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The Sacred Book of Werewolf, de Victor Pelevin

– Mas qual a diferença entre um membro da intelligentsia e um intelectual?
– Tem uma diferença grande. – ele respondeu. – Só consigo explicar alegoricamente. Você entende o que isso significa?
Eu assenti.
– Quando você era ainda muito pequena, haviam cem mil pessoas vivendo nesta cidade que eram pagas para puxar o saco de um dragão vermelho horrível, do qual você provavelmente não se lembra…
Eu balancei a cabeça. Uma vez na minha juventude eu havia visto um dragão vermelho, mas tinha esquecido como se parecia – a única coisa de que lembrava era o medo. Era improvável que Pavel Ivanovich tivesse aquele incidente em mente.
– Claro, essas cem mil pessoas odiavam o dragão, e sonhavam em ser governadas pelo grande sapo verde que o enfrentava. Então, enfim, chegaram a um acordo com o sapo, envenenaram o dragão com um batom que receberam da CIA e começaram a viver uma nova vida.
– Mas o que a intelig
– Espere. – ele disse, levantando a mão. – Inicialmente eles pensaram que com o sapo estariam fazendo exatamente como antes, mas receberiam dez vezes mais dinheiro. Mas acontece que ao invés de cem mil puxa-sacos havia apenas a demanda para três profissionais trabalhando em turnos de oito horas para dar ao sapo um boquete majestoso sem fim. E quais dos cem mil esses três seriam, seria decidido em uma competição aberta, na qual os candidatos deveriam não apenas demonstrar suas habilidades, mas também a capacidade de sorrir otimisticamente com os cantos da boca enquanto estavam trabalhando…
– Acho que perdi o fio da meada.
– Esse é o fio da meada. Essas cem mil pessoas eram chamadas de a intelligentsia. E esses três são chamados intelectuais.

(O livro é cheio de problemas, mas essa citação é ótima).

Brunus 42:23

E então aconteceu, exatamente como estava escrito: as trombetas, os anjos de fogo, o retorno dos mortos; o apocalipse, o momento definitivo da humanidade, afinal chegara à Terra. E, a todos aqueles que agora seriam condenados, apenas um pensamento ocorria em suas mentes: tirar satisfações de todos aqueles que, tão engenhosamente, os haviam convencido de que jamais aconteceria.

E assim foi feito. Historiadores, filósofos, escritores, cientistas: nenhum sobrevivia à ira da turba enfurecida, carregando tochas, foices, enxadas, revólveres. “Eu tinha tanta certeza!”, tentava se justificar um deles; “se soubesse antes, também teria me cuidado mais!”, dizia outro; “a culpa é do meu orientador, foi ele que me convenceu dessas idéias idiotas!”, tentava escapar outro. Mas de nada adiantava: enraivecidos e inconformados com o destino que os aguardava, apenas a punição severa e imediata poderia, remotamente, aplacar a fúria insana que dominava os futuros condenados.

E assim se sucedeu o Massacre dos Intelectuais, o ato derradeiro da humanidade antes do julgamento final.


Sob um céu de blues...

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