Arrowsmith – A Guerra da Magia

1132978_4Kurt Busiek é facilmente um dos meus autores de histórias em quadrinhos favoritos. Talvez ele não tenha – ou pelo menos não se preocupe em exibir – todas aquelas referências eruditas e construções narrativas de um Alan Moore ou Neil Gaiman, por exemplo, mas é um dos poucos que conseguem trabalhar personagens num nível humano sem perder um caráter mítico e heróico. e que consegue fazer histórias de aventura comoventes, cativantes e divertidas sem necessariamente cair em uma acefalia superficial. Bem, é só ler Marvels. Ou Astro City. Ou Superman: Identidade Secreta.

Arrowsmith – A Guerra da Magia é outro bom exemplo destas características, embora repita um pouco dos temas de Shockrockets, por exemplo, e tenha um estilo narrativo bastante semelhante. É uma história juvenil, daquelas onde jovens ingênuos são obrigados a amadurecer e virar adultos em meio a algum tipo qualquer de acontecimento catastrófico, nesse caso específico a Primeira Guerra Mundial. Tudo bem, é uma história clichê e chavão, mas é uma boa história clichê e chavão; é bem contada, e fala de um tema que, queira ou não, tem alcance e algo a dizer para alguém, e é uma pena que provavelmente nunca vai chegar à maioria desse público, já que é mais uma daquelas edições-de-quadrinhos-de-luxo-lançadas-apenas-em-livrarias. Mas, enfim, pelo menos também não é aquele exagero todo das antigas edições de Sandman da Conrad…

De qualquer forma, Arrowsmith é, como já disse, uma boa história juvenil, bastante satisfatória nos personagens e no enredo contado. Talvez alguns achem estranho a forma meio abrupta com que acaba, antes do fim da guerra propriamente dita (desculpas pelos spoilers), mas ela consegue encerrar bem até lá o elemento principal da história, que é justamente a transformação do personagem principal e, com ele, do tom da narrativa – engana muito bem nos primeiros capítulos, quando parece ser mais uma daquelas histórias de guerra românticas onde heróis valorosos lutam contra inimigos claramente malignos em busca de glória e honra, e se transforma em uma representação bem mais sombria e crítica do combate no front, colocando no protagonista questionamentos morais e deixando-o com dúvidas sobre os verdadeiros mocinhos e bandidos do conflito.

O elemento que certamente mais chama a atenção na obra, no entanto, é o cenário onde a história é contada. Estamos no período da Primeira Guerra Mundial, como já comentei, mas em um mundo levemente diferente, onde caças voadores são trocados por feitiços de vôo e submarinos militares por serpentes marinhas gigantes – é um cenário de fantasia soberbamente construído, do tipo que não faria feio em qualquer campanha de D&D. É uma pena que os autores ainda não tenham tido a oportunidade de exibi-lo melhor em uma continuação, apesar de algumas notas no final da edição indicarem que foi desenvolvido bem além do que o que aparece na história. Mesmo assim, é um atrativo à parte na obra, talvez mesmo o que mais proporciona diversão, pelo menos para alguém que goste de brincar de imaginar mundos fantásticos.

Outro destaque, ainda, é a arte soberba do espanhol Carlos Pacheco. A mistura de cenários históricos com elementos fantásticos que ele faz é muito bacana – destaque para cenas panorâmicas, como a Nova York de 1915 dominada por criaturas como trolls e anões. O design dos figurinos, sobretudo os militares, é outro ponto alto.

No fim, Arrowsmith – A Guerra da Magia talvez não seja lá o melhor trabalho de Busiek, mas ainda tem os seus méritos. É uma boa HQ, que eu, pelo menos, gostei de ter lido e conhecido o seu universo militar fantástico.

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