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R. I. P.

Cream, 2005

Ouvir Cream sempre me lembra de porque eu queria tanto ser músico… E porque na verdade eu nunca ia conseguir ser um de qualquer forma.

Acho que vou ali ficar em posição fetal um pouco…

Mali to Memphis

Se podemos acreditar nas teorias científicas sobre a evolução e a origem das espécies (e eu pessoalmente não vejo razão para duvidar delas), a espécie humana, o famigerado Homo sapiens sapiens, se originou na África. Não parece tão surpreendente, assim, imaginar que a raiz de toda a arte e, mais especificamente, da música humanas esteja por lá também. Na verdade, mesmo que ignoremos algum resgate aleatório de uma ancestralidade pré-histórica, praticamente todos os ritmos mais populares atualmente podem ter sua origem traçada de alguma forma até o continente negro em tempos relativamente recentes – seja o blues e o jazz norte-americanos, bem como o seu filhote rock e todos os seus derivados, e mesmo o samba e o pagode de terras tupiniquins. Se tais estilos são tão marcantes e importantes na genealogia musical contemporânea, é possível que tenha muito a ver com a forma como ele toca, mais do que a nossa alma, as próprias moléculas do nosso DNA mitocondrial.

Mali to Memphis – An African-American Odyssey pode ser ouvido como uma espécie de estudo sobre essa relação entre a África e a música ocidental de maneira geral, ou pelo menos a música norte-americana. Organizado e editado pela Putumayo World Music, uma gravadora de Nova Iorque especializada no grande caldeirão de estilos rotulado por lá como world music, ele reúne de forma alternada nomes consagrados do blues e artistas pop africanos contemporâneos, a grande maioria deles oriundos do Mali. Desta forma, durante a audição, mais do que apenas a fruição de belas canções, ele nos convida de fato a um exercício de reflexão e comparação, tentando descobrir onde cada um é influência ou foi influenciado pelo outro.

Do lado de cá do Atlântico, o disco se concentra em oferecer um panorama geral do blues elétrico do pós-guerra. Você vai encontrar lá desde um clássico como I’m in the Mood, de John Lee Hooker, passando por um artista consagrado em vários estilos como Muddy Waters (com My Home Is in the Delta), até artistas mais contemporâneos, como Eric Bibb (Don’t Let Nobody Drag Your Spirit Down). De destaques mais interessantes, temos Guy Davis com uma interpretação vocal inspiradíssima do clássico You Don’t Know My Mind; e Queen Bee, do mestre Taj Mahal.

É claro, no entanto, que o grande astro do disco são os artistas africanos, dos quais nós raramente ouvimos falar, mesmo que sejam tão próximos tanto culturalmente como geograficamente. O que mais surpreende nas músicas selecionadas, acredito, é o belíssimo trabalho com instrumentos de cordas, que prendem a atenção praticamente desde a primeira nota de Mon Amour, Ma Cherie, da dupla Amadou and Mariam. Sejam elétricos ou acústicos, as composições são recheadas de riffs, solos e dedilhados fantásticos, muitas vezes praticamente uma segunda (ou terceira, quarta…) voz nos arranjos, como acontece no blues mesmo. É difícil saber até que ponto tais artistas foram influenciados pelos músicos ocidentais contemporâneos, que certamente chegaram até lá com estações de rádio e lançamentos internacionais de discos, ou pelos próprios estilos que influenciaram estes músicos em primeiro lugar.

Como anteriormente, também se tentou fazer uma espécie de panorama geral da música pop malinesa, trazendo desde artistas mais antigos, com estilos oriundos mesmo das tradições dos griots e da música folclórica, até outros mais jovens e contemporâneos. Destaco faixas como Sirata, de Habib Koité; Kar Kar Madison, do músico folclórico malinês Boubacar Traoré, cujos sucessos chegaram a embalar a independência do país; e a bela Dounouya (que significa “O Mundo”, segundo o encarte biográfico), de Lobi Traoré.

Na soma geral, Mali to Memphis é uma coletânea muito interessante, tanto pela qualidade das canções como pelo estudo de antropologia musical que propõe. Na mesma linha de um Refugee All-Stars, é daqueles discos que, mais do que nos encantar com boa música, nos faz refletir um pouco sobre o próprio significado que a arte e aqueles que a fazem possuem para nós.

Só uma coisinha…

Ainda to meio embasbacado com esse vídeo. Ele meio que resume tudo o que eu penso sobre música, exposto aí na minha dúzia de posts sobre blues, entre outras coisas. Aquela velha história da música erudita, técnica e “fria” contra a espontaneidade da que vem diretamente do povo e das pessoas comuns, sem outros compromissos além de tocar e ter prazer tocando. Enfim, é o tipo de coisa que eu não consigo não compartilhar…

DEUS

Eu vi Deus, e o nome dele é Eric Clapton. Pra marcar a semana de apresentações dele no país – a primeira delas ontem, em Porto Alegre, e é claro que EU ESTAVA LÁ -, uma pequena ficha de personagem para representá-lo dentro dos parâmetros do 3D&T Rock Band.

Enfim, para entender e usar ela adequadamente você precisará do netbook 3D&T Rock Band, e também dar uma olhada no meu artigo sobre técnicas e estilos musicais. E antes de seguir, apenas lembrando que, segundo a nomenclatura própria do proposta no netbook:

A = Atitude, equivalente à Força ou Poder de Fogo;
T = Técnica, equivalente à Habilidade;
V = Vontade, equivalente à Resistência;
I = Improviso, equivalente à Armadura;
F = Fama, atributo novo descrito no netbook;
PMs = Pontos de Motivação, equivalentes aos PVs;
PFs = Pontos de Fadiga, equivalentes aos PMs.

Eric Clapton
A2 T5 V3 I4 F5 15 PMs 15 PFs

Esilo Blues. Clapton é adepto e um dos grandes nomes do blues, tendo aprendido com alguns dos seus principais nomes históricos, e desenvolvido o seu estilo pessoal a partir deles.

Estilo Rock. Clapton também é um dos principais nomes da história do rock, e ajudou mesmo a desenvolver algumas das suas principais técnicas musicais.

Especialista (guitarra). Clapton, é claro, é conhecido como um dos deuses da guitarra, e é quando usa o seu instrumento de preferência que se sente mais à vontade. Ele gasta apenas metade dos PMs para utilizar quaisquer técnicas de guitarra durante uma apresentação.

Banda de Apoio 4. Clapton possui uma equipe de músicos extremamente qualificada dando-lhe apoio nos shows, provavelmente uma das melhores bandas do mundo. Quando pode tocar com ela, recebe um bônus de +4 em todas as suas jogadas.

Mentor. Embora nunca o tenha conhecido pessoalmente, e na verdade tenha mesmo nascido depois da sua morte, Clapton costuma citar o bluesman norte-americano Robert Johnson como um dos seus mentores, do qual aprendeu e copiou algumas das suas técnicas principais.

Fama. Clapton é uma das figuras mais conhecidas do rock, e portanto possui a vantagem Fama (descrita no netbook Rock Band) no seu nível máximo.

Gibson Les Paul. Quando tocava com o Cream, Clapton costumava usar uma guitarra Gibson Les Paul, um dos modelos mais famosos da história. Você pode considerá-la como um instrumento mágico com as seguintes características: A+2, F+1, Ataque Especial, Flagelo (guitarristas).

Blackie. Na carreira solo, a guitarra que que ficou mais conhecida nas mãos de Clapton foi uma Fender Stratocaster preta, apelidada de Blackie. Você pode considerá-la um instrumento mágico com as seguintes características: T+1, I+1, F+1, Ataque Especial x2.

Especializações. Clapton possui as especializações Instrumentos Musicais (cordas), Canto e História do Blues.

BÔNUS: Clapton, deus menor dos alaúdes e instrumentos de cordas

Outros nomes. Elric entre seu velhos amigos familiares em Petrynia.

Descrição. Elric Clapton foi um bardo meio-elfo nascido nos arredores de Altrim, capital de Petrynia. Começando na carreira musical bastante jovem, logo angariou uma grande quantidade de fãs devido às suas ótimas músicas e, principalmente, a sua técnica impecável no alaúde e outros instrumentos de cordas. Aos poucos a idolatria destes fãs começou a tomar ares de uma verdadeira devoção religiosa, e hoje, décadas depois, ele atingiu o tatus de um verdadeiro deus menor.

Motivações. As motivações de Clapton são bastante simples, e envolvem basicamente viver pela e para a música. Está sempre disposto a conhecer e tocar com novos artistas, além de participar de projetos diversos para divulgar a música em todas as suas formas.

Avatar. Clapton obviamente não possui um avatar, pois é apenas um deus menor. No entanto, ele próprio ainda vive em Arton, tendo residência fixada na cidade voadora de Vectora. Costuma aproveitar as paradas dela para fazer grandes apresentações nas principais cidades do continente, além de alguns pequenos shows regulares nas grandes tavernas locais.

Relações. Clapton possui boas relações com todos deuses ligados à música e às artes de forma geral, em especial a deusa do canto Canora, e, entre os deuses maiores, a deusa da paz Marah. Antes de cair do Panteão, dizia-se que mesmo Glórien, a elitista deusa dos elfos, tinha orgulho da parcela de sangue élfico que corria em suas veias. Os únicos deuses com que ele possui algum tipo de inimizade são aqueles ligados a bebidas alcoólicas, devido a uma trágica história pessoal de alcoolismo.

Crença dos devotos. Música é tudo, e Clapton é DEUS.

Áreas de influência. Música, alaúdes, bandolins, outros instrumentos de cordas.

Símbolo sagrado. Um alaúde estilizado.

Arma preferida. Alaúde (Blackie).

Cores significativas. Preto, azul.

Lema. “Você saberia o meu nome se eu te encontrasse no paraíso?”

Poderes garantidos. Clérigos de Clapton recebem gratuitamente a especialização Instrumento Musical (cordas).

Obrigações e restrições. Clérigos de Clapton devem sempre carregar um alaúde, bandolim ou outro instrumento de cordas consigo, ou não poderão utilizar os seus poderes clericais.

Clapton

Eu tenho uma relação bem pessoal com a música, e acredito que não só eu – possivelmente qualquer um que seja músico, ou já tenha tido a pretensão de ser (o que é mais próximo do meu caso), tenha um sentimento parecido a respeito. É bem diferente ouvir uma canção como um leigo, apenas apreciando a melodia ou a letra, e ter uma noção mais aprofundada do que cada instrumento está fazendo, do que representa cada mudança de ritmo, cada variação de acorde. Em certo sentido, tocar um instrumento pode mesmo vir a estragar algumas músicas – sei de muitas que eu adorava antes de começar a tocar, mas agora me são totalmente inaudíveis; e, a bem da verdade, há diversas outras que eu não gostava anteriormente mas hoje em dia acho fantásticas.

O fato é que depois de um tempo você deixa de procurar apenas as músicas que são boas de ouvir. Tão importante quanto passam a ser aquelas boas de tocar, que façam você se sentir bem no instrumento, e tenham uma melodia gostosa de se reproduzir. Talvez você chegue até a se questionar sobre essa necessidade meio doente que alguns vêem nos artistas de sempre inovar, sempre lançar canções novas a cada álbum, como se a criação, e não a performance, fosse o ponto máximo da música – e para alguns pode mesmo ser, é claro, apenas me permitam discordar.

Acredito que Eric Clapton é um artista que concordaria comigo, ao menos em parte. Suas performances ao vivo são repletas de clássicos do blues, músicas das décadas de 1920 ou 1930 que ele simplesmente admira e gosta de tocar, mesmo que não sejam exatamente as preferidas do público; e mesmo entre estas, na verdade, há grandes sucessos que ele resgatou simplesmente porque são canções das quais ele gosta, de artistas que admira – Crossroads, Nobody Knows When You’re Down and Out, Before You Accuse Me. Há mesmo um disco inteiro gravado apenas com o objetivo de homenagear Robert Johnson, músico de blues morto em 1938 e considerado uma grande influência por praticamente todos os roqueiros britânicos.

Claro, ele chegou nesse ponto após quase cinquenta anos de uma carreira consagrada, que já lhe deu um lugar entre os deuses da música popular. Alguém que compôs canções como Sunshine of Your Love, Layla ou Tears in Heaven dificilmente precisa provar muito sobre a sua capacidade artística, de forma que há mais espaço para tocar aquilo que gosta. Assim, em um disco como Clapton, seu mais recente trabalho, ele pode se dar ao luxo mesmo de participar da composição de uma única canção inédita – Run Back to Your Side, que na verdade possui uma base suspeitamente parecida com o clássico do blues Rollin’ and Tumblin’ -, e de resto se dedicar à função de intérprete, resgatando algumas canções clássicas do cancioneiro popular anglo-saxão.

E isso não significa, é claro, que seja um disco ruim. Bem pelo contrário: Clapton é um grande intérprete, capaz de dar vida e sentimento a estas canções, como já fez com outras no passado. Algumas chegam a ter interpretações bastante inspiradas, na verdade, como em Rocking Chair e Autum Leaves. Os riffs de guitarra que o consagraram também estão lá, com destaque para arranjos marcantes como os de River Runs Deep e That’s No Way to Get Along, bem como as baladas em que um solo suave acompanha a melodia, como na ótima versão de How Deep is the Ocean. Há espaço mesmo para o blues tradicional do Mississipi que ele tanto admira, em Hard Times Blues. Em geral apenas umas poucas músicas podem ser difíceis de ouvir, como Judgement Day ou Milkman, mas não exatamente por serem ruins – seus arranjos apenas tem algo de nostálgico, o que pode reduzir o seu alcance a um público mais específico, capaz de entender e apreciar esse tipo de saudosismo.

No fim, não consigo imaginar Clapton como um sucesso incontestável de vendas, capaz de empilhar sucesso atrás de sucesso nas rádios populares. Dificilmente qualquer destas canções vai ser mais pedida em shows do que Layla ou Cocaine, por exemplo. Apenas não deixam de ser ótimas canções por isso, com direito algumas grandes interpretações. E, sinceramente, é injusto também esperar muito mais.

Melodia Infernal

melodiaDepois da overdose de mangás japoneses que ainda toma de assalto o mercado nacional de quadrinhos, bem como uns poucos manhwas coreanos que vez por outra saem por aí, Melodia Infernal agora nos traz, em dois volumes, um pouco dos quadrinhos chineses. O tema da história é a música, e a sinopse, em um primeiro momento, é bastante original: um grupo de suicidas impedido de entrar no paraíso monta uma banda de heavy metal, mas não encontra um guitarrista-solo que os agrade – ocorre que o músico perfeito para tocar com eles ainda está vivo, e eles precisarão, assim, forçá-lo se suicidar para entrar na banda.

Não se pode falar da história, é claro, sem mencionar a sua arte maravilhosa. O estilo chinês, aparentemente, tem uma ascendência no mangá, tanto nos traços suaves como no uso constante (às vezes até gratuito) de SD (ou Super-Deformed). O autor Lu Ming, no entanto, possui um estilo mais realista e detalhado do que é normal no Japão; mas, diferente de alguns artistas ocidentais, consegue fazer isso sem perder a noção de movimento, mantendo o dinamismo da narrativa. Um destaque especial vai para o cuidado no retrato das guitarras, com precisão quase fotográfica, e uma atenção nos mínimos detalhes do design de cada uma – para quem gosta de arranhar uns acordes vez por outra, é uma atração à parte nos volumes, e, para os leigos, o posfácio do Macartti, quadrinista e luthier, ajuda a lançar alguma luz sobre o assunto. O único ponto negativo aqui vai para as poucas cenas de páginas duplas, que ficaram deformadas na brochura da edição nacional.

Se a história parecia bastante promissora à princípio, no entanto, o seu desenvolvimento já deixa bastante a desejar. À parte pela arte magnífica, o roteiro é confuso, em especial depois que banda deixa o mundo dos mortos para ir atrás do guitarrista, e a própria personalidade do protagonista parece um pouco má definida, como se o autor não tivesse muita certeza de como quer que ele seja. Muita coisa é jogada no ar com pouco desenvolvimento, e há cenas e diálogos que parecem tirados de um filme de kung fu ruim, daqueles em que o discípulo do mestre morto, em uma única fala, joga na cara do vilão tudo o que sofreu até ali. Há alguns equívocos musicais menores, como o momento em que um guitarrista de blues (!) comenta que no heavy metal só se usa a escala pentatônica (hein?), mas até são passáveis, uma vez que é preciso entender um pouco de música para perceber; e o final também se deixa levar um pouco demais pela filosofia barata e a moral edificante (quem viu Evangelion vai entender o que eu quero dizer), mas isso também não é necessariamente um defeito.

De qualquer forma, à parte por esses problemas, Melodia Infernal ainda é um lançamento interessante, pela arte exuberante e também por trazer um pouco dos quadrinhos chineses para cá. Recomendo para fãs mais dedicados do universo musical, principalmente, que saberão apreciar detalhes como a arte dos instrumentos e as participações especiais durante a história; em último caso, ainda dá algumas idéias bacanas para usar em 3D&T Rock Band.


Sob um céu de blues...

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