Arquivo de setembro \25\UTC 2012

Lorde Takeyama

Escrita pelo norte-americano Shane L. Amaya e desenhada pelo paulistano Bruno D’Angelo, Lorde Takeyama foi o primeiro volume da coleção Opera Comics, da editora Opera Graphica, que aparentemente não existe mais. Ele relata a história de um velho samurai aposentado que, ao receber a notícia de que seu daymio está à beira da morte, relembra seus feitos do passado, enquanto se empenha na caça de um espírito da floresta que supostamente engravidou sua filha.

A história é muito bem desenvolvida, alternando constantemente entre as memórias do samurai e a sua caçada derradeira. Há um jogo narrativo bem interessante, em que os quadros possuem formatos uniformes nas ações mais densas no tempo presente, mas aumentam de tamanho na transição para as cenas de batalhas do passado, dando movimentação à história e ditando o ritmo da leitura. Alguns detalhes mais sutis do enredo podem mesmo requerer mais de uma leitura para serem percebidos, característica das grandes obras literárias que nem sempre aparece nos quadrinhos mais populares.

A arte em si também é excelente. É claro que, se tratando de uma história sobre samurais, o mangá é uma influência forte; mas, longe de ser uma cópia descarada do estilo de artistas orientais, os seus elementos principais, como a narrativa dinâmica e o controle de tempo da leitura, são absorvidos para criar um estilo próprio, mais limpo e claro. O uso de sombras, em especial, chama bastante a atenção, bem como as cenas de caçadas, com um retrato bastante fiel de técnicas de arco-e-flecha tradicionais. E há ainda a cena das folhas de cerejeira caindo que abrem e fecham a história de maneira sublime, funcionando quase como haicais gráficos.

Na soma final, Lorde Takeyama é uma obra-prima pouco conhecida dos quadrinhos nacionais. Talvez caia em um dos temas mais caros da nipofilia da cultura otaku (qual seja, os samurais e os seus códigos de honra), mas o faz com maestria e sensibilidade, de forma que certamente vale uma olhada.

Projetinho

Não sei até que ponto é pretensão minha achar que eu tenho “leitores.” Até onde eu sei, só quem deve ler esse meu cantinho são a meia dúzia de amigos que me seguem no Twitter ou no Facebook mesmo. E desses, os que se interessariam por isso são menos ainda, e muito provavelmente já sabem de qualquer forma.

Mas enfim. Um pouco por descargo de consciência, um pouco só pra dar uma mexida nas coisas por aqui, que andam bem paradas, e um pouco ainda só pra poder catar uma imagem bacaninha de um robô gigante pra ilustrar o post, eu aproveito pra dizer que tenho publicado já faz algum tempo vários textos no blog RPGista. Eles são a razão de eu ter meio que diminuído as minhas postagens de RPG por aqui, que eu tenho preferido publicar lá, onde o público é mais específico, exceto quando é algo que eu acho legal o suficiente pra trazer pra cá também. E recentemente eu comecei lá também um projetando bem pessoal, chamado Tormenta Mecha, em que eu crio alguns personagens e materiais que adicionem robôs gigantes ao sempre popular mundo de Tormenta. Tem um texto introdutório lá, e quem quiser uma lista de postagens é só procurar a tag específica no site.

Enfim. Se você por acaso chegou até aqui atrás de RPG e se deparou só com meus devaneios aleatórios que não interessam a ninguém, pode clicar nos links correspondentes e ir pra lá. E se ainda não sabia desse meu novo projetinho… Bem, se puder dar uma olhada lá e faz uns comentários nos respectivos posts, eu agradeceria.

Até mais.

Ponto Nodal

E assim, tudo se encaixa: cada peça em seu lugar, todo espaço de alguma forma preenchido. Não há lacunas ou excessos, nem vácuos ou apertos; apenas o todo simétrico e uniforme, montando átomo a átomo a grande imagem cósmica do vazio universal que a tudo dá, enfim, sentido.

Dia Perfeito

Tudo estava perfeitamente perfeito naquele dia perfeito: o sol brilhava perfeito no céu perfeitamente azul, onde pássaros perfeitos cantavam notas perfeitas e as poucas nuvens perfeitas eram como ornamentos perfeitos mais do que indícios de algum tipo imperfeito de chuva que pudesse quebrar aquela perfeição perfeita. O despertador tocou perfeitamente às seis e meia da manhã, acordando Júlia do seu sono perfeito para que tomasse um café da manhã perfeito antes de seguir para o seu dia escolar perfeito. A ela mais do que a ninguém agradava toda aquela perfeição, pois aquele seria o aniversário perfeito para os seus dezesseis anos de vida perfeitos.

Vestiu o uniforme perfeito no seu corpo perfeito, ajeitou seus cabelos louros perfeitos, colocou uma leve maquiagem perfeita para ressaltar o brilho dos seus olhos verdes perfeitos e pegou seus livros perfeitos para seguir perfeitamente feliz até a escola perfeita. Pensou nas suas amigas perfeitas e os cumprimentos perfeitos que receberia delas, nos olhares perfeitos dos meninos da classe em direção ao seu sorriso perfeito, nas reclamações perfeitas dos professores por causa das conversas perfeitas que teria durante suas aulas perfeitas. Pensou nos olhos azuis perfeitos de Márcio e no beijo e no abraço perfeitos que receberia dele no intervalo perfeito das aulas daquele dia perfeito.

E assim caminhou perfeita, com seus passos perfeitos, cheia de pensamentos e sonhos perfeitos, enquanto atravessava a última rua perfeita antes da entrada perfeita da escola perfeita onde estudava. Morreu atropelada por um ônibus perfeito, após perder muito do seu sangue perfeito na âmbulância perfeita que tentou levá-la até o hospital perfeito, fazendo seus amigos e familiares derramarem muitas lágrimas perfeitas no seu funeral perfeito.

Urbe Sinfônica

Os habitantes de Galineia há muito estavam descontentes com a cidade onde moravam. Não suportavam o barulho e a poluição sonora que eles próprios criavam ao viver seus cotidianos diários de tabalho, lazer e situações diversas. Muitas vezes já haviam tentado solucionar o problema, mudando rotinas, diminuindo sons, criando leis; no fim, no entanto, passando por sucessos temporários eventuais, tudo voltava à mesma situação: barulho, poluição sonora, no máximo com sons diferentes.

Políticos eram eleitos com a promessa de resolver o problema; urbanistas de renome iam até a cidade, pagos para encontrar uma solução; grandes pesquisas e estudos eram promovidos e subsidiados pela prefeitura, esgotando grandes quantias do orçamento anual. Tudo sem sucesso. No fim, foi um artista – um músico – quem, afinal, teve a idéia definitiva.

Com uma equipe cuidadosamente selecionada, ele estudou durante meses a rotina da cidade. Acompanhou as tarefas e lazeres de cada cidadão, e estudou a frequência, origem e duração de cada som que era produzido. Por fim, com a ajuda de técnicos contratados, acertou e conferiu, um a um, a afinação, o timbre e o ritmo dos sons que cada carro, cada computador, cada televisão, cada ronco emitia.

E agora, afinal, se não era possível eliminar os sons indesejados, pelo menos estes não mais formavam uma massa caótica e desconexa: cada barulho emitido estava em perfeita harmonia com os demais, tomando parte nos compassos que faziam a sinfonia urbana por eles executada. Nas segundas-feiras era Bach; nas terças, Beethoven; nas quartas, Mozart; nos fins de semana, temas diversos de jazz. E assim, se a Galineia estava ainda longe de uma utopia silenciosa, ao menos seus habitantes não se incomodavam mais com os sons que produziam, e passaram até a apreciar a música que todo o dia fazia a trilha sonora dos seus cotidianos.

Os Mercenários 2

Os Mercenários 2 é um filme que BAM BAM BAM BAM POW POW POW BAM BAM BAM BAM BAM.

RA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA.

RRRRRRRRRRRRRRRRRRR IRRRRRRRRRRRRRRR ÊRRRRRRRRRRRR ÔRRRRRRRRRRRRRRR, BAM, CATAPLAM, BAM BAM.

POW PAF POW POW POW POW BAM BAM BAM.

BAM.

BAM.

BAM.

FSSSSSSSSSSSSS… BAM BAM BAM BAMBAMBAM BAM BAM BAM BAM BAM.

RA  TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA.

I’m back.

RA  TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA.

BUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM!


Sob um céu de blues...

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