Arquivo para setembro \30\UTC 2013

Thermae Romae

thermaeThermae Romae já é surreal desde a sua premissa: ser uma série de mangá sobre… Banhos. Sim, isso mesmo: higiene pessoal e o simples prazer de submergir na água quente. E eu achando que minhas regras para 3D&T nunca seriam úteis em alguma adaptação… Se isso já não parece absurdo o bastante, continue lendo.

Seu protagonista é Lucius, um arquiteto romano de casas de banho do século II d. C., período do governo do Imperador Adriano. Certo dia, após ser demitido do seu emprego por não ter idéias inovadoras, ele descobriu uma passagem que o levou para o Japão contemporâneo! Impressionado com as técnicas de banho que descobriu por lá, resolve usá-las para revolucionar o negócio no seu próprio tempo.

É claro que uma história assim não pode ter outro tom que não o da galhofa e do humor, tendo o anacronismo e o choque cultural como punchline recorrente. As reações de Lucius a cada nova descoberta daquele povo estranhamente avançado são bastante cômicas, com pelo menos uma ou duas cenas de parar a leitura para rir. No entanto, há ao mesmo tempo um lado bastante cuidadoso e sério no contexto e pesquisa histórica, que não foi negligenciado pela autora. Eventos e personagens famosos são citados, e há mesmo falas pontuais em latim, em especial quando o protagonista tenta se comunicar com os estrangeiros de cara achatada.

O resultado é uma obra bem divertida e também informativa, tanto sobre a história romana como sobre a própria cultura de banhos no Japão contemporâneo. O pequeno posfácio ao fim de cada capítulo revela que a autora chegou a fazer mesmo algumas pesquisas de campo para melhor retratar as práticas e estabelecimentos. Completa ainda uma arte muito bonita, incrivelmente detalhada e cuidadosa.

Há um certo ponto negativo apenas no enredo geral das histórias, que são bem repetitivas. Basicamente, Lucius é confrontado com um problema, não sabe como resolvê-lo, então boom! Deus ex-machina, e ele é levado para algum ambiente ligado ao banho japonês contemporâneo. Lá ele começa a recolher informações e ideias, eventualmente tem uma pequena crise existencial ao ver como aquele povo é avançado e inventivo em relação à sua amada patria mater (o ufanismo é brinde), e então retorna para resolver qualquer que fosse problema que tinha anteriormente. No final, um pequeno cliffhanger para adiantar o tema da próxima história.

Mesmo com essa repetição, no entanto, a obra se faz valer bastante no surrealismo e situações inusitadas. Apenas achei os japoneses retratados estranhamente hospitaleiros com os caucasianos nus que surgem de lugar nenhum dentro dos seus banheiros… O lado informativo também é bem apurado, e traz toda uma camada a mais para a leitura. No geral, vale a pena dar uma olhada sim.

Tiny Tina’s Assault on Dragon Keep

dragonkeepBorderlands é uma das séries da última geração de consoles mais bem sucedidas, e não é pra menos. Os valores de produção são excelentes, o estilo de jogo é cativante, misturando uma série de gêneros diversos, junto ainda com uma construção de cenário, narrativa e personagens de primeira linha. E, talvez o principal, há um foco no humor negro e na diversão que supera todo o resto: enquanto séries como Call of Honor: Black Battlefield of Duty Ops e seus genéricos derivados se focam em um realismo chat– digo, extremo, Borderlands quer mais é fazer coisas explodirem, te fazer bater de frente com um monstro gigantesco, então fazer mais coisas explodirem, e completar tudo com uma piada sarcástica. Não é à toa que é uma das poucas (a única?) série que conseguiu vencer a minha resistência natural ao gênero dos jogos de tiro em primeira pessoa.

Todos esses fatores se conjugam muito bem em Tiny Tina’s Assault on Dragon Keep, a mais recente expansão lançada como conteúdo baixável para o Borderlands 2. O nome já dá uma dica do que se trata: uma grande homenagem aos RPGs e histórias de fantasia como um todo. O enredo da expansão se concentra não em uma missão propriamente dita, mas uma espécie de jogo dentro do jogo. O protagonistas se encontram em volta de uma mesa jogando uma partida de Bunkers & Badasses mestrada pela Tiny Tina do título, e o que você “joga” realmente é a história desta campanha, com direito a comentários em off dos jogadores recebidas pelo comunicador permeando as missões.

O cenário da campanha, é claro, é fortemente inspirado pela fantasia medieval – cavaleiros, dragões, magos e todo o resto -, mas sem esquecer da ficção científica aloprada que é tão marcante na série. Granadas são substituídas por feitiços clássicos – relâmpago, mísseis mágicos, bola de fogo; e há raças tradicionais como orcs e anões, mas é claro que eles possuem espingardas e rifles de precisão. Em uma determinada side quest, você chega mesmo a ganhar uma das armas mais fodônicas da história (e perdoem-me, mas não existe outro adjetivo para ela): uma espingarda que dispara espadas explosivas, que quando explodem disparam novas espadas explosivas na área ao redor.

No meio disso, uma pilha interminável de referências, tantas que se transformam quase em um jogo em si mesmo. Há uma side quest em que você se vê em meio a jogadores fictícios de MMORPGs, outra que referencia mais diretamente Demon’s / Dark Souls, outra ainda inspirada pelo clássico desenho O Aprendiz de Feiticeiro, uma em que você deve, ahem, passar por um mago através de uma passagem estreita em uma mina subterrânea, e outra em que o seu objetivo é simplesmente bater, bater e bater mais um pouco em um certo príncipe aprendiz de psicopata chamado Jeffrey. Cada linha de diálogo, seja as legendas que avançam a história ou as ditadas como frase de efeito por um inimigo genérico, pode conter até uma dúzia de referências escondidas.

O fato é que Borderlands, a série, é muito divertida por si só, e Tiny Tina’s Assault on Dragon Keep consegue ser uma diversão ainda maior para qualquer um que já tenha rolado um d20 (motivo, aliás, que se repete intermináveis vezes durante a expansão). Recomendo muito que quem tiver o jogo à disposição experimente.

Três da Tarde

Três da tarde. Tudo aquilo parecia muito com três da tarde. Não fazia sentido, mas era o que pensava. Três da tarde. Era madrugada e estava em um quarto de motel, olhando para uma moça que dormia nua ao seu lado. Fossem realmente três da tarde, estaria sentado em uma mesa no escritório, preenchendo formulários e atendendo telefonemas. Mas havia algo no ar, ou no chão, ou na cama, que o fazia pensar naquele horário , nem um minuto a mais ou a menos.

Virou-se para o lado e pensou na esposa, dormindo sozinha na cama do casal. Ou não; a relação dos dois já era tão distante e vazia que não se surpreenderia se ela também procurasse companhias que melhor a satisfizessem. Tentou imaginá-la ao lado de outro homem, mas não conseguia lembrar dos traços do seu rosto. Tudo o que conseguia resgatar eram os seus olhos, e, de resto, via apenas uma fumaça escura, um nevoeiro que a ocultava exceto por uma silhueta sombria de olhos castanhos.

Pensou na filha recém chegada na adolescência, e como ela também logo passaria a procurar companhias que lhe fossem mais agradáveis. Não havia o que fazer; lembrava muito bem ainda da própria adolescência, e das companhias com que procurava para passar o tempo longe da família. Na verdade, pensava às vezes que nunca havia saído dela, e duvidava que um dia saísse, por mais as décadas passassem.

Pensou na moça ao seu lado, de quem não lembrava o nome e que possivelmente nunca mais veria. Tentou lembrar a cor dos olhos dela, mas não conseguiu. Por algum motivo, pensou também numa frase de um livro que lera muitos anos antes, que dizia como é bom, o aroma de morangos frescos em um sábado de manhã. Não lembrava do título ou do autor. Apenas aquela frase rondava os seus pensamentos como um fantasma.

Levantou, se vestiu. Olhou mais uma vez para a moça deitada na cama redonda, enrolada nos lençóis azuis, enquanto ela, ainda inconsciente, se virava para ocupar o espaço extra. Não conseguia lembrar a cor dos olhos dela. Sobre o criado mudo, ao lado do balde de champanhe oferecido como brinde, deixou algum dinheiro para pagar a diária do quarto. Então saiu.

Tudo continuava a parecer muito com três da tarde.

MM9

MM9 libroQuem conhece o histórico de desastres naturais e não-naturais do Japão certamente não pode estranhar a fixação que o país tem com a invasão de monstros gigantes, os famigerados kaiju. Depois de duas bombas atômicas e um sem número de terremotos de grande magnitude, para um criador de histórias fantásticas é um passo bem natural imaginar que o causador de tais estragos tenha um tamanho proporcional a eles. Até um nome respeitado como Haruki Murakami já flertou com a idéia em um conto pouco conhecido chamado Super-Frog Saves Tokyo, em uma coletânea  que escreveu sobre o terremoto de Kobe em 1995.

Terremoto esse, aliás, que deixou uma marca bem grande no imaginário do país, pelo menos até a tragédia mais recente de Fukushima, e também é referenciado, e da mesma forma atribuído a um monstro gigante, em MM9, ficção científica de Hiroshi Yamamoto publicada em inglês pela editora Haikasoru, da qual eu já falei um pouco anteriormente. A sigla do título faz referência ao termo Monster Magnitude, uma escala de medição do tamanho e estrago potencial causado por um monstro gigante – algo como uma escala Richter para kaiju. Por ela podemos ter já alguma idéia do que o livro trata: o dia-a-dia do MMD, ou Monsterological Measures Department (algo como o “Departamento de Medidas Monstrológicas”), uma agência governamental que, como agências metereológicas, tem a missão de prever, analisar e eventualmente ajudar a remediar ataques de kaiju no Japão.

A idéia é bem criativa, e remete a algumas das séries originais que tornaram os bichos tão populares. É difícil não lembrar das equipes de apoio do Ultraman e seus descendentes, por exemplo. Apenas não aqui há um alienígena bondoso de tamanho colossal para enfrentar os bichos (bom, pelo menos não até o confronto épico final); o papel do MMD é principalmente o de avaliar as informações disponíveis sobre o bicho e então sugerir um plano de ação às forças de defesa japonesas, sempre tendo em vista o objetivo de manter o número de casualidades o menor possível.

O próprio livro é estruturado um pouco como uma série de TV. Os cinco capítulos parecem episódios, com direito ao “monstro da semana” e tudo mais – um deles até mesmo brinca com o formato, tendo como enredo a gravação de um programa-reportagem sobre a agência. Ainda que haja uma trama maior englobando todos eles, funcionariam perfeitamente como contos independentes. O estilo narrativo também é focado na ação e nos diálogos, com o cenário muitas vezes resumido a uma legenda no começo de uma cena indicando a sua localidade e tempo de acontecimento. Há um bom equilíbrio entre o trabalho no combate aos monstros e o desenvolvimento da personalidade dos personagens principais, mas também não é nada mais profundo do que você teria em um seriado semanal. Não me foi surpresa descobrir que o livro realmente foi transformado em um programa televisivo em 2010, que eu ainda estou tentando descobrir se foi legendado por fãs.

Mas isso está bem longe de ser um demérito, claro. Na verdade, achei que ajudou a tornar a leitura bem dinâmica e ágil, e no final achei as histórias todas muito divertidas. Há lá a sua dose de clichês (é claro, por exemplo, que os agentes com mais destaque são jovens recrutas cheios de determinação, o masculino chamdo Ryo e a feminina chamada Sakura), mas eles também não estragam a proposta de entretenimento do livro. Há mesmo espaço para algumas idéias instigantes no meio do caminho, como a pseudo-ciência que explica a existência dos kaiju, uma extrapolação do princípio antrópico aplicado à mitologia.

Na soma final, foi uma leitura bem divertida, que eu recomendo para quem cresceu assistindo monstros gigantes na televisão.

Vertigem

Para o tempo
Um momento
Que eu quero respirar.

Aula de História em 2032

trencheswwi2Cheguei na trincheira em cima da hora, pois o meu ônibus para o front atrasou. Vesti meu capacete, peguei meus instrumentos de trabalho e corri para a minha posição.

Mal cheguei e já pude ouvir o grito de guerra do outro lado, seguido de uma saraivada de tiros em todas as direções. Me protegi atrás da barricada, segurando o capacete sobre a cabeça. Os tiros continuavam, seguindo de gritos raivosos, xingamentos e palavrões de baixo calão. Assim era o inimigo.

Assim eram os meus alunos.

Quando tive uma oportunidade, levantei, puxei o meu megafone e comecei a falar:

– E 1763, a Inglaterra saía vitoriosa da Guerra dos Sete Anos contra a França…

Vi um objeto voar em minha direção e me abaixei rapidamente. A granada fez um arco sobre mim e caiu vários metros distante antes de explodir. Nenhum estilhaço me atingiu, mas ouvi o grito de dor de uma professora vindo daquela direção.

– …no entanto, os esforços e gastos com o conflito foram muito grandes, deixando-os esgotados financeiramente… – Segui com a minha fala, esperando pelo sinal da troca de turma. Quando veio, me abaixei e corri pelas trincheiras até a minha nova posição. No caminho, cumprimentei os professores de geografia e matemática, e vi ao longe a professora de português sendo atendida pelos para-médicos da secretaria.

Casualidades acontecem. Eu não podia me preocupar com isso agora; ainda tinha quatro períodos inteiros para sobreviver só no turno da manhã.

Logo que cheguei na turma seguinte, fui recebido com um tiro de um lança-mísseis. Por pouco escapei pulando para o lado, mas sofri alguns arranhões devido ao entulho deixado pelos ataques ao professor anterior.

Era hora do revide. Turma de quinta série: aula sobre os hebreus e o Êxodo.

Suspirei, puxei o megafone e comecei a falar. Seria um longo dia…

Complexo de Outsider

plague-doctorOutsider. Em português, estrangeiro, ou, talvez mais adequado, forasteiro. Se me perdoam o estrangeirismo, vou ficar com o termo em inglês dessa vez. Gosto dele; acho que ele confere um significado mais objetivo: aquele que está do lado (side[r]) de fora (out). Como geralmente acontece, o sentido do termo não precisa ser literal ou físico. Pode ser um “lado de fora” psicológico, ideológico ou mesmo social. Ser um outsider pode ser uma mácula, um motivo para ser tratado com frieza e desprezo pelos outros; mas também pode ser uma bênção: poder ver as coisas criticamente, sem a visão distorcida do envolvimento direto. Não é à toa que a antropologia fala muito do olhar antropológico, de olhar as coisas como quem os vê de fora; significa ter esse olhar crítico do outsider, não necessariamente para exercer um julgamento, mas com uma vontade sincera de compreensão.

Lembro de quando, anos atrás, eu li o primeiro volume de As Máscaras de Deus, tetralogia do Joseph Campbell em que ele analisa e compara os temas de mitologias do mundo todo, fazendo um complemento mais aprofundado e detalhado do que no seu clássico-mor (e infame, segundo alguns) O Heroi de Mil Faces. No caso, este falava sobre as “mitologias primitivas,” aquelas de povos selvagens e arcaicos, desde os neandertais paleolíticos com as suas pinturas rupestres até os aborígenes australianos mais contemporâneos. Um dos muitos temas que ele aborda no livro é o dos xamãs, que, em muitas destas sociedades, possuem uma função mista entre a de um sacerdote e a de um médico, que cura males físicos através de viagens e rituais no mundo espiritual.

Aí talvez entre um pouco a minha ingenuidade de garoto, e a fonte de onde vinha anteriormente o meu conhecimento sobre o tema, qual seja, livros de cenários de fantasia para RPG. O xamã na maioria deles era um membro importante da tribo de que fazia parte, respeitado e admirado, a quem todos recorriam atrás de sabedoria e conselhos. O xamã que fiquei conhecendo pelo livro, através de diversos relatos antropológicos citados por Campbell, era bem diferente: um ser estranho, respeitado mais por medo do que por admiração, a quem a tribo recorria quando necessário mas preferia manter distância na maior parte do tempo. O mundo a que ele pertencia não era o dos demais; ele não caçava com a tribo, não ensinava os garotos, não celebrava com eles. Vivia, ao contrário, muito mais no mundo dos espíritos do que no dos vivos, que conhecia como ninguém e que visitava na hora de curar uma enfermidade, mas que despertava um terror profundo em todos os demais. Era, para resumir, um outsider.

Lembrei bastante disso quando estava lendo The Way of Kings, do Brandon Sanderson. Entre as diversas histórias que o autor conta para enrolar o leitor e fingir que está tendo algum avanço no enredo, está a da juventude de um dos protagonistas, quando seu pai era um médico e cirurgião de uma cidade pequena, trabalhando de graça e vivendo basicamente de doações dos demais habitantes como agradecimento pelos seus serviços. A relação que possuía com eles, no entanto, é bem semelhante a dos xamãs descritos por Campbell, um misto de respeito e medo. Todos os aldeões recorriam a Lirin (o médico em questão) quando precisavam, para tratar de uma doença ou cuidar de um filho acidentado; mas eram frios e distante na relação com ele no resto do tempo. Ele não trabalhava com eles, afinal; não suava arando a terra nem carregava o peso das colheitas. Como tratá-lo como um igual?

Sanderson deve entender alguma coisa do assunto, acredito, visto que outro dos seus livros tem como dedicatória um pedido de desculpas para sua mãe, que queria vê-lo médico, de onde podemos supor que ele tenha ao menos começado os estudos para a profissão. Eu pessoalmente não sou especialista, mas, pelo meu conhecimento da História de maneira geral, consigo imaginar que a da Medicina tenha passado por situações como esta. Penso nos próprios pioneiros das ciências medievais e renascentistas, como o belga Andreas Vesalius, que visitava cemitérios para dissecar cadáveres e estudar anatomia, uma prática que não deveria torná-lo muito popular. E basta olhar também para as máscaras aviárias que médicos usavam para se proteger da Peste Negra, que os davam aquele ar um tanto monstruoso e assustador.

Hoje em dia os médicos são em geral bem mais respeitados. É uma carreira nobre, que paga bem para os melhores profissionais, e é por isso desejada por muitos e possui os vestibulares mais disputados. Nas grandes cidades, ao menos, é difícil vê-los como outsiders. Aquele conhecimento místico que tornava os xamãs assustadores hoje se tornou mundano, mesmo que não seja de livre acesso (apesar de que você sempre pode recorrer ao Google). Mas é difícil imaginar que não haja um resquício desse complexo de outsider na atitude de médicos recentes, não só nas críticas programas como o Mais Médicos como em toda essa agressividade com que os médigos estrangeiros que vêm trabalhar aqui estão sendo recebidos.

É claro que há razões muito mais profundas por trás, razões políticas e ideológicas que ficam bem explícitas em qualquer análise de discurso das notícias a respeito. Mas não há como não ver um certo sentimento de superioridade, de estar fora e acima dos padrões dos “comuns,” quando se vê declarações de médicos sugerindo sobrecarregar os laboratórios públicos com exames, não socorrer eventuais vítimas de erros de médicos estrangeiros, e outras atitudes que parecem vir de garotos birrentos de sete anos de idade; como se o resto da sociedade, esses que vão levar o golpe destas atitudes, não importassem. Afinal, eles são eles, e não nós.

Enfim, sei lá. Talvez quem esteja sendo o outsider aqui seja eu mesmo. Mas eu sempre fui um, de qualquer forma.


Sob um céu de blues...

Categorias

Arquivos

@bschlatter

  • E desde então sou capaz de ouvir Raça Negra e Led Zeppelin e tirar o mesmo senso de fruição estética de ambos. 2 hours ago
  • Foi justamente quando me dei conta disso que larguei os preconceitos besras com pagode, sertanejo, funk e outros só por serem populares. 2 hours ago
  • Nesse rolo do "gosto é construção cultural", o engraçado é que pra mim isso foi, na verdade, extremamente libertador. 2 hours ago
  • RT @NtflxGenerator: Formulários, carimbos e maconha. Só mais um dia de trabalho de Saul, palhaço. 20 hours ago
  • RT @NtflxGenerator: Trotes, infortúnios, grampos, delação premiada. Quando um casal inclui um estagiário na relação, é complicação garantid… 20 hours ago

Estatísticas

  • 197,183 visitas