Grêmio – Nada Pode Ser Maior

livro-nada-pode-ser-maiorFutebol-arte, todo mundo sabe, é coisa de veado. Não à toa, é chamado também de “futebol-bailarino”, como bem nos lembra Eduardo Bueno já no primeiro parágrado da introdução ao seu instigante ensaio sobre a história do Grêmio, o maior baluarte brasileiro (ou melhor, brasiliense) do futebol de verdade, aquele que é jogado com mãos e cotovelos, da formação tática 9-1 (a mais perfeita já utilizada no futebol mundial), dos volantes de contenção, do 0 x 0 com chuva e taça de campeão no armário, das goleadas de 1 x 0 com gol de bola parada aos 40 do segundo tempo.

Não é um ensaio sobre qualquer Grêmio, é bom destacar. É sobre o Grêmio como o autor o vê, bem como todos os outros Grêmios que pipocaram (ou melhor, permearam, porque pipocar é coisa de manés molóides praticantes do futebol-bailarino) durante o século XX – da celeste uruguaia que calou 100 mil amantes do futebol-arte no Maracanã em 1950, à camisa azul de listras brancas grega, que venceu, como de costume, o time vermelho de Portugal, no título que na época de lançamento do livro era o mais recente conquistado pelo Grêmio, esta entidade metafísica do chamado futebol-força – apesar de esta ser uma expressão redundante (se futebol não é força, é o quê?) -, a Eurocopa de 2004.

Peninha pode não ser exatamente o melhor dos historiadores – bem longe disso, na verdade – mas há de se admitir que é um excelente escritor. Com uma ironia sutil como um volante brucutu, relata todos os grandes momentos da história tricolor, todas as injustiças que sofreu durante os seus gloriosos anos de existência, todas as vitórias que apenas um praticante do futebol de verdade poderia conquistar, e todos os comentários invejosos da crônica esportiva do país vizinho, aquele dos manés molóides que acham que futebol é arte (só se for marcial). Eleva nomes como Lara e Foguinho ao status de heróis mitológicos, e narra brilhantemente conquistas como a das Libertadores de 83 e 95 e o Mundial de 83 como as epopéias que foram. Uma verdadeira crônica do verdadeiro futebol, escrita por uma espécie de Nelson Rodrigues que não era míope e podia de fato enxergar o que se passava em campo.

Enfim, Grêmio – Nada Pode Se Maior é um manifesto em favor do verdadeiro futebol, e merece ser lido por todos aqueles que entendem a real natureza do esporte bretão, bem como os que apreciam uma boa e irreverente leitura sobre o tema e sabem diferenciar ironia e deboche de provocação. Hoje, cerca de cinco anos depois da sua primeira publicação, ele pode até parecer incompleto, sem fazer menção a alguns feitos épicos realizados nos anos seguintes pela esquadra tricolor; no entanto, a sua mensagem para os apreciadores do futebol-arte, do futebol-bailarino, enfim, do futebol-perdedor, continua clara: o Grêmio pode até passar por percalços, quedas temporárias, momentos turbulentos; mas no fim, que é quando realmente importa, ele sempre ganha, e, se não ganhou, é só porque o fim ainda não chegou.

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1 Response to “Grêmio – Nada Pode Ser Maior”



  1. 1 Futebol-Arte (marcial) « Rodapé do Horizonte Trackback em 24/04/2012 às 16:53

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