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Jazz After Midnight

bass

Desde quando sou capaz de me lembrar, sempre fui apaixonado pelo Japão e a cultura japonesa. Amo sushi e saquê. Escrevo haicais eventualmente. Adoro assistir vídeos e competições de artes marciais, e até aprendi as regras básicas do beisebol. O Japão domina mesmo resto dos meus gostos pessoais, desde a música da Carmen Maki e Yoko Kano até os livros do Yasunori Kawabata e Haruki Murakami, e mesmo, vá lá, do Kazuo Ishiguro, ainda que ele seja mais inglês do que japonês. Talvez a principal exceção nesse quesito seja o jazz, que aprendi a apreciar e a amar depois adulto, mas mesmo ele provavelmente se deva muito mais à curiosidade despertada após vê-lo descrito com tanta paixão nas histórias de Murakami-sama. Acho que foram os anos assistindo desenhos animados e lendo histórias em quadrinhos, ou talvez as horas perdidas nos videogames vindos de lá, não sei. Não sou descendente de imigrantes nem tive amigos que fossem na minha infância e adolescência. Como não achar que há algo do Jaspion e dos Cavaleiros do Zodíaco aí no meio?

Por isso, desde que me tornei independente e com uma fonte de renda que me permitisse alguns luxos, transformei em um ritual pessoal viajar até o país pelo menos uma vez por ano ou a cada dois anos. Começou, é claro, como simples turismo: após algum tempo economizando, juntei dinheiro para passar cerca de uma semana em Tóquio durante um período de férias. Conheci os principais pontos da cidade – a Torre de Tóquio, o Palácio Imperial, o Templo Meiji, além, é claro, de Akibahara -, mas não me senti satisfeito. Dois anos depois estava de volta, e desde então, sempre que possível, ou quando o stress por aqui ficava insuportável, eu comprava uma passagem aérea e ia passar alguns dias do outro lado do planeta.

É claro, uma cidade só tem tanto de novidades a oferecer a um visitante tão frequente. Mesmo um país, na verdade, ainda mais um de dimensões tão reduzidas. Mas não me interessava conhecer outros lugares; nunca fui um entusiasta do turismo pelo turismo, de gastar horas sem fim em aeroportos apenas para conhecer culturas exóticas e locais exuberantes. Só o Japão me interessava. Era algo no ar, ou nas pessoas, ou talvez no chão mesmo, que me despertava a vontade de voltar e voltar e voltar ainda outra vez.

Não foi o fato de ter conhecido todos os principais pontos turísticos do país, assim, que me fez parar de visitá-lo. Bem pelo contrário, na verdade: conhecê-lo tão bem reforçava a minha vontade de voltar, de revê-lo e senti-lo novamente. Se não haviam mais lugares a visitar, ainda havia a simples vida das ruas, a energia que emanava dos transeuntes e dos prédios e dos ideogramas luminosos nas placas de lojas e restaurantes.

Gostava de sair dos hotéis onde me hospedava sem um rumo definido e apenas vagar aleatoriamente pelas redondezas. Não me preocupava sequer em marcar o caminho que fazia, apenas dobrando aleatoriamente em ruas, dando voltas e voltas ao redor dos quarteirões. Outras vezes perseguia pessoas aleatórias, apenas para ver onde elas me levavam. Quando decidia retornar, bastava chamar um táxi e dar o endereço e pontos de referência – o idioma, depois de tanto tempo, certamente já não era mais problema. Aos poucos comecei também a aumentar o perímetro destas minhas andanças, me afastando cada vez mais do meu ponto de origem.

O resultado desta brincadeira foi que todo um Japão diferente começou a se revelar para mim. Ruas estreitas, prédios sujos, lojinhas de esquina; ao que parece, mesmo um país de primeiro mundo possui o seu lado pobre e sombrio, que não é exposto em guias de viagens. Se havia um pouco de medo em andar por lugares assim, também havia uma emoção particular em desbravá-los e descobrir um país que se ocultava aos demais visitantes.

Certa vez, comecei a perseguir uma moça que andava pelo centro de Tóquio. Ela se destacava com facilidade na multidão por ser mais alta que as mulheres ao redor, vestindo algo como uma versão moderna de um quimono da época dos xogunatos; por mais que não destoasse das vestimentas modernas que a rodeavam, evocava também uma certa aura de magia e mistério, como um brilho místico que emanava das suas estampas de flores e dragões. Seus cabelos eram longos e escuros como a noite, e terminavam próximos aos quadris modelados pelo vestido, balançando como um pêndulo de hipnotismo.

Ela passou por mim e eu fui fisgado por esse balanço, puxado como um peixe em um anzol através de ruas e avenidas. Mais do que na sua atração sobre mim, havia algo de mágico no seu próprio caminhar: os sinais estavam sempre verdes, ou, quando não estavam, eram as ruas que estavam vazias, e as pessoas desviavam do seu caminho antes que ela precisasse fazê-lo. Nada parecia capaz de interrompê-la. Eu, por outro lado, não tinha tanta sorte: esbarrava em transeuntes, e quase fui atropelado ao menos três vezes. Mesmo assim, não conseguia perdê-la de vista. Se era forçado a desviar o olhar por algum motivo, ela sempre estava lá quando retornava-o na sua direção.

Quando dei por mim estava em uma parte desconhecida da cidade, em uma rua da qual nunca ouvira falar, em um bairro que não me parecia de qualquer forma familiar. O local era mal-iluminado – sequer havia percebido que já era noite -, e parecia haver poeira por todos os cantos. Na minha frente estava um par de portas deslizantes tradicionais de bambu e papel de arroz, sob um grande letreiro luminoso com os ideogramas 河童バー. Kappa Bar. Sem parecer ter outra opção, entrei.

O lado de dentro era melhor iluminado e preenchido por diversas mesas redondas ocupadas pelos clientes, com eventuais vasos de plantas para completar a decoração. Eu era o único gaijin, aparentemente. Em um palco pequeno na outra extremidade um quarteto de saxofone, contrabaixo, piano e bateria tocava standards de jazz; Take the A Train estava terminando quando eu entrei, e logo já começavam St. James Infirmary.

Com alguma relutância, escolhi uma mesa vazia e me sentei. Pedi um drinque com saquê e uma porção de tempura a um garçom tão pequeno que parecia ser mesmo uma criança. Em seguida, comecei a olhar ao meu redor em busca de sinais da mulher que me trouxe até aqui. Não a encontrei em nenhuma mesa.

Decidi relaxar e apenas aproveitar o ambiente. A banda era bastante boa, assim como a comida. Quando reconheci as primeiras notas de Round Midnight, chequei meu relógio: além de bons, eram também pontuais. Acompanhei a execução da música, uma das minhas favoritas, balançando a cabeça e batendo os pés no chão no ritmo dos acordes. Chamei o garçom e pedi outra bebida. Por um instante achei estar sendo observado, mas, ao virar o rosto, tudo o que vi foi a parede de bambu e papel que estava ao lado da minha mesa.

A música seguinte foi Sophisticated Lady. Não havia como esquecê-la: além de tocada com uma maestria incomum, como se o próprio Duke Ellington tivesse descido dos céus para regê-la, bastou os primeiros acordes ressoarem pelo salão para que uma salva de palmas se espalhasse por todas as mesas. Uma mulher caminhava por entre elas em direção ao palco, então subiu e posicionou-se à frente da banda. Sim, era ela: a mesma que havia me hipnotizado na rua e trazido até o bar. Pude reparar com mais atenção as suas feições agora que a via de frente, a pele pálida como arroz, os traços delicados como se pincelados com nanquim. Seu rosto arredondado era modelado com um queixo fino, dando por vezes, se olhado por um ângulo específico, uma impressão de profundidade, como se eu estivesse olhando para o focinho de uma raposa.

Ela acompanhou em silêncio o fim da música, apenas balançando o corpo suavemente no seu ritmo, e então aproximou os lábios do microfone à sua frente, tocando-o com delicadeza. Quando a voz saiu, tinha a potência de uma onda quebrando na costa, uma força da natureza que invadia o mundo dos mortais.

Once I lived the life of a millionaire…

Foi um choque: a sua aparência frágil em nada sugeria o vigor bruto que eu sentia ao ouvi-la. A força da sua voz me fazia até mesmo ignorar a sua beleza; eu fechava os olhos e me imaginava ouvindo a própria Bessie Smith ressucitada. Pela segunda vez me sentia hipnotizado, agora pela audição.

O set vocal foi pequeno, com apenas três músicas. Ao fim delas, acompanhada pelos olhares de todos os presentes, ela desceu do palco e voltou a caminhar pelo salão. Senti um calafrio percorrer a minha espinha: ela mantinha os olhos fixos nos meus, vindo devagar em direção à minha mesa.

Sentou-se ao meu lado sem pedir permissão, e sem que precisasse pedir um garçom colocou um drinque à sua frente. A banda voltara a tocar, alguma faixa do Kind of Blue do Miles Davis. Um turbilhão de coisas passava pela minha mente: lembrava da perseguição no centro, os seus quadris balançando, a entrada no bar, os olhos dos outros clientes virando-se na minha direção. Senti meu rosto enrubescer, sem saber o que ela diria a respeito. Quando falou alguma coisa, no entanto, parecia estar alheia a tudo isso.

– Gostou da apresentação?

Demorei alguns segundos para responder, o que não pareceu surpreendê-la. Balbuciei que sim com alguma dificuldade. Ela então tomou um gole da sua bebida e seguiu falando sobre a qualidade dos músicos, a acústica do salão, a execução de standards famosos. Eu balançava a cabeça eventualmente, e de vez em quando dava alguma resposta monossilábica apenas para continuar a conversa.

Não sei exatamente quando percebi que havia alguma coisa… Diferente naquele bar. Em algum momento, entre um comentário sobre a vida pessoal de Charlie Parker e um sobre os improvisos dissonantes do Thelonious Monk, eu me virei rapidamente para o palco e percebi que não haviam músicos sobre ele. Mas a música continuava a ser tocada – os instrumentos simplesmente o faziam sozinhos! O saxofone flutuava enquanto cantava as suas notas, e o contrabaixo vibrava as suas cordas sem que ninguém as tocasse. As teclas do piano se moviam sozinhas, da mesma forma que os pratos e tambores da bateria.

Olhei para o meu copo, me perguntando o quanto já havia bebido, mas a verdade é que não me sentia embriagado. Aos poucos, comecei a perceber os tipos que ocupavam as mesas ao meu redor: logo ao meu lado uma moça com duas bocas, uma delas no lado de trás da cabeça, no meio dos seus cabelos, devorava um combinado de sushi e sashimi; um grande pescoço se contorcia por trás dos clientes, terminando em uma cabeça que roubava batatas fritas de uma mesa vários metros distantes de onde estava o corpo da sua dona; um menino de um olho só molhava os lábios com um língua enorme, enquanto olhava com um sorriso assustador para um prato de torta de chocolate na sua frente.

Olhei para os vasos que decoravam o ambiente, e percebi que as plantas tinham frutos que pareciam cabeças humanas. Os quadrados de papel nas paredes de bambu tinham olhos que observavam tudo o que acontecia no salão. Em algum momento eu me desculpei com a minha acompanhante e disse que precisava ir ao banheiro; chegando lá, no entanto, dei de cara com um menino assustador de pele vermelha e apenas um dedo em cada pé. Dei meia-volta e resolvi voltar para minha mesa, mas no caminho acabei pisando sem querer em uma das caudas de um gato que se apoiava sobre duas patas em frente ao balcão do bar. Ele soltou um grito e eu tentei me desculpar, mas antes que percebesse já estava recebendo uma chuva de tapas das suas patas dianteiras.

Quando retornei encontrei a cantora conversando com o garçom, que só então reparei ter pele esverdeada e escamosa, com uma espécie de casco sobre as costas e um rosto alongado e reptiliano. Ela me disse que a conta estava paga e um táxi nos esperava do lado de fora. Consenti, e não questionei quando ela entrou comigo no carro e me acompanhou até o hotel.

Logo que entramos no meu quarto ela me jogou sobre a cama e começou a se despir. Não sei se era a minha imaginação ainda em choque pregando peças, mas na sua silhueta na escuridão eu podia jurar ver um par de caudas sendo soltas quando ela se desfez das peças inferiores. Só sei que ela veio por cima de mim e começou a morder o meu ombro suavemente com seus dentes afiados. Pouco depois eu me virei e fiquei sobre ela, deixando-a me abraçar e arranhar com unhas que pareciam garras. Seus gemidos soavam de alguma forma como uivos para o luar.

Acordei na manhã seguinte me sentindo cansado e fraco. Não havia qualquer sinal dela pelo quarto, exceto por uma profusão de pelos finos sobre a cama. Ao checar no espelho, ainda podia ver as marcas de onde ela me arranhara e mordera na noite anterior.

Gastei o resto da viagem procurando aquele bar. Tentei refazer meus passos, lembrar de pontos de referência, até perguntar para nativos se o conheciam, mas nenhum jamais ouvira falar dele. Outras vezes apenas caminhava sem rumo pelo centro de Tóquio, esperando que a mesma mágica que me fez encontrá-la daquela vez acontecesse novamente.

Voltei para casa. Retomei minha rotina. Isso foi há… Dois anos? Três? Por algum motivo, no entanto, não tive coragem de retornar ao Japão desde então. Mais de uma vez busquei uma passagem na internet, mas sempre no último instante algo me fazia fechar o navegador sem completar a compra. Era como se tivesse perdido algo naquele dia – algo que, mais do que me fazer falta e motivasse a minha busca, na verdade me enchia de medo de ser recuperado.

Rolando e Tombando

Aí eu tava vendo o show de reunião que o Cream, uma das melhores bandas de todos os tempos, fez no Royal Albert Hall, em Londres, em 2005. Lá pela metade da apresentação, eles tocam um dos clássicos que praticamente todo roqueiro inspirado pelo blues já regravou. Essa aí de baixo:

 

Lá pelos 2:30 de vídeo, aproximadamente, uma imagem me pegou: um cara no meio da plateia, ela toda sentada, enquanto ele de pé se mexia ao som da música. Fiquei imaginando o que o resto do público tava pensando ao ver ele assim, e do mico que ele estava pagando… Até que percebi que talvez ele fosse o único que estava realmente fruindo a música da forma como ela foi feita para ser fruída.

Quer dizer, por toda a sua história, o blues, assim como o rock depois dele, foram o exato oposto daquilo que se vê ali: uma apresentação de conservatório, com todos os espectadores sentados e bem comportados fruindo o seu recital. Ele era, muito ao contrário, a música das festas das classes baixas do campo, dos “bailes” em que eles deixavam escorrer todo o estresse da semana pesada em trabalhos. Quer dizer, basta ver o próprio nome da música: Rollin’ and Tumblin’, “rolando e tombando” – qualquer semelhança com um clássico nacional como este aí embaixo…

 

…não é mera coincidência não.

Levanto essa semelhança principalmente para destacar o quanto de hipocrisia se tem ao falar de estilos musicais mais recentes, quando apreciamos sentados e bem comportados em nossa sala, com uma dose de uísque na mão, canções que, na verdade, surgiram quase que exatamente do mesmo contexto.

Você pode pegar praticamente qualquer crítica que se faz hoje em dia ao sertanejo ou ao funk carioca e aplicar, quase palavra por palavra, ao blues, ao jazz e ao rock de menos de um século atrás, ao menos da forma como eram vistas pela classe média e alta da época. Veja o que diz o mestre Robert Crumb, por exemplo, sobre um livro que fala a respeito dos bailes de jazz da década de 1920: ele fala da Chicago dos anos 1920, de todos os grupos conservadores que pensavam que os salões eram antros de iniquidade, corrompendo os jovens para uma vida de bebidas, de libertinagem sexual, etc. (Blues, p. 98).  Não é a mesma coisa que se diz de um baile funk hoje em dia? E foi desse ambiente que saíram Bessie Smith, Billie Holliday e tantos outros que são ouvidos hoje nas salas de estar de apreciadores brancos de classe média-alta.

“Ah, mas é muito diferente!,” diz você. “Eles eram muito melhores naquela época do que esses estilos de hoje, com os refrães silábicos, os ritmos repetitivos, a falta de técnica em geral…” Bem, deixa eu mostrar abaixo uma outra regravação do Eric Clapton, essa do seu acústico.

Se isso não é um refrão silábico, eu não sei o que é. Se você tirar todos os hey, hey, baby, hey da música, deve sobrar uma estrofe inteira, talvez. A própria questão da técnica é relativa: volte ao primeiro vídeo, o do show do Cream, e preste atenção em como o mesmo Clapton toca a guitarra. Praticamente todo ele é feito no slide; não há qualquer acorde formal ou técnica tradicional. Reza a lenda (não sei até onde isso pode ser verdade) que o próprio acessório que ele usa para tocar teria sua origem em gargalos de garrafa de bebidas, que os bluesmen da época quebravam e usavam para tocar violão – daí o nome do estilo bottleneck slide, ou slide do gargalo de garrafa. Mas para um músico erudito, que aprendeu a tocar em um conservatórios com o apoio de regentes e partituras, deve soar como algo não muito melhor do que um chiado de televisão (a menos que ele seja o Hermeto Pascoal, é claro). Não é bem à toa que o blues, como o jazz, só foi ser formalizado e convertido em linguagem de partituras muito recentemente, coisa de poucas décadas atrás.

Na verdade, se você reparar bem, a própria sequência de acordes de ambas as músicas é muito fácil de se pegar: mi, lá e si, repetidos à exaustão; a famosa seqüência I – IV – V do blues, que tanto se vê em incontáveis outras canções – procure no repertório do próprio Clapton. E existem blues ainda mais simples – Spoonful, outro clássico regravado por mais roqueiros do que uma banda militar, usa apenas duas notas repetidas a música inteira. Se você acha a batida do funk repetitiva, pergunte para alguém que não gosta de blues ou de rock o que ele pensa a respeito. Ora, essa semana mesmo, vi gente comparando o funk ao heavy metal sob o pretexto de “ser tudo barulho indiscriminado.”

Enfim, a verdade é que falar desse tema já é meio repetitivo para mim. Vez por outra volto no assunto, e um dos meus posts mais visitados do blog fala justamente sobre isso. Poderia me estender mais sobre diversos outros aspectos – mal falei sobre a questão das letras, por exemplo. Tanto se fala que “funk é só baixaria,” mas poucos lembram que o termo rock, e até mesmo o jazz, na verdade, surgiram como gírias para o ato sexual – dá toda uma nova perspectiva sobre músicas como We Will Rock You e I Wanna Rock and Roll All Night, não? Poderia ainda citar outras músicas que, olhadas friamente, falam praticamente da mesma coisa, mas, por não serem cantadas por funkeiros de favela, são consideradas belíssimas letras de rock, MPB ou outros estilos.

A questão é que esse preconceito sobre a música é, na imensa maioria das vezes, apenas um preconceito social, ou até racial, disfarçado. Nisso, pelo menos aqueles que reclamam do funk como cultura da pobreza estão sendo pelo menos um pouco mais sinceros: é a perplexidade de quem está acostumado a pensar no trabalho e dinheiro como valores maiores do homem sobre uma parcela da população que não precisa disso para ser feliz, mas quer apenas andar tranqüilamente na favela onde nasceu.

Missão

A lua em minguante brilhava entre as estrelas, mas pouco iluminava o solo. À frente de um edifício sombrio protegido por cercas e câmeras de vigilância, dois homens vestindo ternos azuis e óculos escuros se enconstavam na parede, cada um de um dos lados de uma porta lateral. Um deles tinha na boca um cigarro, a fumaça saindo de sua ponta e se perdendo na escuridão, enquanto o outro falava algo que terminava em uma grande gargalhada.

De repente, uma explosão ecoou ao longe. Os dois se olharam assustados, sacando suas armas da cintura, e se colocaram em prontidão, examinando o ambiente em volta. Um deles se virou surpreso para o lado, tentando acompanhar uma sombra que se movia velozmente; antes que pudesse virar de novo seu peito já havia sido perfurado em um espirro de sangue por uma lâmina vibrante. O outro tentou reagir, mas era lento demais: antes de levantar completamente a arma seu braço já estava caído ao chão, separado do corpo com um golpe rápido. Gritou de dor e pavor, antes de ter o crânio perfurado pela mesma lâmina vibratória.

Caminhando entre os corpos, um grande homem com máscara e roupas negras se aproximou da porta. Colocou o rosto de lado junto à ela, buscando ouvir o que se passava atrás; abriu-a em um movimento rápido, atirando para dentro duas granadas que trazia presas à cintura, logo em seguida fechando a porta novamente em uma batida brusca. Ouviu a explosão, abriu a porta novamente e correu para dentro, entre fumaça e corpos cambaleantes. Correu entre tiros no escuro, perfurando e cortando corpos e membros que encontrava pelo caminho, e chegou até o elevador, entrando e deixando a porta se fechar atrás de si.

O elevador se abriu vários andares acima, sendo recebido com uma chuva de tiros disparados por homens de terno do lado de fora – mas estava vazio. Atônitos, os homens olharam para dentro, logo reparando que havia um buraco no teto. Foram então surpreendidos por um par de pés que desceu dali, acertando e derrubando aqueles que estavam à frente; o homem mascarado pulou para fora e saiu correndo, desviando de tiros e decepando mais membros no caminho.

Chegou até uma escadaria, e subiu correndo outro andar. Logo na saída esperavam por ele dois homens de terno, que tiveram os braços cortados e os corpos usados como escudo contra os tiros dos que estavam atrás deles. O homem mascarado pulou por entre eles, esquivando de tiros com cambalhotas e cortando membros e cabeças com sua espada vibratória. Por fim correu até uma porta do outro lado do andar, abrindo-a com um chute e fechando-a em seguida atrás de si.

Do outro lado da porta, um jovem em um balcão olhava assustado para ele. O homem então retirou a máscara, revelando os cabelos grisalhos, os olhos cansados e as rugas espalhadas por toda a extensão do rosto. Caminhou com calma até o balcão, olhando o rapaz nos olhos e dizendo com força e decisão:

– Vocês vendem discos de jazz?

– N-não… – gaguejou o jovem em resposta.

O velho deixou escapar um longo suspiro de decepção, e recolocou a máscara. Caminhou de volta até a porta e a abriu, rapidamente desaparecendo do outro lado em um vulto sombrio.

Lado B

Ainda se lembrava de quando, aos 25 anos, colocou o disco na vitrola e a música começou a tocar. Ouviu os primeiros minutos de pé, os olhos fechados, a mão a balançando no ritmo da bateria, a cabeça acompanhando os solos de guitarra, piano e saxofone. Que expressividade! Que precisão! Que harmonia! Decidiu sentar no sofá, ao lado do som, e fitar o vazio enquanto ouvia com calma e atenção cada nuance do arranjo, cada acorde dissonante, cada virada precussiva por que passava.

Aos 75 anos, levantou. Era hora de trocar o lado do disco e ouvir a outra metade da música.

História Social do Jazz

33918_4Estudar história de certa forma te deixa uma pessoa mais chata, em grande parte porque deixa o teu mundo um lugar mais chato. Nada tira mais a graça de uma paixão do que entender profundamente como ela funciona; é como aquele truque do coelho, que nunca mais é o mesmo depois que você descobre que a cartola tem um fundo falso. O que fazer, então, quando o próprio mundo é o teu objeto de estudo? A ignorância é uma bênção, dizia aquele personagem do primeiro Matrix, e com o tempo eu aprendi a concordar com ele em algum nível, pelo menos.

Por isso, é de se admirar a coragem de Eric Hobsbawn em estudar a fundo uma de suas principais paixões, no seu clássico trabalho História Social do Jazz. Hobsbawn, é bom destacar, é considerado por muitos, e com toda justiça, como um dos principais historiadores ainda vivos, plenamente lúcido e produtivo aos 90 anos de idade, freqüentemente lançando novos livros de análise a partir da sua vasta experiência de vida profundamente entrelaçada com a própria história que estuda. E a sua obra sobre o jazz, aventurando-se no campo da história cultural em contraste com os seus temas de análise mais comuns, é certamente um clássico, analisando as condições sociais específicas que levaram ao desenvolvimento do estilo e as suas principais transformações e realizações musicais, buscando sempre fugir do lugar-comum e das idéias pré-concebidas a respeito.

O livro se divide em quatro partes, a primeira reconstruindo a trajetória histórica do jazz, a segunda falando especificamente da música, a terceira analisando o jazz enquanto produto de consumo, e a última falando das pessoas que fazem o jazz, tanto músicos como também o público. Algumas passagens podem ser um pouco complicadas de entender para quem não for iniciado nesse mundo, é bem verdade – eu, pelo menos, que tenho um conhecimento um pouco limitado a respeito (conheço os nomes principais, e uma meia dúzia de outros um pouco mais afastados do público comum), me senti um pouco perdido em meio a impressões e citações sobre artistas que nunca ouvi, principalmente na segunda parte -, mas, em geral, ainda é uma obra que pode ser tranqüilamente compreendida por alguém que tenha tido um contato apenas superficial com o jazz. E é digno de nota como Hobsbawn consegue se manter crítico e lúcido dentro de um tema em que, por ser a própria razão que o levou a escrever, é tão fácil se deixar levar por paixões e devaneios; algumas das passagens do livro acerca do público e da indústria do jazz, por exemplo, chegam mesmo a oferecer, para alguém com alguma percepção, uma interessante base de reflexão sobre outros ramos da indústria de entretenimento.

É bom destacar, no entanto, que se trata de uma obra um pouco datada – como o próprio Hobsbawn admite na introdução adicionada à reedição de 1989, na época do lançamento original do livro, em 1961, não havia como imaginar que um gênero popular então recente como o rock se converteria em um paradigma de tão grandes proporções, e acabaria condenando o jazz a um certo ostracismo e elitismo nas décadas seguintes. É possível ver alguns exageros quanto ao significado e importância do jazz no contexto da cultura ocidental, bem como suposições e previsões a respeito do seu desenvolvimento futuro que pareceriam plausíveis então, mas hoje, com mais de quarenta anos de vantagem histórica para analisar, acabam soando um pouco fora de contexto. No entanto, mesmo com essa pequena ressalva, a análise histórica e social do jazz permanece bastante relevante, se considerarmos que, independentemente da sua popularidade atual, trata-se de um estilo com influência marcante em toda a música ocidental contemporânea, tanto na popular, como o próprio rock, como também na erudita.

3D&T Rock Band – Os Estilos Musicais

desktop_jazz_bandAgora, então, você já sabe como conquistar o mundo da música nas suas campanhas de RPG. Como? Ainda não sabe? Então vai lá e baixe o 3D&T Rock Band para descobrir, ué!

Enfim. O material do referido netbook contém alguns apontamentos e sistemas mais básicos – regras e dicas gerais para criar personagens, realizar apresentações e conquistar fama no meio musical, principalmente. O fato dele não se afastar muito das regras do 3D&T permite que já seja possível uma gama ampla de opções de jogo, bastando usar as vantagens e elementos do jogo normal descritos no manual básico; no entanto, às vezes pode fazer falta algo mais específico, que dê realmente a sensação de utilizar aquele tapping furioso, ou aquela seqüência matadora de power chords, ou ainda aquele solo encantador de guitarra slide.

Pra isso, então, eu apresento este pequena sistema opcional de estilos e técnicas musicais. Com ele, é possível aprender as técnicas especiais dos principais estilos da música contemporânea, e então arrasar com a platéia sempre que a banda subir no palco!

Os Estilos Musicais
Este sistema é baseado na aquisição de Estilos musicais, que são conjuntos de técnicas e conhecimentos utilizados por músicos de um determinado estilo. O Estilo Metal, por exemplo, reúne técnicas e conhecimentos relativos a músicas de metal, enquanto Rock reúne esses elementos para músicas de rock, e daí por diante.

Cada Estilo funciona, basicamente, como uma Escola de magia: custa 2 pontos, e permite o acesso às diversas técnicas musicais descritas mais adiante. Os Estilos descritos neste artigo são:

Blues. Alguns dizem que o blues não é tão ruim / Mas é o pior sentimento que um homem pode ter, diz um famoso blues de Robert Johnson. É uma música marcada pelo lamento – sobre trabalho nos campos de algodão, as enchentes do rio Mississipi, a perda da mulher amada. Conhecida pelos seus solos melódicos, às vezes o próprio instrumento parece chorar junto com o músico; mas também possui momentos mais animados, com músicas agitadas tocadas em festas para levantar o público na pista de dança. Sua história pode ser traçada desde as work-songs entoadas por escravos negros trazidos à América até os artistas errantes do século XIX e começo do XX, que vagavam de cidade em cidade cantando em festas populares em troca de pouso e comida. É também um dos principais estilos originais da música norte-americana, com diversos artistas conhecidos e reverenciados no mundo todo, e que está na origem de outros importantes estilos contemporâneos, como o jazz e o rock.

Jazz. Se o blues tem a sua origem na área rural, com os escravos dos campos de algodão e os músicos errantes do sul dos Estados Unidos, o jazz é uma música urbana por excelência, desenvolvida nos guetos negros que se formaram em grandes cidades norte-americanas nas primeiras décadas do século XX. É, em um primeiro momento, uma música de festa, predominantemente instrumental, com ritmos voltados para a dança e conhecido pelas longas improvisações dos seus músicos. Ao longo do século passado, deu origem ainda a diversas correntes diferentes, como o bebop de Thelonious Monk ou o cool de Miles Davis, dando maior ênfase à experimentação sonora, e tendo influênciado até mesmo algumas correntes de música erudita.

Rock. A música jovem de consumo por excelência. Sua história pode ser traçada desde o rhythm & blues dos anos 40 e 50, apropriado posteriormente por artistas como Bill Haley, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis, e depois ainda pela geração de bandas inglesas que consolidou o estilo em definitivo, como Beatles, Rolling Stones, Cream, The Who e outras. É provavelmente o estilo musical mais difundido mundialmente, a partir da expansão da indústria cultural norte-americana durante a Guerra Fria, tendo artistas reconhecidos em praticamente todas as partes do mundo. Possui também uma miríade quase infinita de sub-gêneros, como hard rock, rock progressivo, southern rock, etc.

Punk. Conhecido pelas suas bandas com mais atitude do técnica, o punk é uma vertente do rock originária dos anos 70, em bares norte-americanos e ingleses freqüentados por jovens descontentes com a música e a situação social dos seus países na época. Seus artistas costumam ter uma postura bastante agressiva nos palcos, gritando e provocando o público, e é um estilo conhecido também pelo forte teor crítico das suas letras, que denunciam problemas sociais e políticos, e muitas vezes fazem apologias abertas ao anarquismo. Com o tempo, também deu origem a diversos sub-gêneros mais ou menos alinhados às suas idéias iniciais, como a new wave, o hardcore, o psychobilly, e outros.

Metal. Outro estilo derivado do rock, o metal se desenvolveu a partir de bandas inglesas que, na viada dos anos 60 para o 70, passaram a desenvolver um maior virtuosismo técnico, sobretudo nas guitarras, e a fazer experimentações cada vez mais profundas com distorções sonoras, resultando em músicas progressivamente mais pesadas e furiosas. O Black Sabbath é geralmente considerada a banda precursora do gênero, trazendo também os elementos temáticos que ficaram associados a ele, como as letras falando de satanismo e pactos demoníacos. Desde então o estilo também se dividiu em diversos sub-gêneros com características variadas, como death metal, doom metal, black metal, thrash metal, etc.

Comprando a vantagem relativa a um destes estilos, o personagem pode utilizar as técnicas musicais iniciais descritas adiante, além de aprender novas técnicas do estilo durante a campanha.

Instrumentos
Além de um estilo musical, algumas das técnicas descritas a seguir também especificam um determinado instrumento para serem usadas. São técnicas exclusivas daquele instrumento: um personagem tocando bateria certamente não pode fazer um duck walk, assim como um vocal gutural só pode ser feito, bem, com um vocal. O personagem não precisa, no entanto, de qualquer outra vantagem para aprendê-las – essencialmente, esta divisão funciona da mesma forma que a divisão de elementos da Magia Elemental, já estando incluída no custo normal da vantagem para adquirir as técnicas.

O mestre também pode adicionar uma nova vantagem ao jogo, chamada Especialista, que custa 1 ponto e funciona exatamente como Elementarista: reduz à metade o custo em PMs para utilizar qualquer técnica sempre que o personagem utiliza um instrumento específico, escolhido na compra da vantagem. Assim, um personagem com Especialista (guitarra) gasta sempre metade dos PMs necessários ao utilizar qualquer técnica musical com uma guitarra.

Misturando Estilos
Apesar da tendência que normalmente se têm em aplicar rótulos, não há nada que obrigue uma banda a seguir sempre o mesmo estilo musical. Um mesmo grupo pode ter no seu repertório desde um blues mais clássico até uma balada de rock, um jazz instrumental, ou uma música mais pesada, com pegada punk ou metaleira. Em geral, no entanto, cada música individual deve pertencer predominantemente a apenas um estilo; assim, em uma música de rock, todos os personagens estão, a princípio, tocando rock.

Isso quer dizer que os personagens devem tentar usar sempre técnicas dos mesmos estilos para obter melhores resultados. Se em uma determinada rodada um personagem está usando uma técnica de Metal, os seus colegas também só poderão usar técnicas de Metal; se for uma técnica de Blues, todos aqueles que utilizarem alguma técnica deverão usar técnicas de Blues; e etc. Caso sejam usadas técnicas de estilos diferentes na mesma rodada, todos os personagens utilizando-as devem receber um redutor de H-2, e, caso isso deixe a sua H menor do que 0, ele não poderá usá-la. No caso de técnicas que existem em múltiplos estilos, o personagem deve escolher qual é o que está usando no momento entre aqueles que conhece – assim, um personagem com os estilos Rock e Blues pode tocar um Solo sem redutores extras em músicas de qualquer um deles, mas não em músicas de Metal, por exemplo.

A vantagem Adaptador permite a um personagem ignorar esse redutor, e misturar estilos diferentes livremente.

Outros Estilos
Os cinco Estilos descritos neste artigo foram escolhidos por serem mais conhecidos ou populares, mas nada impede, é claro, que você resolva utilizar outros na sua campanha. Os exemplos possíveis são muitos: Rockabilly, Country, Rap, Funk, Samba, Pagode… Mesmo a partir de um dos estilos já descritos você pode criar subdivisões, que podem funcionar como Estilos separados ou apenas divisões menores, como os elementos de Magia Elemental – Hard Rock, Death Metal, Bebop, etc. Em geral, as técnicas descritas como disponíveis a todos os estilos também estarão disponíveis a estes; e cabe ao mestre e jogadores criarem outras técnicas exclusivas para eles, bem como novas técnicas para os estilos já descritos aqui.

As Técnicas Musicais
Essencialmente, as técnicas musicais funcionam como feitiços – cada personagem conhece um número limitado delas, e pode utilizá-las durante as apresentações, seguindo as suas regras e pagando os devidos custos. Durante o jogo é possível aprender novas técnicas de diversas formas, como através de professores, livros ou vídeos de métodos de aprendizado, ou observando e imitando outros músicos (nesse último caso, o mestre pode pedir ao jogador um teste de uma perícia musical adequada, como o teste de Idiomas que é necessário para aprender um feitiço apenas ouvindo-o). Aprender uma nova técnica musical custa 1 PE, da mesma forma que um novo feitiço, e também é possível gastar 1 PE para realizar uma Técnica Surpreendente, que funciona da mesma forma que uma Magia ou Poder Surpreendente.

As técnicas iniciais, aquelas que qualquer músico conhece ao adquirir um determinado estilo, são: Aumentar Tempo, Base, Diminuir Tempo, Medley, Solo e Tomar a Dianteira. As demais devem ser aprendidas durante a campanha. Vantagens como Mentor, Patrono e quaisquer outras que concedam a um personagem feitiços extras também podem conceder técnicas musicais extras, na mesma quantidade.

De maneira geral, as mesmas regras e restrições para uso de feitiços valem para as técnicas musicais. A quantidade máxima de PMs que um personagem pode gastar em uma técnica segue sendo igual a Hx5, e vantagens e desvantagens que lidam com magia, como Fetiche ou Magia Irresistível, podem valer também para as técnicas, ou então terem versões equivalentes para elas (como no caso de Especialista/Elementarista, comentado anteriormente).

Utilizar uma técnica musical também não impede o personagem de realizar uma jogada de FA na rodada, a menos que a descrição dela diga o contrário – em geral, o personagem utiliza estas técnicas ao mesmo tempo em que faz a sua apresentação, e ela irá modificá-la de alguma forma. Técnicas que possuem um valor próprio de FA, no entanto, como Jam ou Solo, substituem a jogada de FA normal do personagem; e utilizar uma técnica musical impede que outra vantagem ou manobra que gaste PMs (como Ataque Especial, feitiços e outras técnicas) seja usada pelo personagem na rodada.

Lista de Técnicas Musicais
Nota: as técnicas marcadas com um asterisco (*) são as técnicas iniciais para todos os Estilos.
Nota (2): muitas técnicas a seguir fazem com que a FA do personagem seja a válida na rodada, independente dos resultados dos colegas. Como parece óbvio, caso mais de um personagem utilize uma técnica assim na mesma rodada, apenas uma FA poderá ser considerada – nesse caso, valem as regras normais, e é válida a menor entre elas.

Aumentar Tempo*
Estilo: todos
Custo: 4 PMs por multiplicador por rodada
Duração: sustentada
O personagem acelera o tempo das músicas, tornando-as mais impressionantes e surpreendendo o público. Para cada 4 PMs por rodada gastos pelo personagem, todos os seus companheiros recebem um redutor de H-1; no entanto, a quantidade de PVs perdida pelo público uma vez que a FA tenha vencido a sua FD também aumentará, de forma semelhante a tocar músicas mais difíceis, recebendo um multiplicador de acordo com o redutor causado pela técnica – por exemplo, x3 se o redutor for de -3.
Esta é uma técnica de ritmo, que só pode ser feita pelo personagem enquanto ele se concentra em fazer uma base para os colegas de banda, sem tomar a dianteira da apresentação; enquanto a mantém ativa, ele não pode fazer jogadas de FA, apenas afetando as dos outros músicos. O multiplicador máximo que é possível receber a partir desta técnica é igual à menor Habilidade entre os membros da banda.

Base*
Estilo: todos
Custo: 2-10 PMs por rodada
Duração: sustentada
O personagem abre mão de tomar a dianteira na apresentação, ao invés disso se concentrando em fazer um bom trabalho de base para os colegas. Eles receberão um bônus de +1 nas suas jogadas enquanto a técnica estiver ativa para cada 2 PMs gastos pelo personagem em cada rodada.

Blue Note
Estilo: Blues ou Jazz
Custo: 2-10 PMs
Duração: instantânea
A blue note é a nota característica da escala musical do blues, também bastante utilizada no jazz, dando a ela uma entonação mais impressionista e emotiva. Ao tocá-la nos seus riffs e solos, o personagem cativa mais facilmente o público, colocando um redutor de -1 na sua FD para cada 2 PMs gastos na técnica. Esse redutor é aplicado mesmo que não seja a FA do personagem a válida na rodada.

Boogie
Estilo: Blues (teclado ou guitarra) ou Rock (teclado ou guitarra)
Custo: 4 PMs
Duração: instantânea
Boogie é um ritmo de blues bastante usado também no rock, que, reza a lenda, foi desenvolvido por músicos errantes em estações de trem, tentando imitar com um violão o ritmo das rodas sobre os trilhos. Ele possui uma cadência de tempo diferenciada, que permite ao músico fazer uma base instrumental ao mesmo em que a preenche os compassos com pequenas frases de solo. Assim, permite ao personagem realizar uma jogada de FA mesmo enquanto utiliza técnicas de ritmo, como Aumentar/Diminuir Tempo ou Base. Pode inclusive utilizar outras vantagens ou técnicas musicais enquanto faz isso, desde que siga todas as regras e pague todos os custos em PMs.

Bottleneck Slide
Estilo: Blues (guitarra) ou Rock (guitarra)
Custo: 2-10 PMs
Duração: instantânea
O personagem utiliza um pequeno cilindro no dedo, como o gargalo de uma garrafa, para realizar slides, deslizando-o pelo braço da guitarra e tocando as notas de forma contínua, facilitando a realização de solos melódicos e cativantes. Cada 2 PMs gastos pelo personagem dá a ele um bônus de H+1 na rodada, tanto para jogadas de FA como de FD (se for necessária), e a FA dele é a considerada na rodada, independente dos resultados dos colegas.

Diminuir Tempo*
Estilo: todos
Custo: 2 PMs por +1 de bônus por rodada
Duração: sustentada
O contrário de Aumentar Tempo – o personagem diminui a velocidade da música, facilitando-a para os colegas de banda, mas diminuindo o interesse do público. Cada 2 PMs gasto por rodada pelo personagem aumenta a Habilidade de todos os seus colegas em +1, mas faz com que os PVs perdidos pelo público após a FD ser vencida seja dividido por um valor equivalente – por exemplo, por 2 se o bônus recebido foi de +2.
Como Aumentar Tempo, Diminuir Tempo é uma técnica de ritmo, que impede o personagem de tomar a dianteira na apresentação enquanto a mantém ativa.

Duck Walk
Estilo: Rock (guitarra)
Custo: 2 PMs
Duração: instantânea
O famoso “passo do pato”, imortalizado por Chuck Berry, em que o personagem toca enquanto pula em um pé só para impressionar o público. Este tem direito a um teste de Resistência para evitar os efeitos; se falhar, não terá direito a fazer uma jogada de FA na rodada mesmo que a sua FD vença a FA da banda.

Falar com o Público
Estilo: todos (vocal)
Custo: 2-10 PMs
Duração: instantânea
O personagem conversa com o público enquanto canta, fazendo comentários curtos entre os versos no ritmo da música, destacando-os e diminuindo as defesas da platéia. Cada 2 PMs gastos pelo personagem coloca um redutor de -1 na FD do público, mesmo se não for a sua FA a válida na rodada.

Headbanger
Estilo: Metal
Custo: 2 PMs
Duração: instantâneo
O personagem balança a cabeça enquanto toca, incentivando o público a fazer o mesmo. Este tem direito a um teste de Resistência para evitar os efeitos da técnica; se falhar, não poderá fazer uma jogada de FA na rodada mesmo que a sua FD vença a FA da banda.

Improviso
Estilo: todos
Custo: 1-5 PMs
Duração: instantâneo
O personagem faz uma rápida improvisação instrumental, surpreendendo o público. Esta técnica pode ser usada sempre que a platéia fizer uma jogada de FA contra a banda, dando ao músico uma FD igual aos PMs gastos na técnica + H + 1d. Ela pode ser usada mesmo quando é outro personagem que seria atacado pela platéia, redirecionando a FA – é uma boa forma de proteger colegas que estejam a ponto de entregar os pontos.

Jam (Jazz After Midnight)
Estilo: Blues, Jazz ou Rock
Custo: 2-10 PMs
Duração: instantânea
O personagem realiza uma longa sessão de improvisação instrumental, tocando com FA igual a metade dos PMs gastos na técnica + H + 1d. Caso mais de um personagem utilize uma jam na mesma rodada, as suas FAs não devem ser comparadas, mas calculadas em conjunto: metade dos PMs totais gastos por eles + a menor H entre eles + 1d. Uma jam também é sempre a FA válida na rodada, independente dos resultados daqueles que não participarem dela; e, caso a FD do público a vença, a sua jogada de FA será direcionada contra todos os participantes, que devem fazer jogadas de FD separadas para resisti-la.

Medley*
Estilo: todos
Custo: 4 PMs por rodada
Duração: sustentada
O personagem pode fundir músicas diferentes, fazendo a transição entre uma e outra no show de modo quase imperceptível, de forma a parecer que ainda está tocando a mesma música. Gastando 4 PMs após uma rodada, ele pode manter na rodada seguinte extamente o mesmo resultado; assim, se ela resultou em uma FA de 8, a FA também será 8 na rodada seguinte, e se foi um Acerto Crítico, continuará sendo um Acerto Crítico. Não é preciso que todos os membros da banda utilizem a técnica ao mesmo tempo, embora, em geral, seja mais recomendado, para garantir o resultado.

Movimento Impressionante
Estilo: todos
Custo: 8 PMs
Duração: instantânea
O personagem tenta algum movimento impressionante com o instrumento, como girar as baquetas enquanto toca bateria, atirar a guitarra para o alto para depois pegá-la de volta, ou pular segurando o microfone. Em geral, movimentos assim costumam pegar o público desprevinido, dobrando a Força do personagem no cálculo da FA; no entanto, a possibilidade de cair no ridículo caso algo dê errado também é grande – caso a FD do público vença a FA do personagem, ele será considerado Indefeso contra a FA da platéia. Sempre que realiza um Movimento Impressionante, a FA do personagem deve ser a considerada na rodada, independente dos resultados dos colegas.

Overdrive
Estilo: Rock (guitarra) ou Punk (guitarra)
Custo: 4 PMs por rodada
Duração: sustentada
O personagem utiliza um efeito de distorção no som do instrumento, fazendo as notas soarem mais altas e barulhentas, por vezes ao ponto de serem quase indistingüíveis entre si. Enquanto estiver usando a técnica, o personagem ignora todos os modificadores de dificuldade das músicas na sua Habilidade, sejam bônus ou redutores.

Pose
Estilo: todos
Custo: 4 PMs
Duração: instantânea
O personagem possui uma pose ou movimento característico que usa ao tocar, e que os fãs reconhecem e esperam ver durante a apresentação. Ele receberá, na rodada em que usá-la, um bônus nas suas jogadas de FA e FD (se for necessária) igual à sua Fama atual, e será a sua a FA válida na rodada, independente dos resultados dos colegas de banda.

Power Chords
Estilo: Rock (guitarra), Punk (guitarra) ou Metal (guitarra)
Custo: 4 PMs
Duração: instantânea
O personagem toca utilizando os chamados power chords, que têm estrutura mais simples e um som mais pesado e potente. Ele pode trocar a sua Habilidade pela Força nas jogadas de FA e FD (se for necessária) na rodada – ou seja, sua FA passa a ser igual a Fx2 (ou Fx3 em caso de Acerto Crítico) + 1d, e a sua FD igual a A + F + 1d. Além disso, a FA do personagem deve ser a considerada na rodada, independente dos resultados dos colegas.

Slap
Estilo: Rock (baixo) ou Jazz (baixo)
Custo: 2-10 PMs
Duração: instantânea
Slap é uma técnica percussiva de baixo, onde o músico bate nas cordas com o polegar enquanto puxa outras com o dedo indicador, criando um som característico e um tanto estalado. Para cada 2 PMs gastos na técnica, ele recebe um bônus de F+1 para calcular a sua FA na rodada, até um máximo de 10 PMs para F+5. A FA do personagem é a FA válida na rodada, independente dos resultados dos colegas.

Solo*
Estilo: todos
Custo: 1-5 PMs
Duração: instantânea
O personagem toma a dianteira na apresentação, se expondo ao público e tentando cativá-los com um solo instrumental. A FA será igual aos PMs gastos na técnica + H + 1d, e será a FA válida na rodada independente dos resultados dos colegas.

Solo Melódico
Estilo: Blues (guitarra), Jazz (metais), Rock (guitarra) ou Metal (guitarra)
Custo: o da técnica imitada + 2 PMs
Duração: instantânea
O personagem é capaz de realizar solos mais carregados na melodia, quase como vocais. Gastando 2 PMs a mais, ele é capaz de imitar com o seu instrumento qualquer técnica exclusiva para vocal. Não é necessário conhecer as técnicas imitadas.

Stage Dive
Estilo: Punk
Custo: 6 PMs
Duração: instantânea
O personagem larga o seu instrumento e pula sobre a platéia durante a apresentação. É geralmente usado pra encerrar uma música de forma impressionante, ganhando uma parcela maior do público – sempre que um stage dive for usado, os PVs perdidos pela platéia uma vez que a sua FD tenha sido vencida devem ser dobrados. No entanto, caso a FD da platéia vença a rodada, são os PVs perdidos pelo músico que devem ser dobrados. A FA do personagem que utiliza o stage dive também deve ser a considerada na rodada, independente dos resultados dos colegas.

Tapping
Estilo: Rock (guitarra) ou Metal (guitarra)
Custo: 2-10 PMs
Duração: instantânea
O personagem utiliza as mãos para tocar as notas direto na escala do instrumento, produzindo o som pela batida das cordas sobre o braço da guitarra, resultando em solos rápidos e impressionantes. Para cada 2 PMs gastos na técnica, ele recebe um bônus de F+1 para calcular a sua FA na rodada, até um máximo de 10 PMs para F+5. A FA do personagem é a FA válida na rodada, independente dos resultados dos colegas.

Tomar a Dianteira*
Estilo: todos
Custo: 2 PMs
Duração: instantânea
O personagem toma a dianteira da apresentação, fazendo a sua FA ser a considerada na rodada independente dos resultados dos colegas.

Twin Lead
Estilo: Rock ou Metal
Custo: 10 PMs
Duração: instantânea
Dois personagens tomam a dianteira da apresentação ao mesmo tempo, realizando um impressionante solo simultâneo. A FA total será igual a soma da Força dos dois músicos + a menor Habilidade entre eles + 1d, e será a considerada na rodada, independente dos demais colegas. Ambos devem conhecer e utilizar a técnica na rodada, gastando seus respectivos PMs, e quaisquer modificadores na jogada devem valer sobre os dois – por exemplo, em caso de um Acerto Crítico, as duas Forças devem ser dobradas! Caso a FD do público vença a FA total da dupla, a sua jogada de FA também será direcionada contra ambos, que devem fazer jogadas de FD separadas para resisti-la.

Virada Rítmica
Estilo: todos
Custo: 4 PMs por personagem afetado
Duração: instantânea
O personagem realiza mudanças rítmicas na música durante a apresentação, permitindo que estilos diferentes sejam usados simultaneamente. Cada 4 PMs gastos permitem que um colega utilize técnicas de um estilo diferente dos demais sem receber redutores na Habilidade. Esta é uma técnica de ritmo, que o personagem só pode utilizar enquanto se concentra em fazer uma base para os colegas, sem realizar jogadas de FA na rodada.

Vocal Agudo
Estilo: Rock (vocal) ou Metal (vocal)
Custo: 2-10 PMs
Duração: instantânea
O personagem canta em tons agudos, chamando a atenção e impressionando o público. Para cada 2 PMs gastos na técnica, ele recebe um bônus de F+1 para calcular a sua FA na rodada, até um máximo de 10 PMs para F+5. A FA do personagem é a FA válida na rodada, independente dos resultados dos colegas.

Vocal Gutural
Estilo: Punk (vocal) ou Metal (vocal)
Custo: 4 PMs
Duração: instantânea
O personagem canta em tom mais graves, quase como urros selvagens. Ele pode trocar a sua Habilidade pela Força nas jogadas de FA e FD (se for necessária) na rodada – ou seja, sua FA passa a ser igual a Fx2 (ou Fx3 em caso de Acerto Crítico) + 1d, e a sua FD igual a A + F + 1d. Além disso, a FA do personagem deve ser a considerada na rodada, independente dos resultados dos colegas.

Vocal Lírico
Estilo: Metal (vocal)
Exigências: perícia/especialização Canto
Custo: 2-10 PMs
Duração: instantânea
O personagem utiliza técnicas de canto erudito nas músicas, aumentando a qualidade formal delas. Cada 2 PMs gastos pelo personagem dá a ele um bônus de H+1 na rodada, tanto para jogadas de FA como de FD (se for necessária), e a FA dele é a considerada na rodada, independente dos resultados dos colegas.

Walking Bass
Estilo: Blues (baixo ou teclado) ou Jazz (baixo ou teclado)
Custo: 4 PMs
Duração: instantãnea
Walking bass é uma técnica de base característica do blues e do jazz, em que o personagem toca as notas da escala musical em seqüência, com ritmo constante, como se estivesse “caminhando” por ela. Quando a realiza, o personagem concede um bônus de H+2 a todos os colegas de banda que estejam usando técnicas de um desses estilos, tanto para jogadas de FA como de FD (se for necessária). Esta é uma técnica rítmica, que impede o personagem de rolar jogadas de FA quando é usada.


Sob um céu de blues...

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