da sua relação com o anterior. Ao invés de uma divisão cronológica, em que um livro iria até um determinado ponto da história e o seguinte pegaria daí em diante, Martin optou por dividir os volumes espacialmente: ambos compreenderiam o mesmo espaço de tempo, mas A Feast for Crows lidaria apenas com os personagens e situações que envolvessem a região sul de Westeros, enquanto A Dance with Dragons traria os personagens do norte e de outros continentes; no fim, ele ficou também com alguns da metade sul no seu terço final, no pedaço dele em que a cronologia avança um pouco mais, para termos alguma satisfação do que houve com eles depois de tanto tempo. Isso dito, o livro anterior também  já havia sido bem devagar em termos de avanço do enredo e acontecimentos – ele tinha uma função muito mais exploratória, digamos assim, de mostrar como havia ficado o continente após o fim da guerra, e como ele estava se preparando para o inverno (que enfim estava realmente chegando). Mesmo assim, ou talvez justamente por isso, é considerado por alguns o mais bem escrito da série, repleto de passagens cativantes e discursos éticos.

Havia a expectativa, assim, de que este realmente avançasse mais a história, uma vez que os personagens que haviam ficado com ele na divisão eram aqueles com quem, em teoria, havia mais o que acontecer – em especial o Bran, o Jon, o Tyrion e a Daenerys. E isso explica também muito da decepção que o livro foi, uma vez que são justamente estes os capítulos que mais enrolam e divagam, explorando a geografia, a ambientação, a culinária e todos os demais aspectos do worldbuilding fantástico, com algum acontecimento de impacto ficando apenas lá para o final, na forma de cliffhangers muy safados (com a honrosa exceção do Bran, que tem uma participação muito curta de qualquer forma). Os que valem a leitura são muito mais os capítulos dos personagens secundários, que é onde alguma coisa de fato acontece, e onde você consegue ver alguma engrenagem se mexendo para por o enredo em movimento.

Há algumas reviravoltas um tanto gratuitas também pelo livro, em especial uma que eu considero o deus ex machina mais sacana da série até aqui (mas não vou entrar em spoilers, não se preocupem). E os personagens novos também não são tão eficientes em nos cativar como os dos livros anteriores, além de que alguns deles parecem possuir “bucha de canhão” tatuado na testa praticamente desde a primeira aparição. Por outro lado, nos capítulos que valem a leitura, há alguns momentos bastante impactantes, onde sabemos o que houve com personagens sumidos desde o segundo livro, além da punição mais catártica da série toda. Era nisso que o livro deveria ter se focado mais, acredito, e a impressão final que fica é que ele poderia ter metade das mil páginas que tem tranquilamente.

Em todo caso, achei A Dance with Dragons um tanto decepcionante, provavelmente o livro mais fraco da série. Deve-se dar o desconto, é claro, da expectativa gigantesca que havia a respeito – não há como saber se a minha opinião seria a mesma se eu o tivesse lido pouco depois de A Feast for Crows, por exemplo, e não com mais de um ano de diferença, e ainda com toda a tensão e expectativa de não saber quando ele seria lançado aí no meio. E em todo caso, é uma passagem obrigatória para os livros seguintes também (que, espero, serão melhores), e não é de todo ruim ter a oportunidade de rever personagens queridos depois de tanto tempo.

Por fim, para quem já tiver lido o livro, recomendo uma visita na resenha com spoilers protegida por senha do Leitura Escrita, onde se pode discutir ele com mais propriedade sem correr o risco de estragar a leitura dos demais.

A Guerra dos Tronos na Política Brasileira

Dia desses, foi divulgado que a presidenta Dilma Rousseff é grande fã da série Game of Thrones, dessas de não perder um episódio, deixando para gravar quando não pode assistir e comentando com seus assessores o episódio do dia anterior. Como todos vocês já estão cansados de saber, Game of Thrones trata, dentre outros temas, das lutas políticas pelo controle do continente de Westeros, simbolizado pela posse do Trono de Ferro.

Conversando a respeito, eu e a Ana Carolina Silveira do blog Leitura Escrita, chegamos à conclusão de que ela na verdade tem muito em comum com a política brasileira…

(e claro, trolls, tudo é uma brincadeira. Vamos rir de nós mesmos um pouco também, não fazer flame sobre política.)

(estejam avisados também que aqui há spoilers dos quatro livros da série, para quem ainda não os leu ou a está acompanhando apenas pela televisão.)

Os Stark são uma família honrada e justa, cujos membros prezam pela verdade e a lealdade acima de tudo, e não têm medo de perder a cabeça por defender os ideais em que acreditam. Conseguem pensar em um político brasileiro que junte estas características? Pois é, nós também não.

Os Lannister são uma das famílias mais importantes da série, e que não demora em se tornar a mais poderosa do continente, mesmo que apenas por alguns livros.  Em um primeiro momento ela parece um antro de corrupção e depravação, capaz de tudo para conquistar o poder, pouco se importando em quais outras famílias precisa pisar para isso. Nos últimos livros, no entanto, uma outra face dela é revelada – a de uma família unida e fortemente leal aos seus membros, cujos líderes, ao chegarem no poder, realmente acreditam estar fazendo o certo por entre linhas tortas. Eles são, portanto, o PT: se a primeira impressão que se tem deles corresponde quase ipsis litteris à imagem que a direita mais conservadora do país tenta vender, a mudança de perspectiva que ocorre posteriormente ilustra muito bem a visão que os próprios petistas têm do seu partido como a oitava maravilha política do mundo. No fundo, ambos tem a sua parcela de verdade. E nunca é demais lembrar também que vermelho é a cor de ambos.

A outra família protagonista do jogo de tronos são os Targaryen, os filhos dos dragões. Uma família que já gozou do poder no passado, com monarcas controversos – se para uns eles são a idade de ouro, quando o reino era estável e todos viviam em paz e harmonia, para outros são loucos e psicopatas, que ateavam fogo nos seus adversários e gastavam as fortunas reais em projetos inúteis como tentar reviver os dragões do passado. Após serem derrotados de forma humilhante, se encontram atualmente desmantelados, exilados das demais famílias enquanto buscam desesperadamente uma forma de retornar ao trono. Eles são o PSDB, enfim – ou vai dizer que o próprio Viserys não é a cara do tucaninho revoltado estereotipado com horror à “gente diferenciada”?

Os Baratheon chegaram ao trono após uma grande guerra, em que tiraram do poder os monarcas anteriores e assumiram o seu lugar. Desde que o seu principal representante morreu, no entanto, praticamente não têm mais chances de retornar efetivamente ao trono. É o PFL / DEM / qualquer que seja o seu nome atual – formado por oriundos da velha ARENA da ditadura militar, após a morte do seu principal líder, o Antônio Carlos Magalhães, perdeu a maior parte da sua relevância no cenário político do país. Além disso, ambos são também redutos de fundamentalistas religiosos e hoje em dia essa talvez seja a única faceta que apresentam no jogo de tronos. Não possuem a simpatia de ninguém.

Os Tyrell vêm das terras férteis de Westeros, e têm entre seus vassalos os maiores produtores rurais do reino. Além disso, no jogo de tronos, se contentam em ser a esposa do rei – afinal, Margaery Tyrell talvez seja seu maior tesouro. Se alguém quer conquistar os Sete Reinos, é melhor que o faça através do apoio deles. E qual o partido brasileiro que é a principal base de apoio de qualquer um que tente governar, e que está feliz com a posição de vice-presidente? O PMDB, lógico. Como argumento final, quem vai discordar que a Marcela Temer seria uma ótima rainha?

Os Arryn são o povo recluso das montanhas do Eyrie, tão alta e intransponíveis que dizem que ninguém foi capaz de conquistá-lo pelas armas. Após a morte do seu lorde Jon Arryn, quem detém o poder é sua viúva Lysa Tully, irmã da Catelyn, conhecida pelo seu temperamento… er… difícil, além do fato de se recusar a apoiar qualquer dos lados na guerra. Um pouco como o PSOL, a oposição mais barulhenta e histérica que temos no país, mas que se recusa a forjar qualquer aliança e por isso mesmo tem pouca relevância de fato na nossa política

Os Tully são… Quem mesmo? Ah, sim, é a família da Catelyn, esposa do Ned Stark, e basicamente não muito mais além disso. São o PTB, partido trabalhista fundado por Getúlio Vargas e pelo qual ele se elegeu presidente em 1950, mas que desde o seu retorno após a ditadura militar, a despeito da sua importância histórica, caminha com muita pressa para a total irrelevância.

Os Frey são uma família mesquinha e ambiciosa comandada por Walder Frey, um lorde quase centenário que, a despeito da sua idade, mantém ainda a mão de ferro na liderança dos seus descendentes. Seu brasão é o desenho de duas torres ligadas por uma ponte. Eles são o PP do Paulo Maluf, líder octogenário conhecido pela sua, er, “mão” na atuação política, além, é claro, da efusiva promoção de obras públicas de grande porte, como pontes, rodovias…

Os Greyjoy já possuíram um líder com colhões, Balon Greyjoy, que não teve medo de pegar em armas duas vezes contra os reis do continente. Após a sua morte, no entanto, pouco restou da sua família além de um punhado de disputas internas, em que seus herdeiros massacram politicamente uns aos outros pelo seu legado. Um pouco assim como o PDT após a morte do Leonel Brizola, outro líder que não se furtou de pegar em armas contra o governo central quando achou que era necessário.

Os Clegane são vassalos leais aos Lannisters, conhecidos mesmo como seus cães particulares, que é, inclusive, o seu brasão familiar. Seus principais representantes na série são os irmãos Gregor “A Montanha que Cavalga”, conhecido pela sua lealdade e crueldade no serviço ao lorde Tywin, e Sandor “O Cão de Guarda”, um dos guarda-costas fiéis do príncipe Joffrey. São, enfim, o PC do B, historicamente os vassalos políticos mais leais aos lordes petistas.

felicianoOs sacerdotes vermelhos usam a política para espalhar sua religião fundamentalista, para isso entram na base aliada prometendo assegurar o Trono de Ferro. Mas na verdade querem tudo para R’hlorr e seus próprios planos divinos, incluindo projetos que envolvem queimar pessoas em fogueiras e extinguir minorias. Um pouco como o PSDC e todos esses outros partidos dominados por figurões de igrejas pentecostais e outras seitas religiosas.

Bannerhood Without Banners / Irmandade Sem Bandeiras são os representantes do povão em Westeros, um grupo de aldeões e outras gentes diferenciadas ignoradas pelas casas nobres, exceto quando resolvem pegar em armas para defender seus interesses. Um pouco como o PSTU, que também praticamente só aparece no cenário político por meio de bandeiras em marchas, revoltas e protestos genéricos contra qual seja o símbolo do capitalismo imperialista da vez.

Os clãs das montanhas são diversas tribos bárbaras que vivem próximos ao Eyrie, e tem seus próprios interesses e objetivos particulares. Aliam-se quando podem às casas que podem ajudá-los nesses objetivos – no caso da série, os Lannister, através de Tyrion, são aqueles que primeiro percebem a utilidade que podem ter. São o MST, e também a CUT, UNE, UJS e outros grupos e sindicatos teoricamente independentes, mas que nunca se furtam de se aliar aos partidos políticos que melhor servirem aos seus objetivos.

Os wildlings / selvagens são, indo direto ao ponto, o PV: um povo com algum poder em uma região isolada, selvagem, e que apenas alguns dos seus líderes mais delusionais possuem alguma esperança de conquistar ao poder central. Entre eles não está o seu principal nome atual, no entanto, pois ela é…

…a Brienne de Tarth, uma moça bem intencionada e que tem muitos fãs, que já esteve aliada aos dois lados na guerra, mas que todos sabem que nunca sentará no Trono de Ferro. Em outras palavras, a Marina Silva.


Sob um céu de blues...

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