Posts Tagged 'natal'

Carta Aberta ao Papai Noel (3)

Querido Papai Noel,

Vá se foder.

Atenciosamente,

Bruno.

Carta Aberta ao Papai Noel (2)

Querido Papai Noel,

Parabéns: você é o nosso visitante 1.000.000! Clique aqui para receber o seu prêmio, um tratamento grátis de aumento de pênis!

Atenciosamente,

Bruno.

Uma Aventura de Natal

Marley estava morto: era este o começo de tudo. Já fazia muito tempo – anos, na verdade -, mas, de alguma forma, era ali que começava. Agora só o que restava de Ebenezer, seu velho companheiro, era um aventureiro amargo e solitário, um guerreiro sanguinário que viajava de masmorra em masmorra matando monstros e tomando seus tesouros sem remorso, para então gastá-los moeda por moeda em bebidas e mulheres em longas noites de taverna.

E assim estava também naquela noite, apenas havia a diferença de ser a véspera do Natal. Nada com que se importasse: feriados pouco significavam para um eterno viajante, que fazia o próprio horário e seguia crenças muito pessoais. No máximo haveriam festas na cidade em que estivesse, o que era uma coisa boa. Como sempre, bebeu e brigou a noite toda, até ser expulso da taverna onde estava. Cambaleou pelas ruas, recusou esmolas a três crianças ameaçando-as com a lâmina suja da espada, e enfim caiu e adormeceu entre as latas e sacos de lixo de um beco escuro.

***

Acordou de repente com o som de correntes se arrastando pelo chão. Levantou num pulo, segurando com a mão direita o cabo da espada, mas, ainda atordoado pela bebida, se desequilibrou e caiu outra vez sobre os sacos de lixo. Então observou, indefeso, os olhos ainda cobertos de vertigens, enquanto uma forma humanóide semi-transparente adentrava o beco, arrastando as correntes presas no corpo como um detento há muito condenado.

– Ebenezer… – o chamado percorria o beco como um sussurro.

– M-marley! – Ebenezer arregalou os olhos e segurou com força o medalhão em forma de cruz que trazia no pescoço, última lembrança deixada por aquele que agora estava à sua frente. – Mas você está morto!

– Em anos como aventureiro, imaginei que estivesse acostumado com o fato de a morte raramente ser um fim definitivo.

Ebenezer não respondeu. Inspirava e expirava com rapidez, suando apesar da neve fria que o cercava.

– Estou aqui para lhe avisar da sua missão esta noite. – continuou Marley. – Você deverá explorar três masmorras, e elas lhe indicarão o caminho para a redenção da sua avareza e pecados do passado.

– Redenção? Mas eu não preciso de reden… – não completou a frase, pois o fantasma já desaparecera deixando apenas um pergaminho enrolado no chão. O guerreiro se aproximou e o pegou: era um mapa, indicando a localização de uma masmorra nas proximidades da cidade. Resolveu seguir o conselho do amigo e se dirigir para lá, curioso sobre o que encontraria.

***

A entrada do local não era muito surpreendente: uma velha escadaria de mármore levando para o subsolo, com algumas rachaduras e pedaços de degraus carcomidos. Ebenezer desceu com cuidado, já bem acordado e sóbrio, mantendo a espada em prontidão para o caso de encontrar alguma criatura inesperada. Os corredores eram cobertos de poeira e teias de aranha, revelando sua idade: certamente esta era uma masmorra do passado, há muito abandonada e esquecida pelos seus construtores.

Explorou os túneis como o aventureiro experiente que era, escapando de armadilhas e enfrentando os monstros que encontrava. Bastaram alguns aposentos, no entanto, para começar a prever com antecedência onde estaria cada armadilha e monstro, e que tesouro encontraria; era quase como se já houvesse explorado aquela masmorra antes. E, de fato, já o tinha feito: logo a reconheceu como a de uma de suas primeiras aventuras, quando ainda um jovem garoto em busca de fama e fortuna. Ficava mais claro a cada corredor que explorava e aposento em que entrava; até as passagens secretas estavam todas nos mesmos locais.

Convencido de que era aquele o lugar, Ebenezer percorreu os corredores como lembrava ser o caminho até a câmara principal, esperando encontrar o cadáver do dragão que havia então derrotado. E lá estava – mas longe de ser um cadáver! A criatura o atacou com a baforada ácida no instante em que entrou no aposento, e foi por pouco que Ebenezer conseguiu se esquivar e evitar ser derretido. Quase sem pensar, investiu contra o monstro, procurando o local na sua barriga onde uma cicatriz revelava o ponto fraco que, na batalha anterior, levara longas esquivas para descobrir. Golpe certeiro: a espada cravou fundo na carne da criatura, banhando o velho guerreiro em sangue dracônico. A fera urrou de dor e caiu morta no chão.

Triunfante, Ebenezer retirou a espada da criatura e procurou o lugar onde, sabia, estaria seu tesouro. Estava todo lá: montanhas de jóias, ouro e outros objetos valiosos. No entanto, sua atenção foi desviada para algo que não havia notado da outra vez – ao lado das pilhas de moedas havia uma nova escadaria de mármore, levando a um nível ainda mais profundo e desconhecido da masmorra. Não pensou muito e desceu com cuidado os degraus.

O novo nível da masmorra era muito melhor cuidado que o anterior. Não havia qualquer sinal de poeira ou sujeira nas paredes; aparentava ser uma masmorra do presente, ainda em uso por quem quer que a tivesse construído. Ebenezer percorreu os túneis com cuidado, mas surpreendeu-se em encontrar todas as armadilhas desativadas, os monstros derrotados e os tesouros saqueados. Mais: espantou-se ao reconhecer neste nível o mesmo desenho do anterior; era como se ainda explorasse os mesmos túneis, apenas depois de serem esvaziados de qualquer conteúdo de interesse.

O guerreiro se acalmou com a falta de ação e, com a guarda baixa, seguiu o mesmo trajeto anterior até a câmara principal. Não se surpreendeu com o que havia lá: o cadáver do dragão abatido, já velho e apodrecido. Olhou em volta à procura do tesouro, mas não o encontrou; todo ele já fora saqueado. No entanto, reparou em um detalhe que lhe havia escapado anteriormente: uma pequena ninhada de ovos de dragão abertos. Desembainhou a espada e se aproximou com cuidado, esperando um ataque surpresa de um dos filhotes.

Nem todo cuidado do mundo, no entanto, o prepararia para o que encontrou. Ebenezer largou a espada e levou a mão à boca para segurar o vômito: dentro dos ovos quebrados estavam os restos mortais de uma dúzia de fetos dracônicos. Sem a mãe para chocá-los e alimentá-los, estavam abandonados à própria sorte antes mesmo de nascerem.

O guerreiro se ajoelhou e socou o chão repetidas vezes, deixando o sangue das mãos esfoladas misturarem-se às lágrimas que caíam dos olhos. Reunindo o tanto de determinação que ainda possuía, ergueu o rosto em prantos e olhou para o lado. Como imaginou, havia outra escadaria de mármore. Um pouco relutante, pegou a espada do chão e caminhou até ela, e então desceu os degraus para explorar o nível seguinte da masmorra.

Os túneis do terceiro nível eram de uma aparência estranha a Ebenezer. As paredes eram feitas de um metal límpido e reluzente, que refletia de forma embaçada a imagem do guerreiro quando ele as olhava diretamente; se o perguntassem, diria que estava em uma masmorra do futuro. Não demorou a reconhecer também nela o mesmo desenho dos níveis anteriores, e decidiu seguir sem interrupções o mesmo caminho em direção à câmara principal.

Mal entrou nela e foi rapidamente atacado – teve tempo apenas de se defender porcamente, levantando a espada para bloquear o adversário. Desviou de outras duas investidas antes de assumir uma postura adequada de combate, e ver o seu oponente: um esqueleto animado, com o equipamento e o porte de um guerreiro. Bloqueou outro ataque, e desta vez conseguiu desferir um contra-golpe que desequilibrou o inimigo. Com ele caído, fincou-lhe a espada com força no peito, atingindo o resto de carne que ainda havia presa entre os ossos. No entanto, ao olhar para baixo, viu algo que o fez arregalar os olhos e quase cair assustado no chão.

O esqueleto possuía, preso ao pescoço, um medalhão exatamente igual ao de Ebenezer, aquele que servia de lembrança do velho Marley. Quase por reflexo o guerreiro levou à mão ao peito, e então olhou naquela direção para confirmar o que havia encontrado: era ele, e não o esqueleto, que estava com a espada cravada na carne. Olhou novamente para cima e viu o teto da masmorra; um pouco mais ao lado, teve tempo de ver um guerreiro desconhecido retirando a arma do seu corpo, antes de tudo escurecer em um urro de dor…

***

Foi acordado de manhã pelas vozes de três crianças no beco onde adormecera na véspera. Correram assustadas ao ver o velho abrir os olhos e se levantar, mas uma delas tropeçou e caiu.

– D-desculpe! D-desculpe! Foi tudo idéia deles! Não faz nada de mau comigo, por favor!

Ebenezer podia perceber o pavor na voz; a reconheceu também como uma das crianças que pediram esmola na noite anterior. Um pouco atordoado com o que passara – havia realmente acontecido? -, atirou um saco cheio de moedas para ela, e seguiu caminhando em meio a agradecimentos aliviados.

Desde então o velho Ebenezer nunca mais foi o mesmo. Antes um aventureiro avarento e ganancioso, agora era gentil e generoso com os pedintes, e nunca mais conseguiu levantar uma arma contra uma criatura viva. Chegou mesmo a encabeçar e financiar campanhas em defesa dos direitos dos monstros de masmorras, promovendo longas cruzadas e programas de assistência e conscientização.

Ainda que tudo não passasse de um sonho, que nunca tivesse sido visitado pelo fantasma do velho companheiro e explorado as três masmorras do passado, presente e futuro, ainda assim teria para sempre consigo a memória daquela aventura de Natal, para lembrá-lo de que havia mais na vida do que os tesouros brilhantes que tão avidamente cobiçara.

Carta Aberta ao Papai Noel

Querido Papai Noel,

Faça um desejo, e repasse esta mensagem para pelo menos quinze pessoas. O seu pedido se realizará dentro de uma semana. Se você ignorar esta carta e jogá-la fora, no entanto, terá azar no amor por cinqüenta anos.

Atenciosamente,

Bruno.

Iniciativa 3D&T Alpha – O Dragão Noël

O tema da vez na Iniciativa 3D&T Alpha é natal. Conheçam, então, este peculiar dragão vermelho que, dizem as lendas e as canções dos bardos, habita as Montanhas Uivantes, em Arton.

O Dragão Noël
Segundo cantam os bardos petrynianos, a cada fim de ano uma grande sombra avermelhada sobrevoa os céus do reino, visitando as suas principais cidades e vilas. Antes de causar medo, no entanto, ela é esperada, e recebida até com certa alegria – é o velho dragão Noël que chegou, com sua forma rubra rechonchuda, carregando presentes para distrbuir às crianças que foram boas durante o ano.

Personagem folclórico de Petrynia, o dragão Noël é figura recorrente em muitas canções, todas na ponta da língua de qualquer criança das cidades do reino durante o fim de ano. Elas geralmente contam como ele abandonou a sua ninhada ainda jovem, por não possuir a mesma índole maligna de seus irmãos, e acabou por se estabelecer, entre todos os lugares possíveis, nas Montanhas Uivantes, onde montou o seu covil. Lá, com a ajuda de um grupo de goblins vestindo roupas de inverno e gorros coloridos, montou uma grande fábrica de brinquedos artesanais, que leva durante as festas para as crianças.

A maioria dos habitantes de outros reinos, é claro, não acredita que o dragão seja real, tomando-o apenas como mais uma das muitas histórias fantasiosas típicas dos bardos petrynianos. Um dragão vermelho, que vive em meio à região mais fria do continente, e que, ao invés de saquear vilas, presenteia as crianças com brinquedos? Certamente não é um conto muito verossímil. Curiosamente, no entanto, não há um petryniano sequer que não acredite na história, e muitos inclusive relatam ter visto o tal dragão deixando seus brinquedos para as crianças enquanto estas dormiam.

A presença do dragão Noël no folclore petryniano, especialmente durante as festas de fim de ano, é de fato tão forte que, mesmo entre aqueles que não acreditam na sua existência, alguns crêem que ela possua algum fundo de verdade, e que talvez realmente exista um dragão vermelho nas Uivantes próximo às fronteiras do reino. Anualmente, dezenas de expedições de aventureiros partem do reino em direção às Uivantes atrás do seu covil, muitas das quais jamais retornaram. Mesmo as que voltaram, no entanto, nada encontraram, para o alívio das crianças petrynianas.

O Dragão Noël
F5 H4 R8 A6 PdF6 (calor/fogo)
Vantagens/Desvantagens: Arena (o covil), Sentidos Especiais (todos), Tiro Múltiplo, Vôo

Outros Artigos Sobre Natal
Distorções Metafísicas… – Renas
Estalagem do Beholder Cego – Duendes
Grimório do Arcano – Noel, Deus Menor dos Presentes
Inominattus – Os Espíritos do Natal
Toca do Goblin – O Anti-Noel
___________ – Itens Natalinos


Sob um céu de blues...

Categorias

Arquivos

@bschlatter

Estatísticas

  • 230.900 visitas