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Triste Fim de Bob

barataasForam milhões de milhões de milhões de centenas de milhões de anos de evolução até que nascesse Bob. Quem era Bob? Uma barata, é claro. Mas não qualquer barata – a barata que resultou desses milhões de milhões de milhões de centenas de milhões de anos de evolução. Ele nasceu com uma mutação no seu código genético, que o tornava superior a todos os seus semelhantes, e tal mutação seria passada adiante para todos os seus descententes, que também seriam superiores aos descendentes das outras baratas, e assim sucessivamente até que uma nova espécie superior de baratas suplantasse completamente a anterior, e seguisse evoluindo até o ponto em que eventualmente as baratas se tornassem a espécie dominante do planeta.

Bob não demorou a perceber o quão superior era às demais baratas da sua ninhada. Viu assustado seus irmãos serem abatidos um a um pelo terrível gás que era expelido para o local onde nasceram, e percebeu que bastava não ser tocado por ele para não ser asfixiado. Assim, evitava ao máximo ser ludibriado para locais fechados demais, onde seria facilmente intoxicado; buscava sempre a segurança dos locais abertos, onde poderia mais facilmente fugir dos malignos gigantes que o perseguiam com o gás assassino. Nunca houve antes dele barata mais hábil em fugir da morte: fingia se dirigir para um lado e esperava seu inimigo começar a se mover para lá, mas logo saía pelo outro lado; começava a subir em uma parede esperando o gás ser expelido, mas antes de ser atingido se soltava e caía suavemente ao chão; corria por entre os perseguidores, fazendo-os trombar uns contra os outros. Ninguém era capaz de pegá-lo.

Assim, Bob habilmente despistou todos aqueles que tentavam matá-lo, e, uma vez achando-se seguro, olhou para trás, vendo seus irmãos inertes, massacrados, mortos. Se baratas tivessem lágrimas, é certo que Bob as teria vertido naquele instante; jurou para si mesmo que vingaria a todos eles, e faria dessa a missão sagrada de todos os seus descendentes. E foi nesse instante de dor e determinação que Bob, distraído, foi atingido por um largo objeto de borracha nos pés de um dos gigantes. Morreu esmagado por um chinelo humano, antes de ter a oportunidade de passar adiante qualquer de seus genes mutantes superiores.

A Situação

A Situação é o primeiro livro do norte-americano Jeff VanderMeer publicado no Brasil, pela Tarja Editorial, que, lançando-o em conjunto com Rei Rato, tem tentado trazer para cá alguns nomes importantes do movimento conhecido como new weird, que fez algum barulho no mercado editorial lá fora nos últimos dez anos. Diferente do livro de estréia de China Miéville, no entanto, este aqui é uma obra bem mais modesta, tanto em tamanho quanto em pretensões. Ao invés de um grande romance, trata-se de uma pequena novela, não muito mais do que um conto alongado, desses que você consegue ler tranqüilamente em uma sentada ou duas.

O tema central do livro é o mundo corporativo e as suas normas e burocracias, mas extrapolados ao nível do caos absoluto, enquanto um determinado funcionário é gradualmente isolado na empresa pelos seus colegas de trabalho sem motivo aparente. Pense nos personagens e histórias em quadrinhos do Dilbert, mas jogados em meio a um cenário surreal repleto de horrores biomecânicos e criaturas monstruosas. O resultado final lembra algo dos Laundry Files do Charles Stross, com os seus horrores cósmicos perambulando em meio aos corredores de um órgão público; e muito dos pesadelos clássicos de Franz Kafka, tendo me remetido durante a leitura tanto às transformações psicológicas de A Metamorfose como aos labirintos normativos de O Processo.

Não sei exatamente como classificar o livro. É sim um trabalho de fantasia, certamente, mas me parece um pouco vazio querer classificá-lo com o mesmo rótulo de um Tolkien ou George Martin, por exemplo. Ele parte muito mais da nossa própria realidade, adicionando elementos fantásticos em situações pontuais; mesmo assim, não acho também que realismo fantástico seja uma boa classificação – não é a mesma cosia que fazem um Gabriel García Marquez ou Haruki Murakami, afinal. As imagens que me vinham a cabeça durante a leitura eram muito mais as das pinturas de artistas como Salvador Dali e Max Ernst: a fantasia usada não como justificativa de todo o enredo, e nem como ferramenta dele; mas sim como subversão da realidade, formando uma espécie de lente de aumento em que os absurdos da rotina em um escritório se tornam mais claros e evidentes. Por isso, acho que talvez a melhor classificação para ele seja mesmo o de surrealista.

Uma coisa que torna a leitura um tanto maçante, em todo caso, é justamente a forma como essa lente parece se aplicar a praticamente tudo. O TVTropes tem uma denominação própria para isso: Our Dragons Are Different (ou Nossos Dragões São Diferentes); é a tentativa de fazer com que uma coisa familiar e clichê fique subitamente original simplesmente trocando algum elemento dela por outro completamente diferente. Então se dragões normalmente cospem fogo, você irá fazer os seus cuspirem relâmpagos; e se arquivos geralmente são grandes armários repletos de papéis e pastas, você os fará como, hum, um tipo de mamífero exótico em estado de decomposição. VanderMeer faz isso o tempo todo neste livro, e depois de encontrar com besouros-espiões, lesma-elevadores e baratas-revólveres, é difícil se impressionar muito.

É interessante também destacar o trabalho gráfico feito pela editora. Até para dar um pouco mais de volume para uma obra que não é assim tão grande em primeiro lugar, foram adicionadas algumas imagens na abertura de cada segmento, sempre acompanhada de versão em negativo no verso da página. Misturando desenhos das criaturas descritas no livro com colagens de fontes, elas conseguem reforçar bem o clima de estranhamento e surrealismo da história, criando um efeito bem interessante como resultado final. Só a fonte escolhida talvez pudesse ter sido menos exagerada (podem ver ela na capa aí em cima), acho, mas aqui é só o meu designer amador interno dando palpites mesmo.

Em todo caso, A Situação é sim uma leitura bem interessante, que usa a fantasia como forma de nos fazer pensar e refletir sobre o nosso próprio mundo um pouco, além dar alguns sorrisos com algumas piadas de humor negro aqui e ali. Mas bacana mesmo seria ver uma obra como Veniss Undergroud, essa sim mostrando tudo que o autor é capaz de fazer, lançada por aqui.

Iniciativa M&M – A Mosca-Cometa

Bueno, trago a seguir o próximo artigo da Iniciativa M&M. O tema da vez, que eu apresento com bastante atraso, é aventuras espaciais; segue, então, uma nova criatura para ser usada em aventuras desse tipo.

Nos confins do espaço, vivendo entre os planetas e galáxias, há toda uma fauna única de animais e criaturas. Dragões do tamanho de estrelas; abelhas cujas colméias são maiores que planetas; aranhas que constróem nebulosas ao invés de teias – a escala e proporção desses seres é inimaginável. A mosca-cometa é uma destas criaturas.

Como o nome leva a crer, estes insetos cósmicos, pelo seu tamanho colossal e forma compacta, são muitas vezes confundidos com cometas quando vistos da superfície um planeta. Com uma dura carapaça, resistente ao vácuo e ao frio do espaço, eles voam entre os planetas, se alimentando das partículas radioativas que compõem os ventos estelares. São geralmente inofensivos, raramente representando grande perigo aos exploradores espaciais e outros habitantes do universo – exceto quando se reproduzem.

A reprodução das moscas-cometas se dá a partir de uma grande ninhada de ovos que são depositadas no subsolo de planetas rochosos. Destes ovos nascem larvas gigantescas que seguirão até a superfície, causando grande destruição e consumindo os recursos naturais disponíveis, até chegarem ao estágio de se metamorfosearem em moscas completas e saírem para explorar o espaço distante. Os melhores ambientes para o desenvolvimento destas larvas costumam ser, justamente, aqueles que permitem o desenvolvimento de vida; por isso, o mais comum é que moscas-cometas procurem planetas deste tipo para depositar os seus ovos.

A única outra ocasião em que uma mosca-cometa pode representar um grande perigo é quando ela morre sozinha no espaço. Quando isso acontece, o seu corpo não pára de se mover, uma vez que no vácuo não há resistência do ar para fazê-lo perder velocidade; seguirá em movimento constante até se chocar com outro objeto espacial ou ser pego no campo gravitacional de um planeta, caindo como um meteoro e causando uma grande catástrofe devido ao seu tamanho descomunal.

Mosca-Cometa (NP 15)
For 58 (+24) Des 14 (+2) Con 34 (+12) Int 2 (-4) Sab 14 (+2) Car 2 (-4)
Res +12 For +12 Ref +6 Von -2
Feitos: Atropelar Aprimorado, Esquiva Fabulosa (visão)
Perícias: Notar 8 (+10)
Poderes: Crescimento 24 (Contínuo, Permanente; Inato), Imunidade 9 (frio, radiação, sufocamento, vácuo), Resistência Impenetrável 12, Sentidos Especiais 1 (visão radial), Viagem Espacial 4 (Poder Alternativo: Vôo 2)
Combate: Ataque -10, Dano +24, Defesa 4, Iniciativa +2
Desvantagens: mudo (muito comum, moderada), sem mãos (muito comum, moderado)

Atributos -8 + Salvamentos 4 + Feitos 2 + Perícias 2 (8 graduações) + Poderes 100 + Combate 32 – Desvantagens 8 = 124pp

Larva de Mosca-Cometa (NP 8 )
For 42 (+16) Des 18 (+4) Con 26 (+8) Int 1 (-5) Sab 10 (0) Car 1 (-5)
Res +8 For +8 Ref +4 Von -3
Feitos: Atropelar Aprimorado, Atropelar Rápido
Poderes: Crescimento 16 (Contínuo, Permanente; Inato)
Combate: Ataque -8, Dano +16, Defesa 2, Iniciativa +4
Desvantagens: mudo (muito comum, moderada), sem mãos (muito comum, moderado)

Atributos -8 + Feitos 2 + Poderes 49 – Desvantagens 8 = 35pp

Só pra constar, esse material foi feito com a ajuda do e-book Unearthly – Cosmic Heroes, que traz algumas regras e dicas para lidar com personagens em escala cósmica no M&M, e pode ser baixado aqui.


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