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Manifestante

conteinerDestruiu dez containers de lixo e foi comer um Big Mac no Praia de Belas.

Turbas & Tumultos

O povo foi às ruas! A inépcia e a corrupção dos governantes atingiu o seu nível máximo, fazendo com que todos se indignem, e chegou afinal a hora de mostrar isso a todos! Então pinte o seu rosto, coloque a sua máscara do Guy Fawkes e junte-se à massa na luta por um mundo (de campanha) melhor!

Não importa se você é um brasileiro indignado com o preço do transporte público, um turco protestando contra o corte de árvores, ou um goblin de Valkaria lutando por melhores serviços públicos na sua favela. Na hora de lutar pelos seus direitos, somos todos um!

guy fawkes Turbas & TumultosOrganizando a Manifestação
Para organizar a manifestação, cada um dos líderes (normalmente, os personagens dos jogadores) tem direito a realizar um teste de Manipulação, representando a sua tentativa de angariar seguidores com cartazes nas ruas ou através de redes sociais. A especialização pode variar dependendo do caso – Liderança é a mais adequada, mas Lábia pode ser uma substituta, por exemplo, ou outra a critério do mestre.

Note, é claro, que isso não significa que as pessoas são necessariamente “manipuladas” a participar de uma manifestação com a qual não teriam nada a ver em primeiro lugar. No entanto, animá-las e fazê-las se sentirem seguras e justificadas em lutar pelos seus direitos é uma habilidade importante, que é representada por especializações como Liderança. Com autorização do mestre, um jogador poderia trocar a perícia Manipulação por outra que pareça adequada – Artes seria uma boa sugestão -, mas o teste será considerado Difícil.

Em caso de sucesso, você pode adicionar o resultado do dado para a pontuação da sua manifestação. Por exemplo, se você rolou um 3 no dado do teste, seriam 3 pontos que você adiciona à sua ficha. Note que você ainda precisa de um sucesso: por exemplo, se você possui H2 e possui um bônus de +1 pelo uso da perícia, o valor máximo que você poderá adicionar serão estes 3 pontos.

Além da pontuação do teste, você também pode gastar os seus PEs para aumentar a pontuação final da manifestação. Cada PE gasto é concedido à manifestação; isso significa que cada 10 PEs que ela reunir, ganhará 1 ponto extra.

passe livre Turbas & Tumultos

A Manifestação
Uma vez que tenham reunido a pontuação, os organizadores podem montar a ficha da manifestação distribuindo-os. Ela possui as mesmas cinco características de um personagem comum (Força, Habilidade, Resistência, Armadura e Poder de Fogo), e pode adquirir algumas vantagens normalmente. Para todos os efeitos, no entanto, devido à quantidade de pessoas reunidas, ela é considerada uma criatura Sugoi– ou seja, uma manifestação inteira enfrentando um único personagem Ningen terá algumas de suas características multiplicadas por 10. Manifestações muito grandes, que reúnam a população de toda uma cidade ou Estado, poderiam ser consideradas Kiodai; e aquelas que englobem todo um país mediano poderiam ser até mesmo Kami.

Durante a manifestação, as pessoas devem se movimentar pelas ruas da cidade até um objetivo central – um local simbólico, como a Avenida Paulista ou a Praça Tahir, por exemplo. Cabe ao mestre definir exatamente o que acontece nesse trajeto: podem haver alguns desafios, como testes de perícia para manter a manifestação unida pelos percalços, ou então, nos casos mais extremos, até mesmo confrontos diretos com forças de resistência.

Caso necessário, o mestre pode construir a ficha das tropas de choque da mesma forma que a da manifestação, e rolar o confronto como um combate normal. Um líder que possua as perícias adequadas (Manipulação ou a especialização Liderança) pode “comandar” a manifestação como se fosse um Aliado, seguindo as regras adequadas e melhorando a sua Habilidade. Este mesmo líder também deve fazer um teste da perícia toda vez que a manifestação sofrer mais do que 1 ponto de dano: em caso de falha, alguns dos manifestantes se dispersam, dando à ficha dela um redutor de -1 em todas as suas características. Se não houver um líder assim, realize o teste com a Resistência da manifestação.

A manifestação será totalmente dispersada se chegar a 0 PVs de alguma forma, seja por ter perdido todos eles em confrontos ou se chegar a R0 devido aos redutores acima. Caso consiga chegar ao seu objetivo antes disso, no entanto, ela pode ser considerada um sucesso: os manifestantes foram ouvidos, seus feitos estampam as manchetes de jornais, e a causa avançou junto à sociedade!

tahir Turbas & Tumultos

Vitória!
Cada manifestação bem sucedida dá à causa que ela defende 1 Ponto de Vitória. Da mesma forma, no entanto, cada manifestação que seja dispersada antes de atingir o seu objetivo faz com que ela perca 1 Ponto de Vitória.

Os Pontos de Vitória facilitam novas manifestações, fazendo mais pessoas aderirem à causa e se sentirem seguras de que ela possa ter algum resultado. Assim, cada Ponto de Vitória da causa concede 1 ponto a mais para a ficha da manifestação. Além disso, eles também são aplicados como um bônus aos testes para organizar as manifestações, o que quer dizer que pontuações ainda maiores podem ser atingidas.

Os Pontos de Vitória também servem para saber o quão próxima a causa está de ser alcançada. Causas simples, como redução nas tarifas de transporte público, requerem poucos pontos – 2 ou 3 podem ser o suficiente. Para causas mais ambiciosas, no entanto, podem ser necessários até 10 Pontos de Vitória – por exemplo, para fazer com que um governante corrupto renuncie ao seu cargo.

E, é claro, na medida em que os Pontos de Vitória são acumulados e a causa passe a se tornar tangível no horizonte, a repressão a ela também irá aumentar. Se no início apenas alguns policiais faziam a segurança dos manifestantes, aos poucos o seu caminho já será pontilhado por tropas de choque. Nos níveis mais altos – quando ela chegar a 7 ou 8 Pontos de Vitória – o próprio exército nacional pode entrar nos conflitos. Daí, é apenas um passo para que a guerra civil verdadeira exploda…

Nesse ponto, no entanto, já estaremos em outra campanha.

Nádegas a Declarar

policia-sao-paulo-reprime-manifestacaoNão tenho nada a dizer sobre as manifestações em São Paulo que já tenha sido dito por aí com muito mais propriedade. Me sinto até um pouco intimidado, vendo textos tão lúcidos e incisivos, quando eu mal e mal consigo tecer meia dúzia de linhas a respeito. Recomendo muito o texto do site Impedimento – um site sobre futebol, vejam só -, que cita uma música do Raul Seixas e faz uma reflexão brilhante sobre o papel da mídia e os espólios sociais do ocorrido; e o do jornalista e escritor Carlos Orsi, que se concentra mais especificamente no histórico repressivo da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Eles dizem tudo que eu não tenho capacidade pra dizer. Só não me venham levar a sério qualquer coisa que saia na revista Veja, por favor.

Mas esse é um blog pessoal, então me perdoem se eu me concentro nos meus próprios sentimentos pessoais um pouco aqui também. Ninguém é obrigado a dar a mínima. Não é nada que vá mudar a opinião de ninguém sobre o ocorrido, já que não é um relato político. O que me chocou mesmo nisso tudo foi ver pessoas com quem eu convivi boa parte da minha adolescência, com quem eu posso dizer até que cresci um pouco junto, defendendo com todas as letras que manifestante tem mais é que apanhar mesmo. Eu não era exatamente um cara muito popular na escola, e na verdade me repreendo bastante por ter assumido a persona do anti-social amargurado e deixado de aproveitar muita coisa do meu segundo grau. Sei que muita gente prefere fingir que essa época da sua vida não aconteceu, esquecer todo o bullying e repressão típicos dessa fase da vida, mas o meu sentimento é um pouco diferente; tem mais a ver com um tipo de lamento saudoso, uma nostalgia do que eu nunca tive. Um arrependimento, pra resumir.

Ao ver esse tipo de comentário, então, acabo olhando em retrospecto, e de repente o abismo que me separa daquela época fica muito maior. Não dava pra esperar que fosse diferente, visto todas as diferenças que existiam já naquela época, e só se intensificaram. Aquela coisa de estudar em um colégio particular morando em um bairro pobre, ou de ter estudado História em uma universidade federal e não Economia em uma norte-americana de renome internacional. E não que eu queira desprezar estas diferenças também, é claro, pois a oportunidade de sair do meu cubículo acadêmico é algo que eu gostaria de ter também, e ainda pretendo aproveitar algum dia.

Mas sei lá. Eu lembro dessas horas do meu texto Náufrago, que eu republiquei dias atrás. E é por não querer republicar de novo que eu prefiro só deixar o link para quem quiser ler mesmo.


Sob um céu de blues...

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