Posts Tagged 'surrealismo'

Beauty Is a Wound

beautyisawoundA literatura é também uma oportunidade de viajar, e conhecer através da leitura lugares que talvez você não tenha a chance de conhecer fisicamente. Dentro dessa proposta, eu geralmente gosto de procurar livros de locais diferentes, e fugir da literatura ocidentalizada, quase totalmente luso- ou anglófona que normalmente domina os lançamentos por aqui. Foi um pouco por isso que me interessei por Beauty Is a Wound, do autor indonésio Eka Kurniawan, somado ainda ao interesse por um dos países mais populosos do mundo mas que não costuma estar em evidência nos noticiários, trabalhos acadêmicos (com a notável exceção do Benedict Anderson, autor que muito admiro) e rodas de conversa de maneira geral.

De cara é possível notar ecos bem fortes no livro do realismo mágico latino-americano, sobretudo García Marquez e os seus Cem Anos de Solidão. Partindo de uma frase de abertura daquelas a serem estudadas em cursos acadêmicos futuros – Em uma tarde de um fim de semana de março, Dewi Ayu levantou do seu túmulo após estar morta por vinte e um anos. -, o autor nos apresenta Halimunda, a sua Macondo, cidade fictícia que servirá de cenário para a história da prostituta mestiça Dewi Ayu e suas quatro filhas, três delas de uma beleza capaz de levar os homens literalmente à loucura, e a quarta de uma feiúra equivalente. O pano de fundo é a própria história da Indonésia durante o século XX, quando o país saiu de uma colônia holandesa para a ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial, a guerra de independência, e os conflitos políticos violentos que marcaram as suas primeiras décadas como república. Halimunda ecoa e reflete todos estes eventos, servindo como um observatório da forma como eles afetaram a vida no país.

Há algumas coisas que não ajudam muito no livro. A personagem Dewi Ayu, em especial, incomoda na sua perfeição, naqueles termos que definem o tropo da Mary Sue. Sua força de personalidade praticamente desde a infância chega a soar um pouco caricata, enquanto ela encara com um misto de distanciamento e tédio todas as provações por que tem que passar, desde o abandono pelos pais, a morte dos avós e a prostituição durante a guerra. De maneira geral, para um livro que coloca logo cinco mulheres como protagonistas, ele é bastante controverso na sua representação delas. Praticamente todas são definidas pela sua aparência – ou são daquela beleza estonteante de causar loucura, ou são proporcionalmente feias -, e a recorrência ao estupro como saída narrativa, bem como a própria resignação das personagens a ele, chega a parecer gratuito mais de uma vez. No fim, não são muitos personagens com quem você realmente simaptiza, entre os mais proeminentes estando o camarada Kliwon, jovem comunista que por isso acaba sendo levado a um fim trágico, e o valentão Maman Gendeng, ex-revolucionário, vagabundo e mestre das artes marciais.

Isso pode fazer parecer que se trata de um livro ruim, mas não é bem assim. Ele realmente te desafia mais de uma vez a abandoná-lo, mas, em última instância, ainda é uma leitura bastante prazerosa. Kurniawan escreve muito bem, e possui uma ironia fina ao tratar de assuntos como política ou o sobrenatural que encanta com facilidade. Em um determinado momento, a mãe do camarada Kliwon, ao vê-lo cabisbaixo e depressivo, pergunta, preocupada: você se tornou um comunista? Apenas um comunista seria tão triste. Em outro, Kliwon encontra o fantasma de um antigo companheiro, e pergunta como ele está; ao qual a aparição logo responde, não muito bem, camarada. Estou morto.

A narrativa também sabe como prender, indo e vindo no tempo com frequência, embora nos capítulos finais o uso muito constante desse recurso num espaço muito curto pareça causar alguma confusão no próprio autor. Praticamente cada começo de capítulo te prende como um bom começo de romance, e você se verá seguindo a narração até o final do trecho, apenas para ver-se preso novamente no capítulo seguinte. E de maneira geral o livro se encontra no seu auge quando faz referência à trajetória do país durante o século, levando a algumas reflexões interessantes sobre a relação do povo indonésio com a sua história recente.

Enfim, está longe de ser um livro perfeito, mas, em última instância, é uma leitura que valeu a pena, e que senti que realmente me adicionou algo de novo.

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Wizard of the Crow

WizardOfTheCrowNgũgĩ wa Thiong’o é um autor queniano que já há vários anos é posto como candidato a um possível Nobel de literatura. Sua obra, e a sua vida, é muito ligada à história recente do seu país e do seu continente – como tantos outros ativistas políticos, ele também foi preso pela ditadura de Daniel arap Moi, e é uma anedota bem conhecida da sua biografia que um de seus livros foi escrito no papel higiênico da prisão.

Pode-se ver muito destas experiências em Wizard of the Crow, livro lançado pelo autor em 2004, após um hiato de quase vinte anos da literatura adulta. Nele conhecemos a nação fictícia de Aburiria, um pastiche de todos os clichês sobre o continente africano, governado pela sua própria versão dos ditadores sanguinários como Robert Mugabe ou Idi Amin – um líder conhecido apenas como o Líder, que domina a população com um misto de mão de ferro e carisma quase místico, e é dito possuir toda sorte de poderes misteriosos. O protagonista, no entanto, é um jovem chamado Kamiti, recém retornado da Índia com uma série de certificados de cursos de especialização, atrás de um emprego e futuro na empobrecida nação africana. Incapaz de consegui-los, acaba encontrando dentro de si uma habilidade misteriosa que o permitirá mudar os rumos do país.

Como esta sinopse deixa bem claro, o mote principal do livro é o de ser uma sátira política – e ela certamente está lá, mas acompanhada de muito mais. Em certo sentido, o que se tem é um grande estudo, apresentado em forma de paródia, da sociedade africana contemporânea de uma maneira geral, da sua história desde os tempos coloniais, e da sua relação com o poder e com os países capitalistas ocidentais. Entre outros, um espaço bastante extenso é dado ao papel da mulher nessas sociedades, através de uma segunda protagonista, Nyawira, líder do grupo rebelde Movimento Pela Voz do Povo, que por uma série de circunstâncias acaba se tornando companheira de Kamiti nos seus empreendimentos sobrenaturais.

Tudo é contado com uma dose muito forte de fantasia e surrealismo, com um aceno ao realismo fantástico latino americano, e um humor ácido que constantemente subverte a realidade e o faz parar a leitura para rir. Thiong’o escreve com muita desenvoltura, e a narração toda é muito envolvente, alternando constantemente entre a seriedade, o humor e o simples encantamento. Você pode sair de uma descrição belíssima de um lago de lágrimas que cristaliza o próprio tempo e ir parar em uma fuga escatológica de uma prisão política em que o fugitivo utiliza como arma um balde de fezes. E entre um e outro, pode se deparar ainda com discursos sobre o poder das palavras e resumos sublimes da história da dominação ocidental na África.

Mais do que tudo, no entanto, Wizard of the Crow é um livro sobre aceitação. Para que possa fazer pleno uso de seus poderes milagrosos, e com eles ajudar a mudar o destino do seu país, Kamiti precisa primeiro aceitá-los – e com eles aceitar também a sua herança africana, a sua negritude, e que, assim como os seus certificados de cursos estrangeiros, nem tudo o que vem de fora é necessariamente melhor do que a cultura ancestral do continente. Muitas vezes é apenas essa aceitação do que ele é que o põe à frente de seus antagonistas, tomados pelo desejo de serem o que não são (personificado em uma doença misteriosa que os faz repetirem continuamente a palvra “se…”), o que os leva a desconfiar de aliados e se aliar a inimigos. É muito sintomático que, ao longo do livro, apenas aqueles capazes de ter essa aceitação consigam agir com alguma lucidez em meio ao absurdo que é a vida em Aburiria.

Imagino que o livro ecoe nisso um pouco da própria trajetória do autor, que publicou seus primeiros livros em inglês com o nome ocidental James Ngũgĩ, antes de assumir o nome africano e começar a publicar seus livros no dialeto gĩkũyũ. O mesmo acontece frequentemente ao longo da história – personagens com dois nomes, um ocidental e um africano, ou que utilizam a língua inglesa para dar ênfase a certos pontos do seu discurso. Citando o próprio livro, um escravo perde primeiro seu nome, e depois sua língua.

Essa defesa na verdade ultrapassa a questão da língua, e se transforma em uma apologia da própria expressividade africana. Muito da energia narrativa do livro não vem meramente do seu surrealismo e fantasia, mas do seu modo de contar a história, com uma oralidade muito acentuada e recursos e técnicas que remetem a contadores tradicionais. O seu próprio recurso à fantasia, com discursos que se estendem por “sete dias e sete noites” ou personagens surreais com olhos do tamanho de lâmpadas e orelhas de coelho, parecem remeter a contos de fadas. Há mesmo um determinado personagem, um dos mais interessantes do livro, cuja função principal parece ser dar essa voz de contador à narrativa, enquanto espalha pelo país as histórias milagrosas do Feiticeiro do Corvo.

Vem da língua também, no entanto, um dos poucos pontos fracos do livro. A edição em inglês foi traduzida pelo próprio autor, e pode-se ver o texto um pouco truncado algumas vezes. O que incomoda mais, no entanto, e eu não sei se isso foi um problema da edição digital que adquiri na loja da Kobo, é que há muitas trocas de letras e pontuação – o Líder (“Ruler“), por exemplo, incontáveis vezes se transforma em Buler; outras tantas vezes há um L no lugar de um I, ou mesmo a pontuação é trocada de uma interrogações para um R.

Mas é um detalhe pequeno, técnico mesmo, que não me impediu de apreciar e me encantar com o livro. Alguém mais crítico talvez vá encontrar um problema maior com o assumido panafricanismo defendido pelo autor, mas no fundo, mesmo que reconheça a crítica, é um ponto que posso entender também como dentro do contexto. Para mim, está no mesmo patamar de um Cem Anos de Solidão, ou Meu Nome é Vermelho; mesmo as suas setescentas páginas no final parecem poucas, e eu me vi várias vezes adiando o final da leitura apenas porque não queria que ele acabasse. No fim, o Mumu que me perdõe, mas eu tenho um novo favorito pro próximo Nobel.

Dixit

dixitCerto dia estava eu com alguns amigos em um bar, entre eles o Christopher Kastensmidt, da Bandeira do Elefante e da Arara, que em um dado momento se virou para gente e disse: “vamos jogar um jogo.” Puxou de algum lugar então uma caixa de Dixit… E estou apaixonado desde então.

Sério, não há como não se apaixonar pelo jogo, publicado no Brasil pela Galápagos Jogos, à primeira vista. As regras são simples, tornando-o perfeito para ser um “jogo de festas;” você apenas escolhe uma carta e a descreve para os outros jogadores, que devem adivinhar qual ela é entre outras cartas que eles próprios escolheram para confundir os demais. De acordo com quantos escolheram a carta correta ou as erradas, distribuem-se os pontos e se avança por uma trilha na própria caixa do jogo.

Vale tudo na hora de descrever as cartas: você pode dizer uma frase, fazer uma citação, uma mímica, cantar uma música… O importante é ter em mente que a sua descrição não deve ser muito óbvia, pois se todos os jogadores a adivinharem, você será penalizado; nem obscura demais, pois se nenhum deles acertar, também. O resultado lembra um pouco o Imagem & Ação, embora com uma dinâmica invertida – ao invés de adivinhar um desenho feito pelos outros, você parte do desenho, e deve fazê-los adivinhar corretamente.

A grande diferença, é claro, está nas cartas desenhadas pela ilustradora francesa Marie Cardouat. De ênfase no surrealismo, são todas feitas para despertar algum estalo de imaginação, fazendo-o realmente “viajar” na cena representada. Enfim, descrevê-las é parte do desafio do jogo, então acho que é melhor apenas dar alguns exemplos abaixo.

dixit-cartas

Lindas, não? A caixa básica vem com 84 cartas, e lá fora já existem um punhado de expansões com dezenas de novas imagens. Espero muito vê-las por aqui também, Galápagos!

Dixit é, pra resumir, um jogo muito criativo, elegante e cativante na sua simplicidade. A vitória não requer habilidade de cálculos complexos ou estratégias mirabolantes, mas apenas uma imaginação sem travas para observar e descrever as imagens das cartas. Como cada carta pode ser interpretada e descrita de inúmeras formas por jogadores diferentes (ou até o mesmo jogador), as variações de jogo são quase infinitas. E como a ênfase está no visual, sem termos ou números complexos preenchendo as peças, tanto crianças como adultos são capazes de entendê-lo e jogá-lo, e será um jogo divertido e inteligente em qualquer caso. Recomendo muito.

Greta

slavicpaganTinha quatorze anos quando Greta foi contratada. Meu pai havia acabado de retornar de uma viagem de negócios ao norte da Europa, e poucos dias depois nos apresentava a ela, nossa nova empregada doméstica. Ela moraria em nosso apartamento e ocuparia o quarto apropriado na área de serviço. Devia ser tratada com respeito e cordialidade, e apenas uma regra a mais deveria ser seguida além das que valeriam para qualquer outra:

– Nunca, jamais, agradeçam-na por qualquer coisa.

Nos dias seguintes nos acostumamos aos poucos com sua presença. Greta era muito eficiente, mais do que qualquer empregada que tivemos antes ou depois. Nunca mais tivemos um apartamento tão limpo. Ela encontrava focos de poeira que não imaginávamos existir, e fazia brilhar como novas áreas que não percebíamos estar sujas até que passasse por lá. Trabalhava sempre de forma muito rápida, quase sobrenatural; você podia observá-la e ela pareceria estar no mesmo pique de uma empregada comum, mas bastava desviar os olhos por um instante e, quando a visse novamente, teria vencido o dobro de faxina do que esperava. Também era uma excelente cozinheira, com um leque interminável de receitas envolvendo massas, carnes e linguiças, e nunca houve um rasgo em uma de minhas roupas que não estivesse magicamente consertado na manhã do dia seguinte.

Eu estudava então em uma escola particular durante as manhãs, e tinha a maioria das tardes livres, que passava geralmente em casa, vendo televisão, jogando videogames ou dormindo. Era um garoto tímido e retraído, com poucos amigos com quem sair, praticamente apenas dois colegas de turma desajustados como eu: Bruno, um garoto grande que se enfurecia fácil com piadas sobre o seu peso, e Pedro, que era o único aluno negro da escola além de sua irmã mais nova. Duas ou três vezes por mês um deles ia até minha casa ou eu ia até a deles para estudarmos, jogarmos videogame, conversarmos sobre os últimos gibis do Homem-Aranha ou apenas falarmos mal de professores e colegas. Não tinha irmãos, meu pai trabalhava o dia inteiro no escritório, e minha mãe como gerente em uma loja de roupas no shopping local; assim, minha companhia no resto do tempo se resumia a Greta.

No início talvez nem pudesse chamá-la realmente de companhia. Estava acostumado a ignorar a presença das empregadas anteriores, e esta foi também minha primeira atitude então. Éramos dois estranhos, exceto por estarmos sob o mesmo teto; eu a deixava fazer seus serviços em paz, enquanto assistia aos filmes da Sessão da Tarde ou o que mais estivesse me ocupando no momento. Até que uma conversa com Bruno, em uma de suas visitas após a aula, mudou tudo.

– Você tem uma empregada muito bonita. – ele disse, entre uma rodada de videogames e outra.

– Você acha?

– É sim. A da minha casa é uma velha feia, queria ter uma empregada como a sua.

Não tocamos mais no assunto durante toda a tarde, mas à noite, enquanto me revirava pela cama tentando dormir, ele me veio novamente ao pensamento. Greta era, realmente, muito bonita, muito mais do que as nossas empregadas anteriores, ou a de qualquer outra família que eu conhecesse. Estas eram todas feias, ou gordas, ou velhas; Greta, ao contrário, era pequena e magra, e parecia ter a minha idade ou apenas um pouco mais, muito embora meu pai garantisse que fosse bem mais velha. Tinha cabelos loiros, lisos e longos, quase batendo nos joelhos, uma pele branca tão delicada que seria capaz de rasgar com um toque, e um par de olhos verdes claros quase ao ponto de se tornarem azuis.

Já no dia seguinte eu a olhava de uma forma diferente. Antes podíamos passar o dia inteiro a poucos metros de distância, e eu nunca a perceberia; agora, no entanto, era eu que a procurava, e inventava coisas a fazer onde estivesse trabalhando. Observava-a escondido, atrás de portas entreabertas, ou enquanto fingia me ocupar de outra coisa; ela me tomava toda a atenção quando estava em casa, e eu não conseguia me concentrar em qualquer outro assunto.

Quanto mais a observava e conhecia seus costumes, mais alguns aspectos do seu comportamento começavam a me intrigar. Logo notei, por exemplo, que Greta jamais reclamava de nada, fosse da sujeira que fazíamos, fosse dos pedidos que lhe passávamos. Sua postura era sempre de total submissão, olhando para o chão quando lhe falávamos, acatando as ordens que recebia com um simples balanço de cabeça. Acho que nunca a ouvi pronunciar qualquer palavra em português – sabia que não era muda, pois cantarolava canções em um idioma desconhecido enquanto trabalhava, e era certo que nos entendia muito bem quando nos dirigíamos a ela, mas jamais nos respondeu com qualquer comentário ou objeção articulada.

Além disso, e apesar de todas as receitas que conhecia, Greta era, aparentemente, vegetariana. Sua única refeição diária era composta por alguns legumes e verduras que preparava em um prato ao fim da tarde e comia sozinha, na área de serviço. Este também era, até onde eu podia saber, o único pagamento que recebia, uma vez que jamais presenciei meu pai repassando-lhe algum salário em dinheiro.

Nada me intrigava mais, no entanto, do que a recomendação de nunca lhe dar um agradecimento. Muitas vezes me vi imaginando o que aconteceria se o fizesse, e em mais de uma tive o “obrigado” na ponta da língua após algum pedido inventado apenas para isso – mas bastava lembrar-me de meu pai e do castigo que viria quando descobrisse para recuar, e deixá-la voltar às suas tarefas rotineiras.

Se havia tantas questões sobre Greta, é verdade também que ela tinha muitos mais encantos. Era sempre cuidadosa e atenciosa com o que fazia, e nunca nos recusou qualquer pedido. E não apenas a aparência, mas todos os seus gestos e movimentos pareciam ser dotados de uma beleza quase mágica: quando mexia os braços era como se pintasse o ar com pinceladas suaves e graciosas, e o seu caminhar era cuidadoso e ritmado como uma dança.

Assim, aos poucos, as tardes que passava com Greta foram se tornando a razão de minha existência. Já não era apenas em casa que ela tomava meus pensamentos, mas também na rua, na escola, na casa dos meus amigos. Todo o resto não passava de incomodação, provas heróicas as quais eu tinha que sobreviver para desfrutar daquilo que realmente importava. Até que chegou a vez de Pedro vir me visitar após a aula.

Como Bruno, ele também se impressionou com a beleza de Greta. Desta vez, no entanto, eu estava preparado para continuar no assunto, e até mesmo um pouco ansioso com a possibilidade de falar sobre ela com alguém, ao invés de guardar para mim tudo o que sentia. Foi preciso apenas alguns minutos conversa para que ele fizesse o comentário que me assombraria durante todo o mês seguinte.

– Você acha que o seu pai está transando com ela? – ele disse.

– O quê? – respondi, já sentindo um calafrio subindo as minhas costas.

– Eu vi num filme que, quando se tem uma empregada bonita assim, é quase certo que o dono da casa está fazendo sexo com ela.

– Ela não faria isso.

– Mas ele faria?

Terminei aquela tarde com muitos arranhões pelo corpo, uma mancha roxa e uma marca de mordida nos braços, e um amigo a menos durante uma semana. Mais do que isso, no entanto, toda a inocência dos meus sentimentos quanto a Greta foi perdida. Eu podia ser ainda um garoto, e até um tanto ingênuo, mas era já um adolescente, e, fosse pelos estudos ou por comentários e piadas de colegas, sabia bem o que o sexo representava. Eu mesmo fantasiava com ela em meus momentos íntimos, e não muitas semanas antes com colegas de classe e até algumas professoras; mas agora havia uma nova imagem que não conseguia expulsar dos meus pensamentos: a de Greta com meu pai, ou qualquer outra pessoa que não fosse eu.

Durante vários dias não consegui olhar para ela. Fugia da sua presença, e buscava outras coisas com que me ocupar – gibis, videogames, estudos. Mesmo nelas, no entanto, Greta não saía dos meus pensamentos e me impedia de me concentrar. Logo já estava rendido outra vez, e voltava a observá-la e persegui-la como se nada houvesse mudado.

Exceto que tudo havia mudado. Já não a via mais com um olhar deslumbrado, mas sim sedento, sorvendo cada instante da sua presença como um lobo esfomeado. Não me escondia mais quando queria vê-la; apenas parava no cômodo onde ela estava, sentando-me em algum lugar ou recostando-me na parede, e a observava fixamente, sem me preocupar com sua reação. Ela, por outro lado, nada fazia – apenas continuava seus afazeres como se eu não estivesse ali, ou não passasse de mais uma peça da mobília.

Toda essa passividade me fazia imaginar o que ela faria se eu lhe pedisse – ou melhor, mandasse – vir se deitar comigo. Tinha quase certeza que de não me recusaria, assim como não recusaria a qualquer outro que fizesse o pedido. No entanto, não era capaz de reunir a coragem necessária para fazê-lo, e apenas me via imaginando acontecer enquanto a olhava, sentindo meu corpo se aquecer e avermelhar enquanto certas partes de mim enrijeciam.

Meus pais também não demoraram a perceber a minha atitude desembaraçada em relação à Greta. Minha mãe me repreendeu mais de uma vez, quando me pegou olhando a empregada nas poucas vezes em que estava em casa. Meu pai também, mas com ele eu já não me importava; sua mera presença me lembrava da conversa com Pedro, e por isso preferia ignorar que estivesse lá.

E então veio a noite em que, após acordar durante um sonho estranho, fui até o banheiro lavar o rosto, e depois à cozinha pegar um copo d’água. Não sei se foi a minha intuição que me fez ir em seguida à área de serviço, ou se já então ouvia algum ruído abafado, ou mesmo se não era apenas a minha vontade de me sentir próximo à Greta por alguns instantes; o fato é que fui até lá, e encontrei o seu quarto com a luz acessa e a porta entreaberta. Aproximei-me devagar, levando o rosto com cuidado para perto da fresta, tentando descobrir o que ocorria lá dentro sem relevar minha presença. E então percebi que Greta não estava sozinha.

O choque me manteve imóvel por alguns minutos, mas logo me recuperei e voltei para o quarto. No entanto, não consegui mais dormir aquela noite, sem conseguir me livrar da imagem do que vi.

No dia seguinte, durante a aula, fui diversas vezes repreendido pela falta de atenção. Voltei para casa, mal toquei na comida durante o almoço e tentei evitar Greta o quanto pude. Não consegui: bastou que ela passasse pela minha frente durante a limpeza da sala, enquanto eu assistia à televisão, para que eu lembrasse de tudo o que ocorrera, e a segurasse e puxasse pelo braço.

– Eu vi o que você estava fazendo ontem à noite. – ela se virou em minha direção, olhando-me como se não entendesse o que eu dizia. Meus olhos começaram a marejar, e eu já sentia as primeiras lágrimas escorrendo pelo lado do rosto. – Por que você fez isso, Greta?

Puxei-a para cima do sofá e me posicionei sobre ela. Continuava a perguntar por quê? entre choros e soluços, enquanto levantava o seu avental e sua saia, e abaixava em seguida sua calcinha. Eu endurecia, mas ela nada fazia para resistir; apenas aceitava a tudo me olhando, passiva, como se já esperasse pelo que estava acontecendo.

Talvez tenha sido a sua falta de atitude, o pouco interesse que demonstrava em impedir meus movimentos, ou então fui eu que percebi subitamente o que estava fazendo, mas o fato é que eu não consegui continuar. Parei de repente de me mover sobre ela, e olhei fixamente nos seus olhos vazios de sentimento. Levantei desajeitado do sofá e corri para o quarto, batendo a porta atrás de mim.

Já estava encolhido e aos prantos sobre a cama quando ela se abriu devagar, revelando Greta, que entrou e veio em minha direção. Eu levantei o rosto para vê-la; ela se aproximou, sentou-se ao meu lado, e começou a secar minhas lágrimas suavemente com as mãos. Logo seus dedos se moveram para trás, em direção à minha nuca, e a seguraram e puxaram para perto dela, apertando-me contra seus lábios em um beijo longo.

Greta se afastou de minha boca e começou a descer em direção ao pescoço, ao ombro esquerdo, ao peito, parando em cada um deles com um beijo curto. Eu endurecia um pouco mais a cada vez que seus lábios me tocavam, e em seguida também com o calor molhado da sua língua. Com mãos ágeis, ela me despiu aos poucos, livrando-me de minha camisa, e depois de minhas calças e roupas íntimas. Por fim, subiu em mim, e eu me senti entrando nela enquanto a apertava contra o meu corpo e começava a movê-lo devagar.

Quando terminamos, ela levantou da cama e ajeitou a roupa, antes de começar a caminhar em direção à porta. Eu a chamei antes que saísse do quarto, fazendo-a parar e se virar em minha direção. Tinha no rosto um olhar sério e passivo, como se o que acabara de fazer não fosse diferente de tirar uma mancha da parede.

Emudeci ao vê-la com aquela expressão, esquecendo de repente todo o milhar de coisas que passava pela minha cabeça. Queria dizer que a amava, que a queria para sempre comigo, que fugiria com ela; quando abri a boca para falar, no entanto, consegui formular apenas uma palavra:

– Obrigado.

Ela não respondeu, e apenas se virou novamente e saiu do quarto. Ao fim do dia já não estava mais em lugar nenhum do apartamento, sumindo de minha vida quase tão rápido quanto aparecera.

Osama

osamaComo todo noir que se preze, Osama abre com uma femme fatale adentrando o escritório de um investigador particular. A missão que ela traz também é típica: encontrar o autor recluso dos romances da série Osama bin Laden: Vigilante, da qual nada se sabe exceto o seu pseudônimo, Mike Longshott.

Estamos em um mundo um pouco diferente do nosso, como se pode ver: um século XXI alternativo onde o terrorismo global não existe exceto como literatura barata. A busca de Joe, o detetive, no entanto, o levará a descobrir um mundo secreto sob a superfície, uma região de sombras habitadas por entidades fantasmagóricas chamadas Refugiados. Na medida em que se envolve com elas, entre os trechos dos romances que investiga e encontros surreais com viciados em ópio, a sua própria identidade começará também a se fragmentar, enquanto ele se aproxima da verdade misteriosa por trás daquele universo literário.

É difícil imaginar uma trama dessas se desenvolvendo sem conotações políticas, e é claro que elas estão lá de alguma forma, mas o ponto que o autor Lavie Tidhar quer fazer diz muito mais respeito à própria alma humana e a sua relação com acontecimentos catastróficos. Israelense de nascimento, ele e sua esposa estiveram mais de uma vez muito próximos de ataques da Al-Qaeda na África, Europa e Ásia; o sentimento que ele busca evocar com a sua obra tem muito mais a ver com a sensação de estranhamento da própria realidade que nasce destas situações, aquele momento em que ela parece, como diz a famosa frase, mais inverossímil que a ficção.

Se estruturando como um neo-noir weird, é possível ver no livro algum eco do premiado The City and The City, de China Miéville; mas é claro que a principal referência é o clássico O Homem no Castelo Alto, de Phillip K. Dick, provavelmente a mais conhecida obra de história alternativa, e não há como não se remeter diretamente a ele durante a leitura. Abraçando com mais intensidade a fantasia e o surrealismo, no entanto, Tidhar parece se aproximar mais de um Borges ou, principalmente, Kafka, com seu enredo labiríntico e melancólico, que funciona em última análise como uma metáfora para a própria confusão mental e isolamento do protagonista. Nisso, há algo nele que me lembrou também O Alienado, do brasileiro Cirilo S. Lemos.

Osama é, enfim, um livro bastante interessante, daqueles que causam uma impressão forte durante a leitura. É difícil não devorá-lo em poucos dias, e há muito nele a se refletir mesmo após o ponto final.

A Morte é Legal

amorteA Morte é Legal é o segundo livro de Jim Anotsu, que, apesar do nome, é um escritor bem brasileiro. Depois da deliciosa, mas broxantemente curta, aventura de Annabel & Sarah, ele nos traz desta vez um romance sobrenatural com ares de épico juvenil, sempre nos encantando com a sua imaginação fértil e referências pop.

A história desta vez é protagonizada por Andrew Webley, um garoto apaixonado e, por isso mesmo, muito ridículo, vivendo na cidadezinha inglesa de Dresbel. As coisas começam a mudar para ele, no entanto, quando conhece uma garota estranha de mechas verdes que lhe faz uma proposta irrecusável, e ele logo descobre ser ninguém menos que Ive, a Princesa do Fim Inevitável, filha mais nova da própria Morte. Paralelamente, seguimos também a história da irmã de Andrew, Amber, e a sua busca pessoal para ganhar credibilidade nas ruas e se tornar a próxima rainha do hip hop.

Mais do que um mero romance sobrenatural, o que esta história apresenta é um conto sobre a maturidade e os sacrifícios que temos que fazer para atingi-la. Ao longo do texto, todos os protagonistas devem eventualmente passar por situações de crise, escolhas difíceis e decisões irreversíveis, do tipo que depois os moldará enquanto adultos. A intensidade com que tais situações são descritas – seja nas discussões de Andrew com o pai, as decepções de Amber com as próprias limitações, mesmo o desespero de Ive para evitar o destino que sua mãe decidiu para ela – é arrebatadora, e pode-se ver a sinceridade do autor escrevendo sobre si próprio por meio de seus personagens.

Há alguns pontos negativos, é claro, mas eu acredito que seja principalmente pela falta de um trabalho de edição mais incisivo. Não digo nem das dúzias de referências literárias e musicais que percorrem o livro – há sim um pouco de quebra de clima quando um dos personagens compara os seus sentimentos com uma música de uma banda obscura da qual você nunca ouviu falar, mas é também parte do jogo que o autor propõe, e do que torna a história tão sincera e cativante. Incomoda mais o fato de que a escrita por vezes parece crua e descuidada, com advérbios sobrando e frases que poderiam ser divididas ou reformuladas; uma revisão cuidadosa e reescrita de algumas passagens não faria mal. Mas o que mais me marcou negativamente mesmo foi a quantidade de simples erros de copidesque mesmo – coisas como artigos repetidos, frases que não terminam, o tipo de coisa que seria o papel de um editor mesmo consertar. Não é a primeira vez que destaco isso em um (bom) livro desta editora, e acho que vale o puxão de orelha para que os próximos lançamentos sejam mais cuidadosos.

Nada disso, no entanto, chega sequer perto de arranhar os méritos que o livro possui. Mesmo com as falhas apontadas, ainda temos um universo surreal delicioso que poderia estar em uma HQ do Neil Gaiman ou livro do Michael Ende, um enredo extremamente envolvente, com personagens e mesmo vilões que cativam e criam empatia com o leitor, e um final de partir o coração. É o tipo de história que dá até pena de ver ser publicada por um autor brasileiro – nada contra autores nacionais em si, mas pelo fato de que seria um verdadeiro pote de ouro nas mãos de um empresário que o vendesse a um estúdio de cinema, que facilmente o transformaria no filme do verão estrelando o Michael Cera ou coisa que o valha. Por aqui, vai precisar de um bocado de sorte para que um Jorge Furtado da vida o encontre e dê a ele o tratamento que a história merece.

Enfim, A Morte é Legal é, sim, um livro muito legal. Leiam, não vão se arrepender.

1Q84

1q84Acho que não existe quem não seja familiarizado com a idéia de almas gêmeas. Você sabe: duas pessoas destinadas a ficarem juntas, que reconhecem um no outro tudo aquilo que querem num companheiro para a vida, e cuja união já está “escrita nas estrelas” praticamente desde o nascimento. Uma idéia romântica e boba, segundo muitos, típica da superficialidade da vida contemporânea, onde a falta de um sentido social mais amplo para a existência leva as pessoas a os procurarem em uma extrapolação e transcedentalização dos seus desejos individuais; há quem diga até que seria uma idéia um pouco assustadora se fosse mesmo verdade. Por outro lado, por mais cético que você seja, algumas vezes acontece de encontrar uma pessoa que põe isso tudo em perspectiva, e o faz pensar que talvez não seja algo tão absurdo assim.

Em todo caso, independente da sua opinião a respeito, é inegável que, antes de mais nada, almas gêmeas são um clichê. É um deus ex machina bastante fácil, em que um autor quer que dois personagens fiquem juntos mas não tem tempo para (ou muitas vezes não sabe como) fazer isso acontecer. É difícil encontrar uma história que utilize esta idéia sem sem soar tosca, óbvia e até um pouco preguiçosa. 1Q84, último livro do japonês Haruki Murakami, é uma das poucas que realmente consegue isso.

Muito se deve, é claro, ao fato de que Murakami possui tempo de sobra para desenvolver esta relação. São quase mil páginas, ou até mais dependendo da edição, para unir os protagonistas Aomame e Tengo – tantas que o livro foi publicado em três volumes separados no Japão, e será assim também aqui no Brasil. Há tempo para que a história de ambos seja contada em detalhes, para que conheçamos tudo aquilo que eles possuem em comum, bem como o evento arrebatador que os uniu ainda na infância. A narrativa pode até mesmo se dar ao luxo de expor o seu tema central já umas boas centenas de páginas adentro, não se preocupando em fazê-los se cruzar gratuitamente antes de isso ser realmente necessário.

Nesse meio-tempo, o enredo se desenvolve como um típico romance murakamiano. Já disse antes, mas é uma descrição tão perfeita que não há como não repetir: ler Murakami é como entrar em um estado de sonho onde impera a lógica do surreal e do onírico, em que o espírito de um corpo comatoso pode visitar apartamentos atrás de mensalidades atrasadas da rede de televisão NHK, seres pequeninos saem de dentro de cadáveres para criar casulos de ar, e uma segunda lua pode pairar suspensa ao lado da que conhecemos. Neste caso em especial a passagem para o outro mundo chega a ser mesmo literal, enquanto os dois protagonistas, cada um à sua maneira, acabam tragados para o ano de 1Q84, uma versão alternativa do nosso 1984 – o Q, no caso, representa uma questão, a dúvida que ambos possuem sobre a natureza do mundo em que entraram; e é também um trocadilho com o número nove em japonês, que é pronunciado kyu, da mesma forma que a letra Q em inglês.

O fato de ter uma narrativa de sonho, no entanto, não impede que o autor toque também em temas bastante concretos e reais. Dois em especial se destacam pela profundidade e frequência com que são tratados: o da violência contra as mulheres e a influência da religião na vida das pessoas. De um lado, Murakami não se furta de ser bastante cru e direto na descrição de cenas violentas, não tentando mascarar ou esconder a crueldade com que certos personagens são tratados. Do outro, traz à tona um tema bastante caro ao povo japonês – o das seitas religiosas fechadas, como a que causou o incidente com o gás sarin no metrô de Tóquio em 1995 -, sem deixar de dar a sua própria mensagem sobre o papel da espiritualidade e religiosidade para o ser humano.

Murakami possui um estilo bastante característico, com o qual eu já estou ficando bem acostumado. Suas descrições são detalhadas e cheias de pormenores, passando por cada cheiro, sensação e pequeno gesto feito pelos personagens. Nos piores momentos, isso torna a leitura morosa e até um pouco tediosa, com diálogos triviais e sem significado, algumas vezes até um tanto toscos (em especial na fixação de Aomame com o tamanho dos seus seios e os das suas amigas), além de constantes redundâncias e exposições que poderiam ser deixadas implícitas ao invés de serem escancaradas. Em especial os Little People, os seres sobrenaturais que desencadeiam boa parte do lado mais surreal do enredo, acabam perdendo bastante com isso, parecendo às vezes cômicos demais quando tentam ser assustadores.

Nos seus melhores momentos, no entanto, é uma prosa extremamente envolvente e impressionista, capaz de despertar sentimentos profundos através de palavras e frases simples, que parecem ter sido escritas de uma tacada só, como se saíssem naturalmente dos dedos do autor. Há espaço para reflexões filosóficas e referências eruditas profundas, desde a Sinfonietta do compositor tcheco Leoš Janáček, que perpassa muitos dos momentos fundamentais da trama, até O Ramo Dourado de Sir James Frazer, que serve de base para o seu lado mais místico e esotérico, além de uma longa presença nos capítulos finais de Em Busca do Tempo Perdido, do Proust. Como os próprios protagonistas, nestes momentos você também se sente tragado para o mundo estranho do ano 1Q84, e quase é capaz ver as duas luas pairando no céu quando olha pela janela.

Trata-se da obra mais ambiciosa de Murakami, enfim, mas não sei dizer se é um livro para todos os leitores. O seu tamanho assusta, e as particularidades do estilo podem facilmente entediar quem não estiver acostumado – o primeiro livro, em especial, é bastante devagar, para então seguir em um crescendo extremamente envolvente de tensão até mais ou menos a metade da história, e terminar com uma distensão longa e vagarosa até o desfecho. Se você nunca leu nada dele, talvez seja melhor começar com uma obra mais simples, como Minha Querida Sputnik ou Após o Anoitecer, antes de se arriscar; se já conhece ou é fã, no entanto, vai fundo, pois é uma leitura bastante única e cativante.


Sob um céu de blues...

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@bschlatter

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