Wolverine: Snikt!

300px-Wolverine_Snikt_Vol_1_1Os X-Men, e mais especificamenta a clássica fase da dupla Jim Lee e Chris Claremont, são talvez os grandes responsáveis pela minha paixão pela linguagem das histórias em quadrinhos, alimentando ilusões pseudo-artísticas e mesmo me servindo de referência literária séria e tema de pesquisa acadêmica. Lembro vagamente da primeira vez que parei em uma banca para comprar uma revista, uns bons 15 anos atrás, e depois fui voltando mês a mês para seguir acompanhando, e posteriormente ainda começando a comprar outras revistas na mesma linha de super-heróis. Hoje em dia não tenho mais recursos, tanto financeiros como de paciência mesmo, para acomapanhar estas séries contínuas, mas vez por outra acabo pegando alguma edição especial ou mesmo uma pequena mini-série, desde que tenha certeza de que não precisarei seguir comprando indefinidamente para saber como a história e as sub-tramas dela terminam.

Wolverine: Snikt! é, por incrível que pareça, a primeira destas edições especiais a retomar alguns desses personagens que me marcaram tão profundamente no passado – não sei exatamente o porquê, mas me parece que por algum motivo as histórias fechadas dos personagens clássicos da DC, apesar de despertarem menos interesse em mim nos meus tempos áuroes de consumidor de quadrinhos, hoje tendem a parecer mais interessantes do que as dos personagens da Marvel. E a estrela da vez é justamente o Wolverine, o preferido de 9 entre 10 pessoas que começaram a acompanhar as histórias do grupo nessa época, eu incluso.

A edição apresenta uma história escrita e desenhada por Tsutomu Nihei, autor japonês que, aparentemente, é um revolucionário no gênero cyberpunk nos mangás contemporâneos, apesar de eu pessoalmente conhecer pouco. Artisticamente, me parece bem plausível: o traço dele é bem adequado ao gênero, com cenários sombrios e vestimentas que parecem saídas da trilogia Matrix; apenas a palidez dos personagens incomoda um pouco, mas não chega a ser um defeito. Apesar do traço, no entanto, o estilo da obra está bem mais próxima dos quadrinhos norte-americanos especialmente na narrativa; isso não é um problema na maior parte do tempo, mas em algumas cenas de ação faz falta a noção de movimento que os enquadramentos dinâmicos do mangá conseguem imprimir.

O roteiro não é especialmente inovador ou espetacular, mas é divertido, especialmente para fãs de Masamune Shirow ou dos irmãos Wachowski. A influência de ambos é bem visível: clima sombrio, futuro pós-apocalíptico, pseudo-máquinas bizarras; seria um cult instantâneo se fosse um curta de animação. E é bem uma história one-shot mesmo – curta, com começo, meio e fim, e sem qualquer relação ou pré-requisito em relação à cronologias oficiais e besteiras do tipo; qualquer um que compre a revista pode apreciar a história, sem precisar conhecer muito mais do personagem.

Enfim, Wolverine: Snikt! pode não ser o mais revolucionário e indispensável dos lançamentos em quadrinhos recentes, mas até que é uma boa diversão para fãs do Wolverine e de cenários sombrios com estética punk.

1 Response to “Wolverine: Snikt!”


  1. 1 Gabriel 14/07/2009 às 12:38

    foda pra caralho, esse


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